Josh Dun fala sobre começos humildes, bater recordes e o sucesso monstruoso da banda

Em entrevista por telefone para a Music Radar no final de julho, Josh Dun contou como se apaixonou por tocar bateria, a história de como conheceu e começou a tocar com Tyler Joseph, a ascensão do twenty one pilots e sua fã base e muito mais. Confira:

Tradução: Laura Trigo
Revisão: Kaline Linhares


Caso você tivesse alguma dúvida do itinerante mundo de Josh Dun, nós rapidamente aprendemos sobre a rotina disputada do baterista do twenty one pilots quando nos avisaram que nossa entrevista por telefone seria atrasada já que ele ainda não conseguiu passar pela segurança do aeroporto.

Um artista que tem que lidar com entrevistas no momento em que desce de um avião para a última etapa da sua turnê mundial (nesse caso, Josh acabou de aterrissar para o lote de shows canadenses da banda) é admirável, mas também demonstra o turbilhão de coisas com que o baterista tem que lidar.

Desde que juntou forças com o vocalista da banda, Tyler Joseph, em 2011, Dun teve uma ascensão rápida, culminando no segundo álbum de estúdio da banda, Blurryface, de 2015, vendendo mais ou menos três quartos de 1 milhão de unidades em menos de um ano. Stressed Out, o viciante terceiro single do álbum, foi escutado no Spotify 250 milhões de vezes (e contando), e enquanto isso pode não traduzir a quantia de dinheiro que você pode pensar inicialmente, é justo dizer que a banda está fazendo algo certo.

Para Josh, a jornada de adoração ao redor do mundo que ele está experimentando agora começou com, hum… o trompete.

“Eu não sei na verdade o que o trompete tinha que eu amava tanto, mas a igreja para a qual eu ia com os meus pais quando estava crescendo tinha como tradição uma orquestra com instrumentos de sopro de metal,” ele diz. “Por alguma razão eu sempre fui muito atraído pelo trompete”.

O avô de Josh, um amador de Jazz, levava ele para shows quando os grandes nomes do gênero iam para a cidade deles, deixando o pequeno presenciar algumas performances incríveis. Inspirado, Josh escolheu aulas de trompete na escola mas, pensando nisso, ele admite que todo o processo rígido de aprendizagem o deixou frio.

“Eu toquei trompete por três ou quatro anos e fiquei bom nisso, mas eu nunca fui muito bom”, ele admite.

“Eu comecei a ler partituras e perto do fim do meu tempo tocando trompete eu percebi que tudo que eu conseguia fazer era ler notas em uma folha de papel. Não tinha nada realmente especial nisso para mim. Eu aprendi um jeito específico de tocar e não sabia como pegar isso e ser criativo para criar minhas próprias músicas porque tudo que eu tinha aprendido era como ler as partituras e tocá-las.”

É aqui que a bateria entra em cena. Procurando por um instrumento que ele pusesse aprender a tocar sozinho, Josh voltou sua atenção ao kit.

“Eu fiquei muito interessado na bateria e acho que foi muito importante para mim que eu aprendi a tocar sozinho porque percebi que, tendo outra pessoa me ensinando, na época, era como se me proibissem de ser criativo”, ele explica.

“Eu queria fazer isso sozinho e queria definir meu próprio estilo. Eu queria chegar em um lugar onde pudesse criar meu próprio jeito de tocar sem ter alguém me dizendo qual era o jeito certo e qual era o jeito errado de tocar o instrumento.”

A maneira que Josh começou o ensino foi devorando vídeo após vídeo de bateristas muito bons, estudando e prestando atenção em cada batida.

“Eu deitava na minha cama toda noite com baquetas e batia nos meus joelhos tentando entender o que eles estavam fazendo, tipo, ‘Ok, agora eles estão batendo no prato, agora no tambor, agora no outro prato.’ Eu dissecava tudo que assistia e ouvia.

“Todo dia eu ia à loja de instrumentos local tocar a bateria eletrônica deles até um dos funcionários chegar pra mim e dizer ‘Ei, nós temos pessoas aqui que realmente querem comprar alguma coisa então você tem que ir’. Eu fiz isso por mais ou menos um ano e é essencialmente como aprendi a tocar algumas batidas básicas.”

Com as batidas básicas aprendidas, Josh formou uma banda e, sem que ele soubesse, seu futuro colega de banda já sabia quem ele era.

“Eu conheci o Tyler provavelmente no começo de 2010. Eu estava tocando em uma banda local e ele estava tocando com outros caras. Nós fomos apresentados por um dos caras que tocava com ele. Eles estavam tocando num show com um amigo meu e eu fui assistir. Instantaneamente eu senti uma conexão musical antes mesmo de eu falar com ele. Eu senti isso apenas vendo como ele usa a música e como ele a interpreta. Isso pareceu bem familiar ao jeito como eu via a música. Aquilo era bem legal. Eu me apresentei depois do show e ele já sabia quem eu era porque ele estava acompanhando o que eu estava fazendo e disse que nós deveríamos sair.”

A dupla rapidamente desenvolveu uma forte amizade e o parentesco musical deles era evidente desde o começo.

“Alguns dias depois nós estávamos saindo e ficamos acordados até oito ou nove da manhã apenas falando sobre nossos sonhos, objetivos musicais e nossas visões pessoais. Esse tipo de coisa pode ser muito vulnerável para se falar sobre, especialmente se você tem grandes sonhos e está dividindo eles com alguém que você acabou de conhecer. Nós dois fomos bem abertos sobre essas coisas e daí em diante sabíamos que queríamos tocar música juntos. Naquela época nós estávamos em outros projetos então fomos apenas amigos por mais ou menos um ano sem tocar música juntos.”

No começo de 2011, Tyler estava procurando por um novo colaborador musical depois de seus ex-companheiros de banda, Nick Thomas e Chris Salih, terem deixado o twenty one pilots. O multi-instrumentista ligou para o seu amigo Josh e o baterista estava mais do que disposto a aceitar.

“Eu me lembro de ter pensado que aquele era um cara com quem eu saia todo dia e que nós tínhamos falado sobre a ideia de tocar juntos. Quando finalmente chegou esse momento eu estava meio ‘Ai meu deus, sim! Vamos fazer isso, vai ser incrível.”

Enquanto a semente de uma banda de recordes de vendas tinha acabado de ser plantada, Josh e Tyler estavam inicialmente contidos com suas expectativas. Enquanto a dupla estava com a criatividade fluindo de todos os poros, eles estavam cientes de que as riquezas não viriam com pressa.

Josh ri, “de um ponto de vista financeiro, no início nós não tínhamos dinheiro nenhum. O objetivo era eventualmente ganhar um pouco de dinheiro, mas naquele ponto só queríamos não perder nenhum dinheiro.”

A banda deu os primeiros passos entrando num caminho familiar e confiável: entrando numa van e indo estrada a dentro. Os dois trabalhavam durante a semana para cobrir os custos de vida e para que fosse possível tocar sexta-feira, sábado e domingo à noite. Mas, enquanto outras bandas viajavam o país inteiro, Tyler e Josh tiveram uma abordagem diferente.

“Nós ficávamos na nossa área porque várias banda tinham músicas e saiam em turnê. Eles viajavam o país todo, desperdiçando dinheiro porque você precisava pagar gasolina e hotéis para receber quase nada como pagamento e tocar para quase ninguém.”

Em retrospectiva, a abordagem lenta e constante da banda foi um movimento astuto. Permanecendo na área deles, eles puderam ter certeza que teriam amigos e família em todos os shows, certo? De novo, esse não foi bem o jeito que Tyler e Josh viram isso.

“Nós não promovíamos muito nossos show, nunca colocávamos no Facebook ou tuitávamos sobre eles. O motivo é que tínhamos uma ideia muito específica de como nós queríamos que nossos shows fossem para os nossos fãs. A última coisa que queríamos era nossos novos fãs dirigindo uma hora e meia para uma performance que, honestamente, não ia ser muito boa. Muitas vezes tocamos para um público entre 15 e 50 pessoas, mas o objetivo era tocar para pessoas que nunca tinham nos visto e conquistá-las. Fizemos isso todo final de semana ao longo de oito ou nove meses.”

De novo, isso provou ser um golpe de mestre. Invés de tocar para amigos, conhecidos, tias, tios e animais de estimação, Josh e Tyler foram capazes de construir uma base de fãs sozinhos com trabalho duro. Quando eles finalmente convidaram família e amigos para um show na cidade natal deles, Columbus, o resultado foi impressionante.

“Esse foi o show que decidimos divulgar no Facebook”, diz Josh. “Todos nós já estivemos no Facebook e tivemos dezenas de convites para eventos, você vai receber mensagens de bandas dizendo, ‘Ei, venha ao nosso show em um lugar que fica a estados de distância de onde você mora’. Você não vai viajar estados de distância de onde você mora só para se livrar de notificações de uma banda que faz isso. Nunca fizemos isso. Finalmente fizemos um show que surpreendeu todo mundo e isso teve um impacto maior. No dia do show um amigo ligou para nós no começo da tarde dizendo que ele estava tentando comprar ingressos mas estavam esgotados. Eu fiquei meio ‘Não, isso não deve estar certo, eu vou ligar pra eles e ter certeza de que está tudo bem’. Eu liguei para a casa de shows e eles me disseram que estava esgotado e eles podiam disponibilizar mais 400 ingressos mas esse seria o limite por causa dos códigos de segurança dos bombeiros. Nós fizemos isso e mais tarde naquele dia eles venderam todos os 400 ingressos, então nós tínhamos vendido 1500 ingressos para o nosso show… Esse ainda é um dos dias mais memoráveis da minha vida.”

Isso acabou se tornando só o começo de uma sucessão de momentos memoráveis para Josh. Dentro de uma semana depois do show, a banda foi inundada por ligações de gravadoras tentando fazê-los voar para Nova York ou Los Angeles para assinar um acordo. Eles eventualmente assinaram com a renomada gravadora punk Fueled By Ramen, da Warner distribuída pela Atlantic Records e co-fundada pelo baterista da banda Less Than Jake, Vinnie Fiorello. Um ano depois eles lançaram o primeiro álbum com a gravadora, Vessel.

Faixas como o hip hop lo-fi Car Radio e Guns For Hands ajudaram o álbum a atingir os charts mundiais. O álbum, e seu sucessor de 2015, Blurryface, são cheios de reviravoltas percussivas, quase uma necessidade, dadas as ondas instrumentais abordadas por Tyler.

Enquanto o seu pensamento inicial de uma banda com duas pessoas pode envolver batidas entrelaçando com uma guitarra ou linhas de baixo, Josh tece suas batidas criadas e acompanhadas pelos vocais de Tyler, guitarra, piano, eletrônica e Deus sabe lá mais o que eles tocam nessas faixas cheias de camadas.

Isso pode representar um malabarismo complicado para alguns, mas Josh calcula que a chave é sempre manter em mente as apresentações ao vivo quando compondo uma batida para fazer um backup desses sons musicais.

“Desde o começo, enquanto escrevemos sempre olhamos para música de uma perspectiva mais ao vivo”, diz Josh sobre como criam material novo.

“Enquanto sentamos para trabalhar numa musica, já estamos imaginando como vai ser tocá-la no palco e como vai soar pra alguém que está no meio do público. Nós achamos que talvez possamos fazer essa parte mais comprida para que possamos andar pelo palco e fazer algo com a plateia nesse momento.

“Sempre olhamos a composição dessa forma. Desde o começo de tudo, a única forma que conhecemos de causar um impacto que faça sentido é fazer um grande show e fazer as coisas de forma um pouco diferente do que as pessoas estão acostumadas.”

Você não pode deixar de notar que há sempre a presença de música eletrônica no palco do twenty one pilots, quer seja em acordes, samples ou no pad eletrônico acoplado à bateria do Josh.

“Eu penso que agora estamos em uma cultura e uma época onde, musicalmente, bateria eletrônica está tão presente em todos os tipos de musica, mesmo no rock”, ele diz.

“Samples eletrônicos são muito usados, especialmente no hip hop, quase exclusivamente em termos de bateria. Estar ciente disso no estúdio vai te ajudar a pensar se a musica pede um sample ou um kit eletrônico e às vezes vai ficar melhor do que a própria bateria em uma musica.

“Eu tenho implementado algumas mixagens eletrônicas dentro do meu kit acústico ao vivo. Eu tenho o pad Roland SPD-SX. Quase todos os bateristas usam esse, então eu queria separar a bateria um pouquinho para que eu pudesse fazer algo que fosse um pouco mais agradável de assistir. Eu tenho três pads Yamaha, um na minha esquerda e dois na minha direita.”

­Mas não se engane achando que o Josh está acionando todo tipo de faixa para que ele possa apenas levantar os pés, cruzar os braços e relaxar no fundo do palco.

“Uma das coisas que eu odeio é quando estou assistindo um show e tem batidas eletrônicas ou baterias tocando no fundo mas não tem ninguém tocando isso. Eu tento ter certeza de que sempre que tem uma bateria acontecendo na música, sou eu quem está tocando ela de alguma maneira. Isso pode ser substituindo os sons eletrônicos de estúdio com sons acústicos ao vivo ou apenas tocando samples nos pads que eu tenho. Só quero ter certeza de que estou tocando isso ou acionando cada som que você ouve durante o show.”

Graças, em grande parte, as suas performances ao vivo habilmente afiadas e aos dois discos cheios de melodias incríveis, Josh e Tyler têm experimentado um sucesso impressionante nos últimos dois anos. Os grandes hits Stressed Out e Car Radio trouxeram um exército de fãs para a banda, mas músicas com várias misturas de sons e estilos como Heavydirtysoul, Lane Boy e Ride garantiram o lugar da banda como inovadores e modernos superstars.

Qualquer banda que possa atingir, estilisticamente falando, desde o Eminem das antigas até Empire of the Sun, tudo em uma única música, merece aplausos, e é exatamente isso que o twenty one pilots tem conseguido fazer. Hoje, Josh reflete que enquanto o sucesso repentino da banda veio de vários anos de trabalho duro, eles têm desfrutado de um crescimento surpreendente, que deixa eles em um turbilhão de conversas logo depois de descerem de um avião Transatlântico.

“Durante o processo, Tyler e eu não sentimos que aconteceu rapidamente. Nós trabalhamos muito por alguns anos para tentar construir isso. Tocamos em vários shows onde apenas duas pessoas apareceram. Tocamos para trinta pessoas e nós mesmo carregávamos minha bateria subindo lances de escadas para nos apresentar para quase ninguém.

“Olhando para trás agora nesse grande esquema, tudo isso realmente aconteceu rapidamente. Tocamos em shows onde as pessoas realmente se conectaram com as músicas e construímos uma base de fãs com as nossas apresentações ao vivo.”

A medida que nosso tempo no telefone com Josh chega ao fim, nós perguntamos por que ele acha que sua banda se conectou com tantas pessoas e isso traz de volta aqueles primeiros shows em que eles estavam construindo uma base de fãs, uma pessoa de cada vez. Acontece que o truque para se tornar a banda do momento é por meio de muito trabalho duro, quem poderia adivinhar?

“Eu acho que o marketing mais poderoso é quando uma pessoa começa a falar sobre uma banda que ela ama, você ficaria mais curioso para conhecer essa banda do que se você visse eles numa Billboard. Foi isso que aconteceu com a gente, as pessoas compartilharam nossas músicas e acreditaram nisso, foi assim que crescemos.

“Quando o Blurryface foi lançado, o que não foi tanto tempo depois de termos começado tudo isso, mas na época já havia pessoas o suficiente interessadas na gente para que fosse possível para nós fazermos barulho. Tem sido uma coisa tipo bola de neve desde então. É uma loucura ver onde isso está agora, mas é bem legal e é um testemunho de pessoas compartilhando a música.”


Entrevista de 2011 em que Josh e Tyler explicam como se conheceram e como o Josh entrou para a banda:

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