Interpretação e teorias do vídeo de Heavydirtysoul

Com o lançamento do clipe de Heavydirtysoul, não poderíamos deixar de fazer um especial reunindo nossa interpretação, teorias e curiosidades mais uma vez!

Escrito por Matheus Lopes
Revisado por Kaline Linhares e Pâmela Muniz
Postado em: 04 de fevereiro, 05:49
Última atualização: 05 de fevereiro, 22:30

Ontem, no dia 3 de fevereiro de 2017, twenty one pilots lançou oficialmente o vídeo de Heavydirtysoul no YouTube. Isso só aconteceu depois de alguns enigmas postados por Blurryface no Twitter. Postamos uma matéria sobre isso que foi sendo atualizada à medida que fazíamos novas descobertas até o lançamento do clipe. Você pode ler aqui.

A canção é a primeira faixa do quarto álbum da banda, Blurryface, lançado em 2015. Muitos fãs já estão acostumados com os símbolos da banda e começaram a discutir teorias sobre o significado do clipe. Nessa matéria apresentamos a nossa interpretação, a partir de nossas conversas com alguns fãs nas redes sociais e com ajuda de alguns conceitos de filosofia e psicologia, e reuniremos as principais teorias dos fãs. Nas curiosidades você pode ler fatos interessantes e algumas relações mais loucas do vídeo, por exemplo com as séries The X-Files e Supernatural.

A história da canção é longa, então recomendamos que você faça um alongamento e beba um copo d’água ou pegue um café antes de ler. Dividimos em tópicos para facilitar a leitura. Se você já assistiu aos vídeos, recomendamos assistir de novo durante leitura com a mente aberta.

(Obs.: A matéria está sendo atualizada à medida que recebemos comentários e ideias enviadas por vocês!)

A ligação com Goner

Antes de analisar as cenas do vídeo, precisamos falar sobre a história da canção em si. Em 11 de fevereiro de 2012, muito antes da ascensão da banda, os garotos postaram um vídeo no YouTube chamado Goner com a descrição “Nós fizemos isso na noite passada. É uma nova canção na qual estamos trabalhando chamada ‘Goner'”.

Como todos sabem, Goner é a última faixa do Blurryface, lançado em 2015. O terceiro álbum, Vessel, veio antes, em 2013. Isso já deixa no ar a sugestão de que o conceito de Blurryface já estava se formando quando a primeira versão de Goner foi gravada. Não como o conhecemos hoje, mas de alguma forma. Mais à frente na matéria, você verá que Tyler já declarou que Blurryface surgiu na sua adolescência.

Alguns fatos importantes são:

  1. A versão nova de Goner teve versos adicionados que falam sobre o lado “borrado” bem explicitamente. “Eu tenho duas faces, Blurry é quem eu não sou.” A música foi trabalhada com o propósito de falar sobre o personagem de forma mais direta;
  2. O final da primeira versão de Goner é idêntico ao som de introdução de Heavydirtysoul, que também só veio três anos depois;
  3. No fim do vídeo de Goner, Tyler veste a fantasia de esqueleto, que veio a ser um dos símbolos mais fortes da banda durante a era Vessel e também na era Blurryface, já que Tyler começa os shows vestido com a fantasia cantando Heavydirtysoul. Tudo conectado!

Street Poetry

Em 27 de agosto de 2013, a revista Rock Sound postou um vídeo de MC Tyler recitando alguns versos. Não tínhamos ideia ainda de que ele viria usar os versos em Heavydirtysoul dois anos depois.

Circle (Círculo/Ciclo)

Além disso, esse não é o primeiro vídeo de Heavydirtysoul. No ano passado, o vídeo “Heavydirtysoul (circle)” foi postado no dia 15 de abril. O vídeo começa com alguns segundos do final de uma apresentação da música durante um show e com Tyler caindo. A cena é cortada e vemos o vocalista deitado no chão ao lado de seu amigo Josh (com a mesma fantasia de esqueleto que o vídeo de Goner termina, vale lembrar), pouco antes de se levantar e assumir o palco para começar a cantar.

Durante o vídeo, a câmera captura alguns momentos em que as luzes atrás de Tyler projetam uma sombra no fundo da pista do local do show. Como a banda não costuma dar ênfase a essa sombra, na época comentamos sobre isso poder simbolizar Blurryface, o lado obscuro de Tyler, já que o personagem sempre foi visto como algo sem forma definida e que vive na escuridão. No clipe oficial lançado ontem, como vamos falar, é assim que Blurryface é representado mais uma vez.

O vídeo acaba como começa: com Tyler finalizando a performance e caindo. Quando começaram a sair os primeiros indícios de que um vídeo havia sido gravado (reunimos todas as pistas aqui), no dia 16 de janeiro, falamos sobre isso no Twitter:

“Tudo indica que será lançado um clipe de Heavydirtysoul e provavelmente será o último da era Blurryface. Apesar da música já ter sido utilizada no vídeo “circle” (que representa um ciclo), parece que eles vão encerrar a era com a questão “can you save my heavydirtysoul?”, indicando mais uma vez um ciclo, já que esperávamos a derrota de Blurryface.”

Ou seja, a questão principal é: é possível sair do ciclo? Tyler já tinha dito em entrevistas que Blurryface não é um inimigo que você simplesmente derrota, já que essa é uma batalha constante. A seguir nós vamos analisar o enredo do vídeo e depois vamos elaborar essas questões usando alguns conceitos de fora.

O vídeo oficial de Heavydirtysoul

O vídeo final, assim como o vídeo do ano passado, representa um ciclo. A primeira imagem que vemos quando damos play é a de chamas e fumaça subindo ao som de destroços sendo queimados. Logo depois, a cena é cortada para o que Blurryface nos entregou na madrugada do dia 3: Tyler sentado no banco de trás do carro que é dirigido por alguém em uma estrada. O clipe começa durante o nascer do sol e tanto Tyler quanto Josh aparecem de olhos fechados, como se estivessem despertando.

A letra da canção é vital no entendimento da mensagem. Depois da introdução violenta, Tyler manda os primeiros versos: “Há uma infestação na imaginação da minha mente” e pouco depois “Isso não significa que eu perdi meu sonho, é que agora eu tenho uma mente muito louca para limpar”. O vídeo é uma representação abstrata de um ciclo que se repete na mente de Tyler e a sua tentativa de limpar a sua mente, ou seja, enfrentar o que está causando a infestação. O carro é uma analogia para a sua própria mente (sabe quando dizem que sonhar com uma casa significa que você está sonhando sobre sua própria mente?), enquanto o condutor é o causador da infestação: Blurryface.

Assim que ele finaliza o verso em que ele toma essa decisão, o carro perde uma roda. (Em Migraine ele diz: “Às vezes para ficar vivo você precisa matar a sua mente.”) E aí começa o primeiro momento de tensão: vemos que o carro desgovernado está indo na direção de Josh, que toca bateria no meio da estrada. Se você gritou “Menino sai daí, vai tocar em outro lugar!”, lembre que tudo é uma metáfora. Quando percebe o que está prestes a acontecer, Tyler abruptamente vira o rosto para a direita para não ter que ver Josh sendo atropelado. Nesse momento, o carro segue a mesma direção, desviando do baterista. Tyler olha para trás e percebe que seu amigo está bem e coloca a mão no peito demonstrando alívio. Tyler vai ficando cada vez mais inquieto e o carro perdendo cada vez mais partes. Aqui ele começa a perder o medo. Repare que no começo ele tentava não olhar pela janela e se assustava com as faíscas; agora ele aponta na direção do condutor e não se assusta com as peças maiores voando.

O carro volta a ter Josh em sua mira. Um detalhe discreto: Tyler engole saliva, nervoso, mas dessa vez não vira o rosto. Parece estar tomando o controle da situação. O carro desvia porque ele quer e ele observa o amigo enquanto passa ao seu lado. Outro momento chave acontece nessa parte. A câmera finalmente vira e filma o condutor, mostrando-o apenas de costas e coberto com um casaco com capuz. A face dele é desconhecida para nós. Apenas Tyler tem conhecimento de seu Blurryface, assim como cada um de nós sabe como o nosso Blurryface é. Se você olhar o espelho retrovisor verá Tyler se debatendo.

Josh, no vídeo, representa amizade e música. A banda já falou em diversas entrevistas (inclusive em várias que traduzimos aqui no site), que Josh era um cara que sonhava com música e não tinha plano B. Quando os membros originais do twenty one pilots deixaram a banda por questões pessoais restando apenas Tyler, Josh entrou na banda e garantiu que Tyler não estaria sozinho.

Tyler coloca as mãos na cabeça e logo depois começa a sair fumaça do motor, o “cérebro” do carro. Quando a câmera volta a apontar para o banco do motorista, Blurryface não está mais lá e o carro começa a se destruir de vez: todas as portas e o teto do carro decolam. Ele fica de pé, aliviado, e abre os braços sentindo a liberdade. Por um momento, ele está livre de seu inimigo. O carro volta a andar na direção de Josh pela terceira vez, mas agora Tyler é quem o controla.

A velocidade diminui, ele desvia e coloca o carro em chamas, pulando para se juntar a Josh pouco antes de uma explosão. Os dois continuam performando a música durante a noite e vemos o carro ser consumido pelo fogo. (Em Ode To Sleep ele canta: “Eu vou ficar acordado porque a escuridão não fará prisioneiros hoje à noite” e “Você não vai me deixar? Como atrapalho seus planos, se sou insignificante? Diga a eles que você não tem planos para mim. Eu vou colocar a minha alma em chamas! O que me tornei? Perdão…”)

Quando a música acaba, o ciclo recomeça: o barulho dos destroços, a escuridão e logo depois a mesma cena de Tyler ao amanhecer no banco de trás do carro de olhos fechados, dando a entender que tudo se repetirá indefinidamente. Isso porque, assim como o vídeo anterior, trata-se de um ciclo. Blurryface não pode ser derrotado de vez. Tyler disse em uma entrevista à Kerrang, que postamos aqui em novembro, que Blurryface surgiu na puberdade e vai existir “até que ele esteja enterrado”. Veja um trecho:

Tyler explica que Blurryface não nasceu sob holofotes, mas sim sob os efeitos hormonais da puberdade. Foi nesse momento em que a ansiedade tomou conta do que antes era apenas felicidade. Josh também recorda da época em que tinha 15 anos, quando sua própria versão de Blurryface emergiu – um lado dele que não conseguia organizar seus pensamentos nos devidos lugares.

[…] “Josh e eu já aprendemos muito sobre esse personagem – quem ele é, como podemos derrotá-lo, ou como podemos ajudar um ao outro para derrotá-lo.” […] “Eu acho que esse personagem nunca vai nos deixar permanentemente até que eu seja enterrado.

Isso apenas reforça a ideia de que, no vídeo, Josh e Tyler estão mutualmente se ajudando, dia após dia, a evitar uma tragédia maior. O vídeo não é apenas sobre Tyler, mas sobre Josh também. A Blurryface Tour talvez tenha dado mais destaque aos confrontos internos do vocalista, mas durante os shows da Emotional Roadshow, Josh teve mais espaço para desabafar no palco ao som da bateria. Um exemplo disso é a introdução de Polarize, que legendamos no nosso canal. O vídeo mostra o Blurryface de Josh atacando a sua ansiedade.

Nossas considerações

  • “O clipe representa uma nova era? Eles estavam vestindo cores diferentes do normal!”

Não necessariamente. A escolha por preto e branco pode ter sido puramente estética e uma decisão da direção de arte e fotografia do vídeo. Preto e branco são as cores que representam a dualidade entre o bem e o mal de forma mais direta. Tyler, no vídeo, parece começar totalmente dominado por Blurryface (uma criatura de sombras), enquanto Josh veste branco e tem uma bateria branca, dando luz a ele.

  • “Mas a era acabou?”

O diretor do vídeo, Andrew Donoho (o mesmo que dirigiu o vídeo de Heathens), famoso por postar várias coisas antes da hora “sem querer”, tuitou uma mensagem no Instagram logo depois do lançamento de Heavydirtysoul em que dizia: “Muito animado com esse. Honrado por ter dirigido o vídeo de Heavydirtysoul para @twentyonepilots como a conclusão da era Blurryface. Eles nos deixaram tomar grandes ricos em um vídeo muito importante, e eu não poderia estar mais grato. Muito muito muito obrigado a todos envolvidos. Por favor aproveitem.”

Minutos depois de muitos fãs focarem na parte “conclusão da era Blurryface”, ele retirou esse trecho e escreveu outro: “Editado para os fãs: não tenho ideia se é uma conclusão. Não é minha decisão e eu sei de nada. Escolhi as palavras erradas. ENFIM.”

O que significa, de verdade, o fim de uma era? Faria diferença se o clipe tivesse sido lançado uma semana antes ou depois? A banda tem shows da Emotional Roadshow confirmados na agenda até maio. A turnê atual está promovendo o álbum Blurryface. A era só termina quando acaba (pleonasmo intencional), ou seja, quando o último show acabar e a banda entrar de férias, ou pelo menos concluir os trabalhos de divulgação do álbum. Toda a temática de Blurryface, envolvendo o personagem, o domínio das músicas do quarto álbum nas setlists e lançamento de singles e vídeos ainda está valendo. Ainda não há indícios de que uma nova era (um novo álbum) chegará tão cedo. Em entrevistas recentes, twenty one pilots disse que ainda estava começando a pensar em como seria o quinto álbum. Tyler disse várias vezes que vai escrever canções. Uma revista que os entrevistou no fim de 2016 disse que o material novo só deve chegar em 2018. Então é melhor aproveitar o que resta da era Blurryface e esperar.

  • “Pode existir algum significado mais profundo no vídeo? Eu ouvi Goner de trás pra frente pode falar que eu aguento!!”

Ok, se ajeitem na cadeira, na cama ou no sofá e respirem fundo. Vou compartilhar um pouco com vocês sobre o que vi na universidade e se parecer chato prometo que fica legal e sinistro. Quando se estuda Comunicação, um campo que vemos muito é a Semiótica, o estudo dos signos (nesse caso linguagem, não os signos do zodíaco) e do processo de semiose. Semiose é o processo de significação, ou seja, como um intérprete (você) enxerga significado nos signos (o vídeo) usando o que você tem em mente (o que você já sabe da banda, estudou, ou sente, por exemplo).

A gente aprende que nada se cria, tudo se recria a partir do que a civilização humana carrega. Então se outra pessoa escrevesse essa matéria, ela provavelmente poderia buscar outros significados ocultos ou interpretações. Mas como eu estou escrevendo decidi tentar explicar o vídeo usando dois conceitos que talvez você conheça: a Ouroboros e o mito de Sísifo.

A Ouroboros é uma famosa imagem de uma serpente ou dragão que parece devorar a própria cauda em um círculo. É um símbolo tão antigo que sua história se confunde; já foi encontrada em manuscritos egípcios, indianos, gregos, em livros de alquimia, na mitologia nórdica (Vikings!) e talvez no estúdio de tatuagem mais próximo de você. Ela simboliza um ciclo sem fim de criação e destruição. Soa familiar?

O Mito de Sísifo faz parte da mitologia grega. Diz a lenda que Sísifo enganou a própria Morte: quando ela veio buscá-lo, ele a distraiu com elogios e ofereceu um colar para ela. O colar, na verdade, era uma coleira que deu controle a Sísifo. Quando percebeu que ninguém mais morria, Hades, o deus do submundo, libertou o próprio deus da Morte para buscar Sísifo, que dessa vez inventou uma história e implorou por mais um dia de vida. Durante esse dia que lhe foi concedido, Sísifo fugiu com a mulher e nunca mais foi visto. Até que finalmente morreu de velhice. Chegando ao submundo, foi condenado a um castigo: todos os dias ele deveria carregar uma pedra montanha acima, mas sempre que estivesse perto de concluir sua tarefa a pedra rolaria montanha abaixo e ele deveria recomeçar em um ciclo eterno.

Há alguns anos, o filósofo Albert Camus fez um ensaio com esse mesmo nome (O Mito de Sísifo) e discutiu a lenda comparando-a às nossas vidas hoje em dia, defendendo que devemos continuar lutando pela vida mesmo que ela pareça uma tarefa repetitiva e cansativa. Se você leu nossa matéria 100, a história por trás do nome da banda, talvez lembre que ele e Søren Kierkegaard escreveram sobre “o absurdo”, a busca humana por um propósito vs. a incapacidade humana de encontrar um propósito. (Lembra de Kitchen Sink? “Are you searching for purpose?” / “Você está procurando por um propósito?”)

Para quem se interessa nesses assuntos, recomendamos a pesquisa sobre teoria da comunicação, Umberto Eco, existencialismo, Albert Camus, Søren Kierkegaard e Jean-Paul Sartre. (Somos nerds).

Teorias de fãs

Vamos atualizar esse campo com teorias de fãs que não foram inicialmente discutidas ao longo dos dias. Se você tiver algum comentário ou sugestão fale com a gente pelo Twitter ou Facebook! Colocaremos as suas ideias e creditaremos com seu nome ou user. (Chama mesmo, adoramos conversar sobre a banda).

  • Mais segredos por trás do “X” e do título da música

Beatriz acredita que o título Heavydirtysoul é escrito assim, com as palavras coladas, em referência ao personagem Blurryface, que em suas postagens escrevia as palavras de forma peculiar (“ONEM ORE”, “FRIDAYNIGHT” etc). Como é a faixa que abre o álbum que tem o nome dele e é a que representa o início da batalha, é como se ele mesmo tivesse escrito isso.

Ela também nos lembrou que durante as performances de Heavydirtysoul nos shows, Josh une as baquetas formando um X e olhando em direção à plateia. No dia em que Blurryface postou a foto de Tyler com os X nos olhos, Josh tinha postado uma foto com um X em seus olhos horas antes no Instagram. Isso mostra que a ideia de colocá-los como “alvo” marcando suas fotos não é algo que surgiu agora, é um conceito que twenty one pilots vem construindo há algum tempo.

  • O significado da noite e das árvores

Há alguns dias a Ias Moraes tinha perguntado pra gente no Facebook se tínhamos alguma teoria sobre a metáfora da noite e das árvores que ele usa em tantas músicas. Uma parte do que espondemos: “Ele usa muito a metáfora da noite nas letras desde o primeiro álbum pra representar esse caos mental. Se o dia é luz e a noite é escuridão, a noite geralmente dá essa sensação de medo/desconhecido. Mas ele tenta não encarar isso como algo ruim, e sim como uma oportunidade de conhecer o que lhe faz mal, aceitar e aprender sobre isso pra melhorar. É basicamente o conceito que deu origem ao Blurryface. As músicas são várias. Taxi Cab: estamos dirigindo em direção ao sol da manhã onde o seu sangue será limpo e o que você fez será desfeito; Ode To Sleep: vou ficar acordado porque a escuridão não fará prisioneiros hoje à noite; Message Man: lembre que a manhã chega quando a noite acaba.”

  • Como Tyler afeta Josh

Na nossa interpretação focamos no aspecto positivo das passagens de Tyler por Josh no vídeo, de forma que os dois estão se ajudando. O Guilherme veio conversar com a gente sobre o lado negativo de como o Josh é afetado. Afinal, quando o carro passa pelo baterista na primeira vez, o instrumento começa a pegar fogo, um sinal de perigo. Concordamos que é como quando você está mal e alguém que gosta de você fica preocupado, no mesmo barco, se sentindo mal junto. Para se ajudarem, os dois ficam em perigo, um símbolo de sua amizade e o poder da música.

No nosso post aberto de discussão no grupo do Facebook recebemos muitos comentários. Reunimos os principais aqui:

  • João Henrique desconfia que Blurryface não tirou habilitação pra dirigir porque dirige muito mal. Realmente…
  • A Caroline Fernandes acha que a escolha de cores não foi só estética. Ela reparou que quase todos os objetos no vídeo que tem a cor vermelha estão no carro e todos são queimados. O outro é a bateria, que tem vermelho na logo, e pega fogo no final. Pode ser mais um símbolo sutil da derrota do Blurryface por um dia. (Lembrando que é um ciclo e ele não foi derrotado de vez, pois volta no dia seguinte.)
  • A Maria Clara deu atenção ao fato de que Josh é visto muito com os olhos fechados no vídeo e fora dele, em ensaios fotográficos da banda. Segundo ela, ele pode estar tentando “afastar um pensamento.” Essa ideia também se encaixa no que apresentamos, principalmente quando você pensa nas declarações de Josh sobre sofrer de transtorno de ansiedade.
  • João Victor Rodrigues usou a ideia de que o vídeo se passa na mente de Tyler e relacionou isso com um verso de Trapdoor: “Nada mata um homem mais rápido do que sua própria cabeça.” Blurryface nunca tinha sido visto materializado como em Heavydirtysoul, mostrando que é na mente de Tyler que ele habita. Os conceitos do primeiro álbum realmente parecem acompanhar a banda até hoje em dia.
  • Falando nisso e em repetição, a Amanda Souza lembrou de alguns versos de March To The Sea: “E depois você me coloca de volta no lugar para que eu possa começar outro dia, e mais uma vez eu estarei em uma marcha em direção ao mar.” Essa música também apresenta a ideia de um ciclo que se repete dia após dia.
  • A Beatriz Oliveira acha que o “ONE MORE” tuitado por Blurryface significava mais um vídeo; mais uma tentativa de tentar dominar a mente de Tyler. Como a própria banda falou que isso é sobre aceitar Blurryface e não derrotá-lo, talvez o vídeo simbolize que a batalha será menos intensa do lado de fora (com o fim da era chegando) e voltará a ser algo mais pessoal.
  • Jéssica Sousa reforçou que Josh é uma ameaça ao Blurryface, o que também se encaixa na nossa ideia de que Josh simboliza o poder da amizade e da música que levam Tyler para a luz.
  • Rebeca Hikari ficou chateada porque no clipe não tinha nenhum cachorro correndo atrás de coelhos.
  • Maria Clara Wollenhaupt falou sobre os momentos em que Tyler se retorce todo quando o carro chega perto de Josh, o que mostra uma batalha interna para que o carro não atropele o amigo.
  • A Beatriz Oliveira também notou que o refrão tocava sempre que o carro passava por Josh. Ela escreveu: “Ty fica em pé no carro e gritando ‘can you save my heavydirtysoul’ em direção a Josh, como se quisesse confirmar ‘vc vai aguentar esse fardo comigo mesmo?’. Josh ajuda Ty com a insegurança, ele não vai sumir, Blurryface não vai morrer, mas enquanto Josh estiver ali ele vai conseguir sobreviver a isso.”

Também recebemos muitos tweets com ideias de vocês:

  • Em uma conversa e  falaram sobre o sumiço de Blurryface. No vídeo ficou claro que ele saiu do carro antes da explosão e não morreu, já que voltou no dia seguinte. E daqui pra frente? Tyler continuará usando a tinta preta nos shows da ERS porque a era ainda não acabou, como falamos antes. Depois, quando um novo álbum chegar, essa estética provavelmente mudará. O conceito de Blurryface não morrerá, mas a sua representação provavelmente deixará de ser feita assim.
  • @galaxysdefender disse: “Pra mim: quanto + o Josh toca a bateria, mais o carro se destrói e isso liberta o Tyler. Fazendo com que ele assuma o controle”
  • @monteccino preparou uma teoria também: “Quando vê o Josh, ele pula do carro, a meia que era vermelha fica branca e o carro fica queimando no final da estrada. Ou seja, Blurryface é a depressão, o carro seria a morte e Josh sua salvação. […] Quando Tyler tava no carro com o Blurryface sem ver Josh, ele não ligava para a depressão levando ele para a morte. Mas quando vê Josh, ele nota sua salvação e então Tyler luta para o Blurryface (depressão) não tirar Josh dele (Tyler). […] Quando vê Josh, ele pula do carro, fazendo sua meia ficar branca, que seria a alma dele limpa. Josh salvou ele da morte e da depressão. Mas no final do clipe, volta tudo, Tyler dentro do carro dormindo, seria então um sonho… Sonhando com sua salvação.”
  • @marcosmz8 reparou que o carro começou a quebrar quando Josh começou a bater na bateria no minuto 2:06.
  • @eritonbitencou1 acredita que Blurryface voltará a aparecer nos próximos álbuns com outras formas. Concordamos, já que ele não se foi. E também porque ele já tinha aparecido antes, como nas músicas que falamos. A voz distorcida e dizendo que a banda “não conseguiria tocar na rádio” também já tinha aparecido em Screen antes de aparecer em Fairly Local.
  • A Joyce reparou que quando a câmera mostra o carro por fora a janela está limpa e sem danos, mas quando mostrado por dentro a janela está suja e destruída. Mais uma forma de simbolizar que essa é uma batalha interna, mesmo que por fora pareça estar tudo bem.

Curiosidades

  • Podemos dizer que o clipe está em loop (repetição). Várias séries e filmes abordam esse tema inspirados nos conceitos que discutimos aqui. Exemplos clássicos são o episódio S06E18 de The X-Files, “Monday” e o episódio S03E11 de Supernatural, “Mystery Spot”, em que os personagens vivem o mesmo dia repetidas vezes até quebrar o ciclo. Um filme famoso é Feitiço do Tempo (Groundhog Day), que passava sempre na Sessão da Tarde. Um jornalista faz cobertura de um evento entediante e quando acorda no dia seguinte percebe que o dia está se repetindo. Curiosidade da curiosidade: o Groundhog Day é no dia 2 de fevereiro. Blurryface postou no Twitter à meia-noite no dia 3 de fevereiro, quando o dia 2 acabou, o que pode ter sido uma dica discreta sobre a repetição do vídeo. Se quiserem mais filmes como esse peçam por mensagem, não vamos contar porque seria spoiler! 🙂
  • Tyler toca sanfona na versão original de Goner. É um dos vários instrumentos que ele sabe tocar.
  • A música Goner levou pouco mais de 3 anos para chegar à sua versão final. O vídeo de Heavydirtysoul foi lançado poucos dias antes do aniversário de 5 anos.
  • O carro como metáfora para a mente não é novidade. Nas músicas “A Car, a Torch, a Death”, Taxi Cab” e “Car Radio” a figura do carro aparece com significados diferentes do literal.
  • Em “Isle of Flightless Birds”, outra música do primeiro álbum, Tyler critica a sociedade e seu apego a uma rotina fixa. “Tudo o que somos é uma ilha de pássaros que não sabem voar, nós encontramos significado em ter filhos e essas coisas” (All we are is an isle of flightless birds / We find our worth in giving birth and stuff). Ele faz o mesmo em Heavydirtysoul nos versos “Não, eu não entendi uma coisa do que você disse e se eu não soubesse eu acharia que vocês já estão mortos. Zumbis sem mente andando por aí” (Nah, I didn’t understand a thing you said If I didn’t know better, I’d guess you’re all already dead Mindless zombies walking around).
  • As imagens da manhã, da noite e do sono também são frequentes em muitas letras e vídeos e representam o contraste entre luz e sombras e refletem sobre a morte. Um dos livros usados no clipe de Cancer, por exemplo, é The Big Sleep, que fala sobre suicídio.

Pra aliviar a tensão e acabar com humor, vejam essa edição que a @ohlocaldreamer fez com um vine antigo da banda. Tyler diz “Então eu estou usando Uber pela primeira vez, vamos ver quem é meu motorista…”


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2 comments on “Interpretação e teorias do vídeo de Heavydirtysoul

  1. Muito bom! Vou compartilhar minha teoria aqui kkkjkj >>> Olha, todos sabemos (eu acho) que a bateria do Josh é uma arma contra o tio Blurry. Vemos isso em Fairly local, o tio Blurry sabota a bateria do Josh e tal. No clipe do Heavydirtysoul vemos que o Blurry sempre desvia por comando do Tyler, mas não só por ele. Se formos parar pra pensar, a bateria é uma das armas contra o Blurry, certo? No vídeo de Heavydirtysoul, na primeira vez que o carro vai passar pelo Josh, quem faz o carro desviar é o Tyler. Na segunda vez, o Josh não está tocando a bateria constantemente (ele só está tocando a caixa, na parte ”Gangster don’t cry, therefore, therefore, i’m Mr. Misty-eyed), só que quando o Blurry está quase atropelando o Josh, ele começa a tocar denovo, dessa vez constantemente, e o Blurry desvia rapidamente, porque a bateria (ou a arma) está carregada novamente. Acho que, como a bateria é uma arma contra o Blurry, assim que o Josh volta a tocar (Na parte ”Can you save, can you save my, can you save my heavydirtysoul?) ele desvia por saber que vai ser atacado pela bateria.

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