twenty one pilots na Kerrang! Magazine: A Entrevista Perdida

A edição 1645 da Kerrang! desenterrou uma entrevista de junho de 2015: uma lembrança do tempo em que twenty one pilots se posicionou hesitante à beira de adentrar o sucesso ou uma obscuridade terminal.

twenty one pilots: A Entrevista Perdida. Scans da revista na nossa galeria.

Escrito por Mark Sutherland
Tradução pela Equipe MKBR

18 meses atrás, conversamos com twenty one pilots logo quando eles atingiram o topo das paradas. Do fundo dos cofres da K!, aqui está a entrevista perdida nos levando de volta ao começo desta jornada.

twenty one pilots termina 2016 no topo do mundo, sem dúvidas como a maior história de sucesso na música alternativa nos últimos 18 meses. Seu álbum “Blurryface”, lançado em maio de 2015, continuou em venda constante, se tornando platina dupla em seu país de origem, e enviando mais de 200.000 cópias aqui para o Reino Unido. Ainda mais impressionante, eles aparentemente se tornaram o único grupo de rock capaz de ter singles de sucesso nessa era dominada pelo pop, com “Heathens”, sua música da trilha sonora de Esquadrão Suicida, seguindo “Stressed Out” para os topos das paradas ao redor do mundo.

Suas conquistas nos circuitos ao vivo têm sido ainda mais incríveis. Não satisfeitos em tocar o set mais comentado (e mais seguido) do Reading & Leeds, sua turnê de fevereiro os viu destruir arenas de show por todo o Reino Unido, incluindo dois shows em Londres, com capacidade para 5.000 pessoas na O2 Academy Brixton. E nesse fim de semana, Tyler Joseph e Josh Dun estão prestes a completar seus maiores shows no Reino Unido até o momento, com duas noites esgotadas no cavernoso Palace Alexandra, em Londres, destinadas a concretizar vossas memoráveis subidas ao topo.

Mas se eles passaram o ano fazendo esse lance de estrelato do rock parecer fácil, não foi sempre assim. Tyler e Josh passaram anos trabalhando duro e tentando serem notados em Columbus, Ohio, antes das oportunidades aparecerem. Mesmo quando “Blurryface” foi lançado, 18 meses atrás, seu sucesso não parecia nada com as enterradas que Tyler costumava fazer com excelência durante seus dias de basquete universitário. 

Essa, no fim das contas, é uma banda que quebrou os moldes: misturando gêneros, fatiando alteregos de inseguranças com atitudes desafiadoras no palco, e de forma geral quebrando todas as regras onde o rock supostamente opera em 2016.

Agora, a Kerrang! desenterrou uma entrevista de 1 de junho de 2015. Originalmente para os nossos amigos da Revista Q, é uma lembrança do tempo em que a banda se posicionou hesitante à beira de adentrar o sucesso ou uma obscuridade terminal. “Blurryface” havia surpreendido a América estourando em primeiro lugar apenas alguns dias antes, mas nós achamos Tyler, em particular, incerto sobre o futuro. Então, vamos voltar para os não-tão-bons velhos tempos…


COMO VOCÊS SE SENTIRAM AO ATINGIR O TOPO DAS PARADAS NOS ESTADOS UNIDOS?

Josh Dun: Nós não sabíamos realmente o que isso significava ou valia. Eu achava tudo bem em ser ignorante no assunto porque só quero tocar minha bateria e não pensar muito sobre o que está acontecendo. Mas ter mais noção do que está realmente acontecendo é mais que um lembrete de que as pessoas estão de fato adentrando e se envolvendo. Essa musica está ressoando com as pessoas. É louco.

Tyler Joseph: É algo importante. Nesse sentido, quero dizer que isso é algo que Josh e eu acreditamos que iria acontecer desde o momento em que nos conhecemos e falamos sobre nossos sonhos e objetivos. Nós temos essa confiança sobre o álbum agora, mas é porque ainda está no início do dia. Assim que começar a anoitecer, eu começo a repensar em tudo sobre minha vida e percebo que esse CD é meio ruim e tudo que eu faço é ruim e não somos nem um pouco bons.

EHH, SÉRIO?

Tj: Eu sou uma pessoa muito dramática. Nesse momento estou muito confiante e acredito que nós estávamos destinados a conseguir. Mas me pergunte em cinco horas e eu diria que não existe razão para atingirmos o primeiro lugar de nada.

QUANDO VOCÊS FALARAM PELA PRIMEIRA VEZ SOBRE SEUS SONHOS PARA A BANDA, SER NÚMERO UM ESTAVA NA LISTA?

TJ: Honestamente, a primeira coisa que conversamos foi sobre shows. Apenas tocar na frente das pessoas. Como uma banda local, isso é o que você está tentando conseguir. Mas o que foi ótimo sobre isso é que o sonho não parou por aí. Então, bem no meio de onde queremos estar. De nenhuma maneira Josh e eu olhamos um para o outro e pensamos ‘Nós temos um disco número um e agora está acabado’. Apenas começou para nós. 

ENTÃO, EXATAMENTE QUAL É O SONHO AGORA?

TJ: É bem difícil se abrir para as pessoas sobre os seus sonhos porque eles são ridículos. É isso que sonhos deveriam ser: sem limites — não deveria ter uma barreira para eles. Por causa disso, você se sente bem exposto quando os compartilha. Eu nem poderia dizer o quão grandes nossos sonhos são nesse momento. Antes, nós estávamos sentados na minha sala de estar falando sobre começar uma banda. Vamos nos encontrar em um quarto de hotel em algum momento e apenas continuar sonhando. Espero que a gente não acorde.

É ESTRANHO SER CONSIDERADO UMA SENSAÇÃO REPENTINA APÓS TRABALHAR DURO POR TODOS ESSES ANOS?

JD: Penso muito sobre isso. Eu vou conhecer uma banda e ter essa sensação que eles apareceram do nada, quando na verdade eu que estou atrasado. Ainda lembramos bem das vezes em que tocamos para duas ou dez pessoas e metade delas não estavam sequer nos assistindo pois estavam vendo o jogo de futebol do outro lado do bar.

“Esse cachorro invisível foi o melhor animal de estimação que Tyler já teve.”

É POR ISSO QUE VOCÊS DESENVOLVERAM SHOWS TÃO ELETRIZANTES?

TJ: Vou lhe dizer o que ajuda: eu nunca estou completamente confortável no palco. Existem bandas que você acompanha por toda a carreira e nota, com o passar do tempo, que eles começam a ficar confortáveis no palco. Eles já estiveram ali, já tocaram aquelas músicas e já ficaram em frente àquela quantidade de pessoas antes. Mas eles não estão lutando contra nada. Eles não precisam tentar conquistar algo. Mas é sempre difícil entrar em frente de milhares de pessoas com apenas dois caras. É sequer certo ter apenas dois caras na banda? Existe muita pressão, mas eu percebi que é o que preciso para seguir em frente. Eu nunca quis que se tornasse como se eu já tivesse estado aqui antes. Eu costumava jogar muito basquete e eles te dizem que, quanto mais você envelhece, o jogo desacelera enquanto você começa a entendê-lo melhor.

ENTÃO NÃO DIFICULTA, AJUDA?

TJ: A maneira que os shows iriam desacelerar seria se Josh e eu adicionássemos membros à banda, ou se tratássemos um show como se fosse apenas um trabalho, ou completássemos as pequenas lacunas entre o que é o twenty one pilots nesse momento — seja isso um membro da banda ou um estilo consistente em nossas músicas. Deixar ‘buracos’ me faz correr em volta do palco ainda mais e tentar conquistar esse sentimento de insegurança.

VOCÊ PODERIA TER IDO À FACULDADE COM BOLSA DE ESTUDOS PELO BASQUETE, MAS A ABANDONOU PARA SE CONCENTRAR NA BANDA. VOCÊ JÁ SE ARREPENDEU POR NÃO TER ACEITADO AQUELA OPORTUNIDADE?

TJ: Eu disse aos meus pais que queria ir atrás da música e eles disseram ‘O que isso significa?’, eu respondi ‘Eu não faço ideia’. Foi ali que a trajetória da minha vida teve uma dura reviravolta. Foi quando eu aprendi como dizer algo numa música. Por um tempo me perguntei se tinha cometido um grande erro na minha vida, mas passei por cima disso.

VOCÊ PODERIA ESTAR NO NBA AGORA…

TJ: [Risos] Eu não sei sobre isso! Um diploma de faculdade nos Estados Unidos é tão caro. Ambos meus pais são professores, então eles não tinham muito dinheiro para me mandar para a escola, o plano sempre foi conseguir uma bolsa de estudos jogando basquete. Então repentinamente, eu puxei um teclado de dentro do armário e interrompi os planos.

EXISTIU ALGUMA DIFICULDADE AO TOCAR COM GRANDES BANDAS DE ROCK COM A SUA ATITUDE?

TJ: Teve um momento em que estávamos abrindo shows para o Fall Out Boy, na turnê Save Rock And Roll, quando percebi que eu estava na frente de milhares de pessoas segurando um pequeno ukulele e isso não era nem um pouco rock n’ roll. Mas quando começamos a tocar com o Paramore e o Fall Out Boy, já tínhamos tocado para centenas de pessoas que não sabiam quem éramos. Nós já conhecíamos a provável primeira impressão. Você não irá chocar as pessoas com a sua composição quando você está aparecendo pela primeira vez em algum lugar. Ninguém irá se virar e dizer ‘Nossa, a estrutura dessa música foi fenomenal’. Você terá que vestir um traje.

MAS VOCÊ NÃO CONSEGUE FAZER ISSO NA VIDA REAL. É SOBRE ISSO QUE O PERSONAGEM BLURRYFACE REALMENTE SE TRATA?

TJ: Sim. O que é ótimo sobre esse álbum é que é realmente o contexto em que eu estou no momento. Todos nós sabemos que, como indivíduos, temos inseguranças, coisas que não gostamos sobre nós mesmos. Minha autoconsciência começou a dissolver quando comecei a entender como eu estava compensando essas inseguranças. Como eu me compenso por aquela coisa que não gosto em mim mesmo, como mudo minhas ações por causa disso, como isso me controla? Focar em um certo personagem me ajuda como escritor. Blurryface representou muitas dessas inseguranças. No fim, esse cara é alguém que eu preciso derrotar, seja toda noite tocando as músicas no palco ou durante o álbum.

ENTÃO ELE É COMO O OPOSTO DA SASHA FIERCE, ALTER EGO DA BEYONCÉ?

TJ: [Risos] Sim. Eu não sei se Sasha e Blurryface iriam se dar bem — mas aposto que eu e Beyoncé iríamos. Ainda não nos conhecemos. Minha mãe vive me perguntando [se já nos conhecemos], mas ter um álbum número um nos EUA não significa que você irá conhecer a Beyoncé. Não existe um clube onde você conhece todas as pessoas famosas.

DEVEM TER ACONTECIDO ALGUNS MOMENTOS SURREAIS, ENTRETANTO?

JD: Estávamos fazendo um Meet & Greet e uma pessoa se aproximou e disse: ‘Eu preciso agradecer a vocês pelas coisas que fizeram por mim. Eu venho aumentando meu desejo de sair do armário e dizer para minha melhor amiga que eu sou gay. Ela está aqui e estou fazendo isso agora’. Apesar do momento ter sido bem especial e legal, não sabíamos exatamente como facilitar aquela situação. Nós demos um abraço grupal e eles seguiram o dia deles.

VOCÊS ESTÃO PRONTOS PARA MAIS MOMENTOS COMO ESSE CASO VOCÊS SE TORNEM UMA DAS MAIORES BANDAS DE ROCK?

TJ: Eu quero ser maior que todo mundo. Ao mesmo tempo, eu me pergunto se deveria estar tendo esse controle no mundo, mas também tenho que lidar com o fato de que eu não sou o certo para isso, não sou bom o suficiente, não mereço isso.  É algo que não posso resolver. Se a minha carreira acabasse agora, eu poderia olhar para trás e ficar muito feliz sobre o que nós conquistamos. Ter um número um é apenas a cereja do bolo. Poder falar sobre coisas que importam, é sobre isso que tudo se trata. Mas também quero que o mundo inteiro escute o que eu quero dizer.


O álbum Blurryface está à venda no Brasil nas lojas Saraiva, Americanas, Livraria Cultura e Submarino.

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