twenty one pilots fala sobre a era Vessel, turnês, a personificação do Blurryface e muito mais

Em uma bela tarde ensolarada de quarta-feira, RockUrLife teve a oportunidade de conhecer a dupla americana twenty one pilots e conversar sobre o novo álbum, “Blurryface”. Confira:

Entrevistador: Oi twenty one pilots. Oi Tyler e Josh, como vocês estão hoje com este sol poderoso?
Josh Dun (bateria): Bem! O sol está super energizante. É bom ver o sol fora hoje, isso é legal.

E: É a primeira vez que vocês vêm a França só para fazer alguma promo?
Tyler Joseph (vocal/piano): Eu acho que sim. Esta é realmente nossa primeira promo feita na França.

E: E vocês encontraram tempo para dar um passeio por Paris ou visitar alguns lugares legais?
T: Eu queria! Nós pousamos hoje e viemos direto para cá, infelizmente. Mas eu estive aqui em Paris várias vezes!
J: Nós estivemos em Paris duas vezes para dois shows do twenty one pilots e também fizemos um show em Arras. Na verdade, já estive na Torre Eiffel então isso é legal. [risadas]

E: Assim como você, Tyler, certo?
T: Sim. Bem, eu andei sob ela [risadas] então não foi necessário tanto trabalho.

E: Hoje estamos aqui para falar sobre “Blurryface”, seu novo álbum. Mas primeiro, vamos falar sobre o que vocês aprenderam com o lançamento do “Vessel” (2013). Graças a ele, vocês tiveram a chance de visitar muitos países e conhecer um monte de pessoas enquanto espalhavam suas músicas. Como vocês se sentem sobre o fim do período celestial?
T: *pensa* “Vessel” foi exatamente o que queríamos que fosse musicalmente. Mas não sabíamos quem iria ouvir. Nós escrevemos músicas sem saber se alguém se importaria. Então houve um pouco de imprudência porque não importava se ele funcionaria ou não. Definitivamente algum destemor também! Mas ao mesmo tempo, nós meio que tínhamos que aprender quem colocar em um show ao vivo e todas essas coisas diferentes que sabemos agora. Eu acho que é a coisa mais importante quanto penso sobre aquele álbum: nós aprendemos muito um sobre o outro e sobre nós mesmos. E quando isso acabou, quando foi se encerrando, eu não acho que estávamos cansados das músicas apesar que estávamos fazendo turnês por 3 anos. Mas eu diria que nós estávamos nos segurando para tocar algumas músicas mais novas que estivemos escrevendo. Muitas bandas fazem uma pausa entre os álbuns mas nós fomos direto gravar assim que pudemos.

E: Musicalmente, vocês eram e ainda são aquele tipo de banda híbrida com o próprio estilo e personalidade. Mas, naquela época, foi muito difícil para vocês encontrarem um assento na orquestra do universo musical? Devido ao fato que vocês sabem que são uma dupla e a maioria das bandas é composta por pelo menos 3 ou 4 membros.
J: Especialmente quando estávamos começando e ninguém realmente sabia quem éramos. Tivemos um amigo que reservou shows para nós então fizemos coisas locais, às vezes alguns festivais, às vezes alguma coisa de heavy metal e éramos colocados no meio do dia. E como você disse, é apenas nós dois e sempre fomos um pouco inseguros sobre isso…

E: Sério? Por quê?
J: Justamente porque todas as bandas que nós meio que crescemos assistindo ou ouvindo sempre tinham 4 ou 5 integrantes. Como nós poderíamos ter apenas duas pessoas? Às vezes foi estranho para nós. Mas de certa forma, isso funcionou para nós porque é um pouco único e o público aceitou o fato de ser apenas nós dois no palco.
T: Em última análise, nós queríamos fazer algo novo e aprendemos que se você não está desconfortável, você provavelmente não está fazendo algo novo. Então quando nós falamos sobre “é mesmo bom ter apenas dois membros na banda?”, é apenas nós sendo transparentes sobre isso, sendo desconfortável. Mas nós sabemos que esta é a coisa certa.

E: E há mais pressão por ser apenas dois em uma banda?
T: *direto* Absolutamente. Você sabe, há uma pressão para entreter as pessoas e montar um show. Não há muito para o que olhar no palco e portanto, pressionamos nós mesmos para tomar o máximo de atenção possível do público. O fato de fazer um show nos força a chegar mais longe do que teríamos que alcançar se houvesse mais gente na banda.

E: Ser uma dupla força-os a interpretar personagens no palco?
T: De certa forma, a pessoa que eu sou no palco é como sou. Mas aquela versão de mim não é autorizada a ser revelada na vida cotidiana. Só poderia existir no palco e não encaixaria ou funcionaria em qualquer outro lugar. O palco te dá a habilidade de ser a pessoa que tem sido ultimamente mas sempre sentiu que seria inapropriado ser em contextos sociais normais. É mais como uma saída e usamos a música ao vivo como uma saída em um sentido de um personagem, mas também para nós mesmos.

E: O sucesso de “Vessel” levou vocês em turnê com bandas de rock como Fall Out Boy, Panic! At The Disco. Não ficam assustados com o fato de não serem o que esperam?
T: Nós não sabíamos se encaixaríamos completamente, como Josh disse. Nossos shows como uma banda local, nunca se encaixou. Entre shows hardcore, shows pop punk, shows indie, nunca nos encaixamos. Sempre nos destacamos no sentido de que, mesmo que sentíssemos desconfortáveis, era um presente e uma habilidade que deveríamos usar para sermos diferentes. Então eu acho que isso ainda se aplica sempre que vamos abrir para outras bandas. Pode não ser exatamente o que o público está esperando.

E: Então twenty one pilots foi feito para ser a atração principal e provar que seu próprio estilo pode se encaixar com outras performances artísticas?
T: Sim. Tivemos bastante oportunidades, especialmente recentemente, para ser a banda de abertura ou um apoio direto em turnês de bandas maiores e eu acho que nossa resposta foi “nós sempre fizemos isso sozinhos”. Por exemplo, Paramore nos levou para Austrália. Nós nunca tínhamos ido à Austrália antes e todo mundo sabe que é difícil ir para um país e começar algo. Então essa turnê nos ajudou a criar uma história na Austrália. Mas tem havido muitas outras situações onde nós dizíamos “nós queremos ir em frente, fazer nossos próprios shows mesmo que seja para 200 pessoas”. Isso nos coloca como atração principal e é isso que queremos. Há muitas bandas que sentem que sendo uma banda de abertura vai conseguir chegar lá, mas você tem que se provar como atração principal, como o motivo pelo qual as pessoas vão ao show.

E: “Blurryface” é seu quarto álbum, que foi lançado há três meses em todo o mundo. Qual é a história por trás do título? Parece que, com esse título e essa arte obscura, vocês visam perturbar ou, pelo menos, esperam que as pessoas pensem sobre a vida e personalidade.
T: Para mim, pessoalmente, eu estava trabalhando através de algumas coisas que você pode rotular como insegurança ou múltiplas inseguranças. E para entender melhor essas inseguranças e saber como defendê-las, eu queria dar um nome, um rosto e uma história de fundo. Em última análise, ser capaz de atravessar a mesa e olhar para essa coisa e descobrir como derrotá-la. Essas inseguranças são manifestadas no personagem “Blurryface”. Eu não diria que este álbum é um álbum conceitual, mas há definitivamente um segmento comum em execução através de cada música. E essa discussão não está só no álbum, ela também está lá quando estamos tocando ao vivo e no final, há algo como uma vitória. Não como nossa banda bate a outra banda, é uma vitória dentro de nós mesmos e é algo que as pessoas realmente podem se identificar. Não há nenhuma razão para criar música se você não está tentando dizer algo que as pessoas possam usar ou se identificar ou entender. Essa é a história rápida por trás do que esse álbum representa e vai muito mais profundo que isso, obviamente.

E: Então você é um pouco socialmente assustado da vida ou do fato de viver?
T: Junto com um monte de gente da nossa idade, eu acho que nós temos um monte de grandes perguntas como “qual é o ponto?”, “por que estou aqui?”. Esses tipos de perguntas, quanto mais velho você fica, mais você quer parar de se perguntar. Nós tivemos sorte o suficiente para usar música para continuarmos a nos perguntar essas questões e às vezes, as respostas são assustadoras como “eu não sei”. E quando você responde essa pergunta com “eu não sei”, isso te faz questionar mais um monte de coisas. Portanto, música sempre vai ser uma espécie de diário e quando você vê por dentro disso, você me verá respondendo àquela pergunta “eu não sei”, mas ao mesmo tempo nós não queremos criar algo sem esperança. Vai haver uma chance, um vislumbre de esperança no final. Isso é algo de que precisamos ter cuidado.

E: No final, podemos dizer que este álbum é um pouco de orientação, certo?
T: Bem… Para mim, com certeza! Mas para outras pessoas que pensam isso, é uma honra porque nós fomos ajudados e orientados por tantas músicas diferentes. Para mim, esse álbum está falando sobre o que você acredita, o que você odeia, o que você odeia em si mesmo e é difícil falar sobre essas coisas às vezes. A melhor maneira de fazer isso, para mim, foi colocando isso em um álbum. Quanto mais profundo você está fazendo perguntas sobre isso, mais você começa a se sentir desconfortável. Honestamente, eu poderia escrever um livro sobre cada música mas eu simplesmente não quero estar por perto quando você lê-lo.

E: A música não dá segurança a vocês através dos shows ao vivo?
T: As respostas a estas perguntas não serão encontradas em sucesso. Se nós estamos tentando preencher um espaço vazio com sucesso, fama ou dinheiro, isso não vai funcionar. Todos nós sabemos disso. Eu não sei sobre você mas Josh e eu, nós nos conhecemos bem o bastante e conversamos sobre o que pensamos que pode preencher esse vazio no momento. Mas nós nunca vamos dizer às pessoas: “ei, é assim que você tem que preencher o seu vazio” porque isso é algo que funciona para nós. Isso está realmente falando sobre tentar descobrir o que é aquilo. É muito pesado e eu estou apenas contente que podemos tocar música.

E: Todos os singles. “Fairly Local”, “Tear In My Heart” e “Stressed Out” foram lançados com um vídeo há um pouco mais de um mês. Qual foi sua estratégia e vocês acham que o vídeo é uma boa ferramenta para descobrir e entender sua música?
J: Definitivamente. Nós sempre pensamos que vídeos são importantes, desde que éramos crianças. Nós íamos para o cinema com nossos pais e víamos alguma coisa que está se movendo a partir disso e há algo se movendo dentro de você. Não é apenas uma ótima forma de entretenimento, é também normalmente inspirador. Antes da nossa viagem a Paris, estávamos assistindo filmes então você sabe, há algo sobre essa mídia. Ao conectar um vídeo, algo que pode estimulá-lo desse jeito, com áudio, algo incrível pode acontecer, então queríamos ter a maior quantidade de vídeos possível. Nós ainda estamos trabalhando em algumas coisas agora.
T: Nós temos um novo vídeo que não lançamos ainda (Ele estava se referindo ao vídeo de Lane Boy) O cara que faz nossos vídeos foi meu colega de quarto por um longo tempo e mora nos Estados Unidos. Nossa equipe é apenas um monte de caras que se conhecem há muito tempo com Josh e eu, obviamente nosso gerente de turnê e todos os nossos amigos. É um grupo legal de pessoas.

E: Nestes vídeos, além das máscaras clássicas, Tyler aparece com uma pintura preta em seu corpo. Vocês podem nos explicar essa evolução? É uma metáfora que expressa um desejo de desaparecer ou mais como uma busca de identidade?
T: Vou voltar a este personagem, “Blurryface”. Ele representa insegurança e quando eu penso sobre insegurança, eu penso sobre duas coisas. Primeira coisa, a insegurança de subir ao palco, estando na frente do público e se sentindo exposto: você vai sentir como se estivesse sufocando, como se não pudesse respirar. Por isso o pescoço, para mim, é uma importante parte de manifestação do personagem. A outra coisa é que estou criando música com minha mãos, como um artista. Quando tenho que mostrar-lhe esta obra de arte, é como “o que você vai pensar?” “eu sou mesmo bom?”… você vê o que quero dizer. As coisas que estou criando com minhas mãos e a sensação de sufocar são duas formas de manisfestar esse personagem em mim mesmo, como uma luta interna.

E: Além do folk clássico e músicas pop como “Not Today” e “We Don’t Believe What’s On TV”, a maioria das músicas de “Blurryface” parecem mais agressivas e híbridas do que as mais antigas, com mais sintetizadores, sons mais selvagens e toques de eletro. Uma intenção de não repetir a si mesmo ou tentar diferentes ferramentas para reinventar sua imagem?
T: Não estamos tentando reinventar algo, apenas sentimos a necessidade de tentar coisas novas. Nós queríamos fazer um álbum que fosse o mais louco possível, que não fizesse sentido. É só realmente um monte de músicas que amamos. Nós queríamos fazer um álbum que nossas versões mais jovens gostariam de comprar ou de fazer parte.

E: A principal coisa a dizer é que não parece um álbum bagunçado porque tudo parece estar ligado…
T: Obrigado! Esse é um dos maiores elogios que podemos obter porque quando você escreve cada uma dessas músicas individualmente, você tenta colocar todas as coisas em um vácuo e dizer “será que isso faz algum sentido?”. Assim, o fato de que você pode dizer que há um fio comum percorrendo todas ela é a coisa.

E: Para terminar, nosso site é chamado “RockUrLife”, então o que “balança” suas vidas?
J: Boa pergunta. Eu não sei…
T: Eu me altero todos os dias entre música ao vivo e escrever música. Essas duas coisas. Nunca é as duas porque eu não seria capaz de lidar com as duas. Quando eu quero fazer essas coisas, é quando eu sinto como estou fazendo o que fui criado para fazer.
J: Oh, tão clichê mas eu diria aventura. Os processos de composição e gravação são apenas duas coisas loucas mas levar isso para a estrada, em uma cidade nova a cada dia diferente é incrível. Conhecer pessoas diferentes, ver locais diferentes, diferentes culturas e como as pessoas podem reagir a música ao vivo… Eu penso sobre isso às vezes, sobre como nossa agenda é maluca. Nós nunca realmente permanecemos em um lugar por muito tempo mas se ficássemos, eu provavelmente enlouqueceria. Então eu acho que nossas vidas é um tipo de aventura em diferentes aspectos.

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