Especial: O simbolismo da banda e a chegada de Blurryface

por Matheus Lopes
Revisão: Kaline Linhares

Não é de hoje que os membros do Clique tentam decifrar as mensagens escondidas nas músicas da nossa banda. A complexidade das letras de Tyler e Josh é simplesmente inegável. Queira você entenda inglês perfeitamente ou precise buscar as traduções em português, todos nós nos identificamos com elas mesmo sem ter certeza de que realmente entendemos tudo o que elas querem dizer. Mas, afinal, qual é o verdadeiro significado por trás de toda a arte que está sendo montada diante dos nossos olhos?

Quando perguntado sobre o significado de suas composições, Tyler costuma fugir das questões fazendo alguns discursos sobre a legitimidade de tudo o que faz. A relação de entrega entre eles, a música e nós é bastante clara. Elas não são simplesmente canções do twenty one pilots que nós, fãs, gostamos de ouvir. Elas são nossas músicas. É claro que isso não significa que o mistério precisa continuar em segredo. Seja por meio de declarações da banda, interpretações literais das letras ou análises profundas, aos poucos vamos construindo algo muito maior.

Foi pensando nisso que decidimos reunir diversas teorias criadas pelo Clique em uma postagem especial. Desde a revelação da arte oficial do álbum e principalmente após o lançamento de Fairly Local, muitos usuários do Tumblr, Twitter e até mesmo no meio da nossa euforia no grupo do Whatsapp, divulgaram ideias para tentar descobrir um pouco mais sobre o que pode vir por aí. A nossa maior surpresa foi, entretanto, perceber como a imagem do Blurryface (em itálico pra ficar mais misterioso) parece buscar símbolos que a banda usou há muito tempo — desde a época do Regional At Best e até mesmo no álbum autointitulado (chamaremos de Self-Titled).

Quem é Blurryface?

Com o lançamento de Fairly Local, as páginas da banda e dos membros foram atualizadas com um novo design. Uma mudança de cores, headers, fundos e até mesmo a bio do twitter de Tyler. Em um primeiro momento, ela dizia: “Quem é Blurryface e por que ele me quer morto?”. Alguns minutos depois (e depois de receber 6 mil novos seguidores!), Tyler alterou a bio para apenas “Quem é Blurryface?”.

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A teoria mais forte, como desenvolveremos a seguir, é a de que Blurryface é a personificação das nossas inseguranças. É o lado pessimista, negativo. Um lado que já foi bastante exposto nas músicas da banda.

A logo

A primeira coisa a ser notada foi a mudança da logo da banda. Estávamos tão acostumados com as barras que foi preciso que elas mudassem para que pensássemos melhor sobre sua composição. Muitos levantaram teorias sobre as cores e a disposição das formas. Nesse caso, o azul representaria o bem, e o vermelho o mal. Na logo antiga, a barra horizontal aparenta ser uma espécie de ponte que une esses dois extremos.

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Na versão nova, as barras não se tocam mais, e a única cor não neutra é o vermelho. Uma das interpretações para isso é a de que o “bem” se foi. Pelo menos momentaneamente. Fairly Local soa muito como um confronto de Tyler e Josh com Blurryface. A questão é que quando o mal recebe destaque isso não significa que ele esteja vencendo. Muito pelo contrário. O mal (representado pela barra vermelha) está sendo separado e nomeado. Esse é Blurryface. O lado negativo, os pensamentos ruins, os problemas. Assim, Tyler e Josh estão preparando o terreno para enfrentá-lo.

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Outros símbolos relacionados estão presentes nas imagens de divulgação da nova fase. Tyler trocou sua tradicional touca por uma vermelha, enquanto Josh pintou o cabelo da mesma cor. A tinta preta, presente nas fotos e no clipe de Tear In My Heart, pode simbolizar o confronto. As barras estão rodeadas pela cor, que geralmente é usada como símbolo de sombras/escuridão em outras músicas.

Quer sentir um pouco mais de deslumbre? Se você aplicar o efeito negativo (que inverte as cores para seus opostos), a barra vermelha fica… Azul. (Coincidência? Acho que não.) “Mas a barra azul não deveria ser a da esquerda?” Sim! Esse pode ser mais um indício de que, por mais que o “mal” seja parte intrínseca de nós, o seu estado puro deveria ser o bem. E é esse embate que provavelmente veremos quando o álbum sair em maio.

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O confronto começou em Regional At Best

A batalha entre o azul e o vermelho te lembra de alguma coisa? Pois é. Na capa do segundo álbum, lançado em 2011, além da tradicional logo, vemos uma partida de baseball entre um time de uniforme azul e um time de uniforme vermelho. Essa foi uma das observações que fez muita gente se sentir meio boba. Como não percebemos isso antes?

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Mas e o Self-Titled? Se você parar pra analisar as letras e os instrumentais das canções no primeiro álbum, vai perceber que ele é bastante denso. Mesmo com músicas com mensagens positivas como “Friend, Please”, vemos um Tyler muito vulnerável, perdido. Talvez esse seja o estado de caos. E é por esse motivo que a logo, as cores e a aparentemente ingênua partida de baseball na capa do álbum seguinte deve representar que Tyler começa a ter noção do bem e do mal. Na letra de Anathema, Tyler declara: “I start to part two halves of my heart in the dark” (Eu começo a separar duas partes do meu coração no escuro). As duas partes são os dois opostos, enquanto a escuridão representa o desconhecido, as sombras, como já falamos antes.

A trégua momentânea em Vessel

Vessel é um álbum que pode ter representado o autoconhecimento da banda. Depois de viver em caos e separar o bem e o mal, nada mais natural do que revisar quem você é. Vessel (um receptáculo de emoções), representa tudo o que eles sentem. Em Ode To Sleep vemos que Tyler está lutando contra essa negatividade. “Porque a escuridão não fará prisioneiros esta noite”. Quando a escuridão vem, ele escuta “aquelas vozes chamando, aqueles demônios gritando” e eles lhe dizem que ele havia “partido”. Quando uma pessoa é tomada por pensamentos ruins ou distúrbios psicológicos (como a depressão ou a esquizofrenia), ela começa a perder a noção de quem ela é. É como se ela não pertencesse mais ao seu corpo (o seu receptáculo).

Em Holding On To You, Tyler começa a tomar o controle do seu corpo de volta. “De volta ao controle, não mais passageiro”. Antes disso, ele estava no banco de carona da vida dele. (E o motorista era o Blurryface). Canções como House Of Gold e Screen mostram como ele é capaz de sentir coisas boas, enquanto outras apenas reforçam o seu lado mau.

Semi-Automatic é uma das músicas em que essa esquizofrenia é mais clara. “Eu nunca sou o que gosto, sou duas caras e não consigo esconder que meio que gosto quando faço você chorar”. Retomando o Regional, vemos o quanto ele era mau em Kitchen Sink, com aquele segredo que ele não pode contar a ninguém. Em Fake You Out, ele diz “Eu cometi crimes bem sujos que se encaixam perfeitamente”. Ele falava frequentemente sobre matar sua própria mente e dirigir seu carro para fora da estrada, jeitos de matar ambos os lados quando estava perdendo o controle.

Truce é a trégua, literalmente. É um louvor à vida. Tyler canta não apenas para si mesmo, mas para qualquer pessoa que esteja na mesma situação que ele. Em “Espero que eu não seja o meu único amigo” ele mostra que precisa de companhia. “Fique vivo, fique vivo por mim”. É então que ele respira, digere tudo o que disse e descansa, até que a batalha começa em Fairly Local.

A relação com Josh

Além das letras e da voz de Tyler, a bateria é parte vital do twenty one pilots. E é claro que estamos falando de Josh. Em photoshoots antigos, como o de Guns For Hands, Tyler veste cores próximas ao vermelho (rosa, laranja, ou o próprio vermelho), enquanto Josh usa cores próximas ao azul ou o próprio. Outros fãs observaram que, na verdade, eles aparentam revezar entre as duas cores. De qualquer forma, Tyler está sempre à direita, o lado onde a barra vermelha está posicionada na logo. Seria Josh o lado bom de Tyler?

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Após o lançamento de Fairly Local, Josh tuitou que essa música era para o Clique e que eles também precisavam. No vídeo, vemos a bateria do Josh ser sabotada por Blurryface, quando o instrumento é o meio que ele usa para combater o mal. No clipe de Guns For Hands, Tyler dá sua máscara a Josh e diz a ele que ele pode tirá-la quando se sentir melhor e mais confortável, uma vez que ele já esteja tocando. A relação de Josh com as cores também parece mais visível do que em Tyler, já que o seu próprio cabelo foi pintado de vermelho e também vemos o uso da maquiagem da mesma cor ao redor dos olhos.

Conclusão

Como Tyler e Josh anunciam, esse é apenas o começo. Algumas teorias aqui apresentadas podem já ser bastante conclusivas (a questão das cores parece já ter sido bastante explorada), enquanto outras logicamente ficarão em aberto. Quem é Blurryface? E qual vai ser o resultado dessa batalha? Não saberemos se nossas deduções estão absolutamente corretas até ouvirmos o álbum completo e repensarmos em todas as teorias (e criar novas!). Mas uma coisa é certa: estamos presenciando um confronto único. Essa batalha contra Blurryface é de todos nós.

23 comments on “Especial: O simbolismo da banda e a chegada de Blurryface

  1. depois de tanta leitura fiquei com a cabeça recheada de teorias e perguntas que ficaram no ar, em uma musica recente da banda (stressed out) nota-se a frase “My name’s Blurryface and I care what you think” ou em português “Meu nome é Blurryface e eu me importo com o que você acha”, seria Blurryface, alem de o personagem que simboliza as inseguranças de todos nós o próprio ego ? essa foi uma das perguntas que eu precisava compartilhar.

  2. Cara ,eu nunca tinha pensado nisso ,mas então Twenty One Pilots é demoníaca? Então o Blurryface é representado pelo Tyler enquanto está com os olhos vermelhos e a voz grossa?
    Isso são algumas perguntas ,mas ficou ótima essa matéria ,parabéns

      1. depois de tanta leitura fiquei com a cabeça recheada de teorias e perguntas que ficaram no ar, em uma recente musica da banda (stressed out) nota-se a frase “My name’s Blurryface and I care what you think” ou em português “Meu nome é Blurryface e eu me importo com o que você acha”, seria Blurryface, alem do personagem que simboliza as inseguranças de todos nós o próprio ego ? essa foi uma das perguntas que eu precisava compartilhar.

  3. AI MEU DEUS!
    QUE TEORIAS MARAVILHOSAS!
    CONTINUEM (não sei quantas pessoas fizeram essa postagem) FAZENDO ESSE TIPO DE COISA!
    FICOU INCRÍVEL!

  4. Nosso Blurryface está posicionado na frente da batalha. Visível, porém não previsível.
    Mas o verdadeiro perigo está nas sombras.
    Eu posso observá-lo.

  5. Cara vlw mesmo, eu curto eles já faz um tempo mas nunca procurei a saber sobre eles, e ai em Stressed Out meu irmão falou que blurryface era um demônio, e agora que eu fui entender que ele é a parte escura nossa, mas vcs são muito fodas continuem assim

  6. Uau! Sabe, eu comecei a ser Clique há pouco tempo ( Tudo começou quando eu vi Car Radio no VH1) e queria saber alguns meios pra me manter informada. ( aparentemente, sou a única clique da cidade.)

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