Entrevista a Flazéda Magazine: “Nós estamos muito felizes.”

A passagem de twenty one pilots pela Europa antes do lançamento oficial do Blurryface realmente rendeu várias entrevistas. A Flazéda, uma revista digital britânica, recentemente publicou uma matéria que descreve como é agradável conversar com Tyler e Josh.

No bate-papo, os garotos contaram como gostam de tocar ao vivo e como o apoio dos fãs é importante. E agora, com a confirmação de que a banda tocará no Lollapalooza Brasil, já dá um frio no barriga de imaginar o que eles vão dizer quando conhecerem o público daqui. Com o texto original escrito por Dean Eastmond, confira a tradução feita pela Mutant Kids BR:

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Em um ônibus de turnê um tanto pretensioso, eu sento opostamente a Tyler Joseph e Josh Dun, o par que compõe twenty one pilots. Nosso encontro acontece poucos dias antes de seu terceiro álbum ser lançado; Blurryface.

Tentando definir o que a dupla de norte-americanos autodidatas faz resultará em concussão, mas o ato, meio-rap-meio-eletrônico-meio-indie-meio-pop-meio-algo-completamente-indefinível, está de volta e maior do que nunca, de acordo com o álbum extremamente bem sucedido.

Vendo os dois em frente a mim na mesa, é incrível o quanto um cover de “Jar of Hearts”, da Christina Perri, pode te levar longe.

“É bom estar de volta ao Reino Unido,” Josh começa.

“Nós tocamos alguns shows nos últimos dias e tem sido bom para nós, porque não tocávamos por um tempo. Nós estamos nesta fase estranha logo após de gravar nosso novo álbum. Nós estamos prontos para tocar.”

Plateias parecem amar Tyler e Josh, sabendo cada música de dentro para fora.

“As plateias são muito semelhantes quando você viaja pelo mundo e toca música”, Tyler explica.

“A coisa surpreendente é como todo mundo reage da mesma forma, independente do idioma ou do lugar. Essa é a coisa principal que eu tiro dessa experiência. Cada plateia tem seu próprio pequeno capricho. Eles gostam de cantar suas próprias coisas. Nos Estados Unidos, temos que incentivá-los um pouco mais do que aqui. Cada território tem um canto diferente e eu adoro isso.”

Para aqueles teatralmente conscientes entre nós, você vai perceber que a banda fez seu nome em referência a “All My Sons”, de Arthur Miller. Tyler explica que quando ele estava na faculdade, “vocês chamam de universidade aqui”, ele estava estudando a peça durante um período de indecisão entre estudar ou começar uma banda.

“O que twenty one pilots significa naquela peça pode ser aplicado a tudo em sua vida. Tem a maneira certa e a maneira errada para tudo e, às vezes, a maneira certa leva mais tempo e você ganha cicatrizes, então isso é o que realmente queremos fazer como uma banda e saímos em turnê no nosso próprio estado [naquela época], mantendo-nos locais”, nos perguntamos se isso foi uma referência à o primeiro single do seu mais novo álbum, Blurryface, “e orgânicos.”

De começos humildes até tomar palcos mundo afora e apoiando Fall Out Boy com MS MR, Josh explica a importância dos shows ao vivo para o duo.

“Nós dois especulamos, eu não sei como realmente provar isso, a razão de estarmos onde estamos agora é por causa das pessoas que se agarram aos nossos shows e comparecerão,” ele me diz.

“A maneira como falamos sobre isso é que as pessoas compartilham suas experiências com a nossa banda e nossas performances e essa é a maior forma de marketing para nós. O fato que estivemos na estrada durante os últimos três anos a quatro anos nos ajudoua desenvolver essa conexão com o público e a conexão deles com a música.”

“Todo mundo responde a música de um jeito diferente. Eu poderia escutar a mesma música que você e ter um pensamento diferente sobre isso. Isso é o legal sobre a música, para todos que se reunem em um ambiente ao vivo onde todos têm essas ideias, pensamentos e emoções sobre a nossa música, é uma coisa especial.”

“Estas são as pessoas que ouviram a mesma música e chegaram aqui por certas canções. Shows ao vivo são algo especial, seja você um espectador curtindo tudo isso ou no palco.”

Uma noite com Tyler e Josh é uma noite inesquecível e bastante úmida. Espere suor fisicamente salpicando da bateria enquanto a dupla surfa pela plateia durante a última música. Cada música é tocada com total confiança e caráter.

Nós perguntamos ao Tyler qual sua música favorita para tocar é:

“Erm”, ele começa seguido por uma pausa entre todos nós, “nós temos várias novas músicas e quando tocamos uma música chamada Stressed Out sentimos que ela está se tornando uma de nossas favoritas para tocar ao vivo.”

“Para mim, ao vivo, pode mudar agora porque há músicas novas saindo, mas sempre foi uma música chamada Trees,” Josh complementa.

“Quando nós dois entramos no palco pela primeira vez na noite e entramos nessa mentalidade de performar e tocar um bom show, Trees geralmente é uma das últimas músicas que tocamos e a esse ponto nós já estamos exaustos. Essa música eu toco pra mim mesmo, é a única em que faço isso, e é refescante e faz parecer que o show está começando.”

“Não tem uma música que eu não goste de tocar, é como escolher um fiilho favorito. Eu provavelmente vou ter um filho favorito, um dia, talvez.” Josh brinca.

“Quantas crianças?” Tyler pergunta instantaneamente. A ligação entre os dois é tão sincera e cheia de diversão. Observar a amizade tão bonita e dinâmica entre os dois é ainda mais encantador pessoalmente.

“Provavelmente dez, não sei”, Josh responde quase que na mesma hora. “Quero ter uma garota primeiro. Eu a chamaria de Maple* ou algo do tipo.”

(*Maple em inglês é o nome dado para árvores com folhas marrons durante do outono.)

A setlist dessa tour em específico, a Blurryface Tour, está colocando novas faixas do duo à prova. O que surpreende é que os fãs parecem já saber cada sílaba de cada rap, duas semanas antes das músicas terem sido lançadas. Os fãs de twenty one pilots são algo a mais, armados com suas balaclavas, cobertos de produtos da banda e geralmente encharcados de suor pelo tanto que pulam.

“Eu acho que ao vivo é como eles aproveitam mais. É a nossa área principal para colher informações sobre as músicas. Nós tentamos não focar muito no que as pessoas dizem online”, Tyler explica enquanto Josh murmura o quanto ele gosta deles.

“Era isso que me preocupava, garantir que Josh gostaria deles”, Tyler ri.

O duo compartilha muitas mensagens em suas letras sobre a psique humana e, às vezes, doenças mentais. É admirável como eles dois são abertos quanto a isso e o quanto os fãs se identificam com as letras. Tyler explica como as letras são importantes.

“Ultimamente o que nós fazemos no palco está visualmente manifestando o que a música está dizendo.”

“Saber que algumas pessoas se movem com você e com os versos de suas músicas é um momento que eu amo viver de novo e de novo. Quando as pessoas estão se movendo e cantando com você ao vivo, você percebe como é importante ter a força para falar sobre as coisas que nós falamos. Você se preocupa e imagina o que as pessoas vão pensar, mas nós temos uma resposta muito positiva quando ouvimos eles dizerem que nos entendem.”

Recentemente casado, Tyler Joseph explica que a vida de casado é “legal”, e logo em seguida coloca o braço em volta de Josh.

“Nós estamos muito felizes.”

Anteriormente descrito como “schizo-pop”, o som da banda não apenas é desafiador, mas também confronta o que não se faz em música e faz isso soar de uma maneira incrível. A dupla explica como é difícil taxar o que eles fazem.

“Nós estamos quebrando isso na cultura da música, mas há um senso de gêneros e classificação do que você toca e isso é duro. Eu penso por nós, nós começamos escrevendo e tocando o que nós realmente gostamos e tudo acaba se confundindo no caminho. Eu gosto de ouvir as interpretações das pessoas.”

Tyler diz que ele explica suas músicas quando as toca ao vivo.

“Há pianos, baterias e bastante correria.”

Blurryface já está à venda também no Brasil.

Livraria Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/blurryface-42965789

Saraiva: http://www.saraiva.com.br/twenty-one-pilots-blurryface-8956255.html

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