twenty one pilots na primeira edição de 2017 da Alternative Press

twenty one pilots de volta à capa da AP! Eles falam sobre os momentos mais inspiradores com seus fãs, a que pé andam suas novas músicas e seus planos de dominar o mundo.

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Escrito por Jason Pettigrew
Tradução: Bianca Almeida, Laura Trigo,
Gio Crestana e Pâmela Muniz
Revisão: Kaline Linhares

Os poucos, os orgulhosos e os imparáveis.

Para todos os efeitos, twenty one pilots reinou em 2016, com um disco de platina dupla, diversos show esgotados e uma base de fãs positivamente desenfreada na adoração a Tyler Joseph e Josh Dun. Mas tenha certeza, seus constantes elogios e sucessos não vão impedir que eles ofereçam “pop de verdade” para as massas.


Tyler Joseph senta pensativo em seu camarim no Berlin’s Max-Schmeling-Halle, mais ou menos uma hora depois de descer do palco do show esgotado do twenty one pilots na casa de show com capacidade para 7500 pessoas. Joseph e o baterista Josh Dun estão em pensamentos profundos, talvez meditando, mas mantendo uma pausa longa o suficiente para ser perigosa. Pedimos ao vocalista para descrever o último ano da banda em três palavras.

“Estamos pensando”, ele diz. Mais segundos se passam. “Vamos ver… vin-te um?”

“É uma boa pergunta”, diz Dun, tentando vencer o desafio. “Eu diria ‘muito, super divertido’”.

Essa ingenuidade continua funcionando bem para o duo que, historicamente, sempre foi rápido para passar por cima de ruminações e frustrações com o mundo com bom humor e zombaria. Mas é a escolha de palavras de Dun que realmente molda ele e Joseph como apenas dois garotos normais de Columbus, Ohio. Porque, nessa altura do campeonato, todo mundo sabe que 2016 foi o melhor ano para a história musical do twenty one pilots. Blurryface, seu segundo álbum com uma gravadora, recebeu certificado de platina dupla, com mais de dois milhões de cópias vendidas. Eles pularam de boates e teatros para lugares abertos e arenas esgotadas em menos de um ano. Essa primeira incursão em trilha sonoras de filmes (“Heathens”, de um muito badalado Esquadrão Suicida) caiu no gosto dos fãs e das rádios exponenciais mais do que o próprio filme em si. Até críticos musicais que são tipicamente os primeiros a exaltar ou dispensar artistas ficaram perplexos pensando em como perderam completamente a rápida ascensão do twenty one pilots (e aí, Pitchfork¹?).

“Cara”, Dun começa devagar. “Eu nunca vou esquecer o dia em que eu e Tyler saímos pela primeira vez – nós conversamos a noite toda. Acho que esse ano foi quando algumas dessas experiências que encontramos provavelmente estão – ou até mesmo superaram – no topo da nossa lista de sonhos e esperanças. É um sentimento bom. Agora é só descobrir o que faremos em seguida.”

Na última capa da AP que TØP apareceu (AP 329, dezembro de 2015), a Alternative Press encontrou os meninos numa estrada direta pro sucesso, do qual eles estão aproveitando. Poucos meses após o lançamento do Blurryface, a banda percebeu que clubes e teatros normais não seriam o suficiente para satisfazer os fãs. Portanto, o duo começou a tocar em lugares 3 vezes maiores do que eles tocavam antigamente. O show deles em Columbus em setembro do ano passado expandiu dramaticamente com a banda lotando o Schottenstein Center com sua capacidade de 18,000+ pessoas. Por enquanto, tudo bem.

Ou seria realmente por enquanto, muito bem? Na capa dessa mesma edição, o título lia “O sucesso do twenty one pilots os assustará?”. Levando em conta a quantidade de movimento positivo acontecendo no mundo deles, parece inevitável que a ansiedade, a preocupação e medo abjeto que Joseph e Dun sentiram em função da arte deveria ter amenizado bastante. Vamos ser honestos: ter um monte de shows lotados pelos continentes com certeza iria destruir sua falta de confiança. Porém, estamos falando sobre twenty one pilots.

“Eu pessoalmente achei que chegaria a um ponto em que isso não iria existir”, oferece Dun, mitigando a questão com sua própria visão do mundo. “Quando eu entrei no local que vamos tocar hoje à noite, fiquei estupefato. Nós nunca havíamos tocado num local daquela dimensão na Europa, e foi aí que eu comecei a me sentir nervoso de novo. Eu acho que isso é um sentimento que nunca vai embora, ou que nunca irá se normalizar. O que é algo bom, isso nos deixa focados e trabalhando duro para manter a integridade do nosso show. Eu não acho que esse sentimento se foi, ou sequer irá.”

“O motivo desse sentimento permanecer é porque nós queremos mudar as coisas”, diz Joseph, tentando amenizar o sucesso da banda com o fato de ainda terem trabalho para fazer. “Nós passamos as últimas duas noites tendo uma tempestade de ideias, coisas que talvez nunca tenham sido feitas antes utilizando tecnologia e produção. Por fim, é um ponto de vista artístico que nós queremos introduzir aos nossos espetáculos.”

“São esses os momentos em que nós queremos fazer algo novo que, para mim, traz aquele sentimento novamente, ‘Isto pode não dar certo, pode dar completamente errado'”, ele continua. “É fantástico e arrebatador, com suas emoções e sentimentos. O melhor é quando aquilo acontece como você imaginou na sua cabeça. Continuando a tocar as músicas do Blurryface, mas apresentando-as de maneira diferente ou momentos diferentes no show. É isso que me motiva. Quanto mais fazemos isso, mas aquele sentimento antiquado permanece. Acho que o Josh vai dizer que isso é bastante controlador da minha parte.” Após alguns segundos, ele se vira em direção ao seu melhor amigo. “Josh? Sim? Não?”

“De um jeito bom”, Dun fala rapidamente, respondendo de uma forma que é mais clínica do que seu habitual talento cômico. “Desde o começo, foi Tyler e eu fazendo músicas no porão e tentando entender como era a vida, estando no controle de todo o processo. O que eu sinto que ainda estamos – Tyler ainda é bem apegado às coisas. Muito disso [a questão do controle] é ter certeza que é o show que queremos que seja. Quando voltarmos aos Estados Unidos, será um ano da mesma turnê. Então, mantemos em mente que há fãs que viram isso por um ano inteiro e precisamos mudar, adaptar, crescer ou expandir o que estamos fazendo por nós mesmos também.”

O sucesso do TØP se manifestou em mais do que mera celebridade e ganhos financeiros. E tudo se resume aos fãs. Agora, todas as bandas do mundo, desde as milionárias lotadoras-de-estádios até caras punks sérios com cortes de cavalheiros buscando dinheiro para o combustível, irão te dizer que fãs significam tudo. Mas para Joseph e Dun, os fãs são o show. Como o duo usa faixas de apoio que escreveram e programaram para seu show ao vivo, não sobra muito espaço para improvisação ou acidentes felizes. As músicas vão se manter as mesmas toda noite. Por obter os fãs (mais conhecido como o poderoso Skeleton Clique) envolvidos, TØP criou uma performance noturna que todos em ambos os lados do palco podem se lembrar. Você não pode ensaiar coisas como a incursão de Joseph na bola de hamster, ou o “drum island” de Dun, onde fãs seguram ele e um kit de bateria em escala reduzida no meio da multidão. TØP inconscientemente inventou o conceito de “improvisação de audiência” com resultados impressionantes.

“Os momentos mais estimulantes do set são aqueles que envolvem o público, porque esse é o fator todas as noites,” diz Dun. “Quando esses momentos estão acontecendo, é como uma vitória – porque estamos fazendo algo que não podemos fazer sozinhos. Qualquer banda que vai ao palco quer ter uma reação da plateia. Mas dar o próximo passo e ter a multidão realmente participando do show e nos ajudando a alcançar isso é emocionante. Nós tocamos essas músicas centenas de vezes: essas coisas extras que as deixam diferentes das últimas e tornam uma experiência agradável.”

“O momento mais emocionante do nosso show é quando provamos fisicamente aos nossos fãs que não iríamos conseguir fazer isso sem eles” – Tyler Joseph

Joseph fica notavelmente animado quando igualamos a fisicalidade do espetáculo a uma forma de improvisação. “Vamos tirar isso do caminho: nós não estaríamos aqui sem nossos fãs. Estamos muito conscientes disso, e amamos provar a eles que literalmente não podemos fisicamente fazer isso sem vocês. E isso exige que nós estejamos fisicamente próximos deles e – mais legalmente possível – apoiados neles para nos ajudar a realizar algum tipo de façanha ou experiência visual que se transforma em uma experiência física. O momento mais emocionante do nosso show é quando provamos fisicamente aos nossos fãs que não iríamos conseguir fazer isso sem eles.”

Pela virtude de seu sucesso – e a inclinação de Joseph em articular suas mais profundas aflições pessoais – TØP tem ajudado a lançar um movimento viável na música pop. Esqueça “conversa real”, vamos chamar de “pop real”. twenty one pilots – junto com artistas como Halsey e Melanie Martinez – têm construído suas carreiras em uma efervescente sensibilidade do pop somada a sentimentos líricos mergulhados em dúvidas e outras emoções escondidas que ocasionalmente vem à tona. Por causa dessa autenticidade e do charme despretensioso pela qual é transmitida (vá assistir ao vídeo para “Stressed Out” mais uma vez) o duo é tão relevante para essa geração quanto os ouvintes de Nirvana eram em seus papéis na Geração X. “Aqui estamos, nos entretenham” foi substituído por arenas lotadas de fãs cantando o refrão “Somos pessoas quebradas” de “Screen” (de seu álbum Vessel, 2013). O fato de TØP ter alcançado sucesso legítimo em um mundo povoado pelo sucesso de Meghan Trainor, Ariana Grande, The Chainsmokers e a parada americana de misturas de hip hop/pop facilmente esquecíveis, é francamente incandescente.

“É incrível que a cultura da radio mainstream tenha dado espaço para isto”, diz Joseph, referindo-se à teoria desse escritor. “Se haverá ou não espaço para nós ou se a rádio irá nos reservar um lugar é algo incerto, mas ainda não é o foco. Ser mencionado com Melanie Martinez e Halsey… Eu me orgulho de estar ao lado dessas pessoas. Elas escrevem o que sentem. Mesmo que aquela letra em particular assuste ou faça alguém se sentir desconfortável, isso não está sendo considerado. Esse é o tipo de música que eu quero fazer. Eu não vou ouvir uma música que tenha sido filtrada pelo que está ou não nos padrões da música mainstream. Eu fico animado e orgulhoso de nos encontrarmos nesse novo grupo de músicos que eu realmente respeito.”

“Eu sempre senti que as pessoas podem sentir se o que você está dizendo vem realmente de você,” ele continua. “Pois eu tinha consciência disso; Sempre quis criar algo que eu pudesse chamar de meu e dizer: ‘Isso é o que eu tenho pensado, é nisso que tenho trabalhado, é sobre isso que eu queria escrever uma música.’ Mesmo que estejamos cobertos por melodias doces, as letras falam de algo real, e você pode perceber que essas letras vieram da pessoa que está entregando-as. Se houver espaço para isso no futuro da cultura mainstream, será uma grande vitória para todo mundo. Estou ansioso por isso.”

“Muitas pessoas veem nossa música como uma tentativa de driblar as regras, abrir o caminho e dar espaço para algo diferente”, ele adiciona. “Se nos sentirmos, de alguma forma, parte de algo que deixa espaço para alguém vir e começar a ser honesto, isso terá feito nossas carreiras. É algo muito legal de se pensar.”

Outra coisa na qual tanto os fãs como os agitadores da indústria estão pensando é aonde Joseph e Dun irão à seguir. Inicialmente, Blurryface parecia um jogo, com várias inversões de estilo (às vezes com dois ou três estilos diferentes em uma mesma música, como “Lane Boy”), que confundiu os padrões da indústria (as mesmas pessoas que pensaram que “House of Gold” iria fazer do TØP “o próximo Mumford & Sons”) e especialmente Joseph, que estava fascinado, obcecado e frustrado sobre ter uma música na rádio durante a composição daquele álbum. Cerca de um ano atrás, ele disse a esse escritor, “Eu estou animado para ouvir como um álbum mais confiante do twenty one pilots soa.” Desde que proferiu essas palavras, Joseph viu três de suas músicas (“Stressed Out”, “Tear In My Heart” e “Heathens”) ascenderem em uma escala regular em ondas pelo país. Sabendo que sua mente se move a uma milha por nanossegundo, a questão foi colocada em como ele acharia que uma nova música soaria se ele e Dun fossem ao estúdio amanhã.

“Eu estava trabalhando em algo na noite passada que me deixou bem animado”, ele diz, olhando para seu colega. “Josh, eu tenho que te mostrar. Se nós fôssemos ao estúdio agora,” ele para por alguns segundos que parecem ser meia hora, “eu diria que seria um pouco… Cara, muita coisa pode acontecer entre agora e amanhã, tão longe quando as ideias vão. Dito isso, entre o momento que entramos no estúdio e começamos a trabalhar, pode mudar completamente. Eu quero começar com isso. Nesse instante, eu acho que seria algo um pouco mais lento do que último álbum. Eu iria focar um pouco mais no conteúdo lírico.”

“Existem partes do álbum auto-intitulado que, em relação à produção e vocalmente…”, sua voz se apaga. “Há tantas coisas erradas naquele álbum, ou que pelo menos parecem erradas . Porém, a autenticidade, as letras, a entrega e o destemor das composições, eu gostaria de levar [TØP] de volta à isso. É bem difícil escrever músicas mais lentas. Quero tentar escrever algumas músicas mais lentas novamente.”

Joseph está se referindo ao primeiro lançamento do TØP, o álbum auto-titulado de 2009 com Joseph e os membros antes da época de Dun, o baixista Nick Thomas e o baterista Chris Salih. Enquanto continuava sendo um álbum pop com várias músicas que se destacavam (“The Pantaloon”, “Isle Of Fightless Birds”), o álbum parecia um peculiar-e-pitoresco steampunk feito por dois caras obcecados com seguir aquela turnê do Panic! At The Disco/Dresden Dolls de 10 anos atrás. Essa troca desencadeia mais tangentes: voltar às origens seria um tipo de mecanismo de defesa? O sucesso do Blurryface é liberador ou limitador?

Uma pausa segue. Quando foi sugerido que talvez ter perguntado quais suas cores favoritas fosse uma pergunta melhor, Joseph quebra o silêncio admitindo, “Essa também é difícil para nós.”

“O sucesso do Blurryface é liberador ou limitador?”, ele repete retoricamente. “Acho que vamos descobrir. Confiança será um grande fator, e isso talvez seja novo pra nós ao escrever ou gravar uma música. Acho que quando dizemos, ‘Ah, essa música é muito boa, nós gostamos disso’, talvez haja mais ligações para isso agora. Não importa se é para a rádio ou mainstream, apelando para alguns fãs ou coisa assim. É aí que a confiança está, nesse processo decisório. O que gostamos de fazer é considerado ‘bom’ e isso impulsiona nossa confiança. Mas aí, quando isso realmente começa a mexer com você, é melhor diminuir o ritmo. Mesmo que tenhamos músicas na rádio e estejamos tocando em estádios, não posso evitar pensar: Foi uma casualidade? Fomos sortudos? Apenas fizemos a coisa certa no momento certo? E talvez agora seja a coisa errada no momento errado? É quando esses pensamentos vão balancear essa confiança de forma positiva.”

Mas você pode dizer honestamente que não está sentindo a confiança? Você ainda pode articular a fragilidade e incerteza que você cria que faz sua arte ressoar nos corações de milhões?

“Eu não acho que isso seja algo que vamos resolver,” Joseph avisa. “Não acho que vamos entrar no estúdio e dizer tipo ‘Ok, nós resolvemos a insegurança, resolvemos nosso problema de confiança, agora temos o equilíbrio perfeito entre as duas coisas e vamos lá fazer nosso próximo álbum!’. Eu acho que o álbum vai ser sobre tentar vincular essas duas coisas. Acho que as pessoas vão sentir isso. Precisa ter uma narrativa que case com isso. Começamos essa história com esse personagem, Blurryface. E a pergunta é o que ele está fazendo agora, como ele se encaixa. Essa é a história que eu quero contar. Se tudo der certo, isso vai fazer sentido quando montarmos tudo.”

Quando twenty one pilots tocar seu último show da era Blurryface em 8 de abril, em Perth, na Austrália, eles vão sumir. Joseph fica constantemente desnorteado com todas as ideias passando pela sua cabeça, mas ele vai soltá-las no mundo quando estiver pronto. (Tradução: pode não haver nenhuma música nova da dupla até 2018). Enquanto isso, os fãs podem reviver a experiência com o recém-lançado LP-triplo Blurryface Live, gravado durante seu show em 18 de outubro no Fox Theater, em Oakland, Califórnia. Será que eles estão se divertindo tocando para públicos que são fisgados em cada palavra que sai da boca de Joseph e cada batida de Dun na bateria? Certamente. Eles estão familiarizados com a realidade de quão fugaz a popularidade de uma banda pode ser em uma era do download e do curto alcance de atenção? Com certeza.

“A outra coisa que é importante observar é que eu sinto que nosso sucesso aconteceu num momento muito bom para nós, em termos da nossa idade,” diz Joseph. (Os dois têm 28 anos). “Sinto que se isso tivesse acontecido quando tínhamos 19 ou 20 anos, não teríamos a visão necessária para perceber que tudo isso vai parar um dia. Penso assim porque isso aconteceu quando tínhamos 25 e 26 anos, nós estabelecemos uma visão mais madura do mundo onde nós conhecemos afinal, tudo isso vai parar. Isso vai acabar. Por mais que isso seja trabalho duro, sentimos falta de casa e estamos ansiosos para dar uma pausa, não vamos deixar que isso se perca na chance que temos de fazer isso: criar algo para as pessoas viverem, escutarem e assistirem. Acho que estamos num ponto em que entendemos isso, e que o trabalho duro que isso requer vale a pena.”

Exaustão física e saudades de casa à parte, há uma grande coisa que o sucesso tirou do twenty one pilots. Os dias em que eles podiam tocar para 50 pessoas, empacotar os equipamentos no final do show e conseguir conhecer, conversar e aprender dos seus fãs estão acabados. Claro, não é o tipo de situação que preocuparia Beyoncé e Gene Simmons. Mas para cada casa de show esgotada que eles tocam, TØP percebe que há milhares de histórias pessoais que eles nunca vão poder ouvir.

“É assim que dormimos à noite: sabendo que os fãs estão cuidando uns dos outros.” – Tyler Joseph

“Obviamente somos muito mais reconhecidos agora”, diz Dun. “Passeando por Berlim hoje, duas garotas vieram até mim. Uma era da Alemanha e a outra de Pomona [Califórnia], e elas estudam música aqui. Elas eram nossas fãs e queriam dizer oi. Isso é legal para mim, porque eu percebi que não poderia ter esse tipo de conversa depois de um show. Eu também não teria essa conversa se essa banda não existisse. Eu gosto de ter essas interações pessoais. Da mesma forma que essa interação afeta a vida de alguém, isso também afeta a minha vida, e é legal ouvir as histórias das pessoas e escutar como a música mudou suas vidas ou deu coragem para fazer algo legal.”

“Para mim, estou sempre pensando naquela pessoa na última fileira,” diz Joseph, “na seção superior. Será eles sentiram como se tivessem pego uma pequena parte de nós? É isso que queremos fazer. Queremos dar àquelas pessoas do fundo um pedaço de nós toda noite. Quando você traz à tona que não podemos interagir com os nossos fãs do jeito que costumávamos, isso parte meu coração.”

Mas enquanto fãs egoístas que se auto-denominam fãs “legítimos” mandam mensagens de ódio online sobre como eles “criaram” o duo, os fãs de verdade entendem. E o jeito como Joseph explica isso é a melhor coisa que uma banda pode querer.

“O que é legal no final de tudo é ver nossos fãs interagirem uns com os outros”, ele começa. “Assistir uma comunidade que cresceu bem organicamente. Eles entendem que, logisticamente, não é possível para nós termos uma conversa individual com cada um, como gostaríamos. E eles mesmos fazem isso um com o outro, seja online ou na fila do show. Assim como viramos algo para eles e eles se tornaram algo para nós, a coisa mais incrível é o que eles se tornaram uns para os outros. Se não fôssemos capazes de criar essa comunidade, o problema de como ter contato com cada fã seria muito [mais] assustador e frustrante.”

Ele para um momento. Não para dar uma maior ênfase, mas para ter um momento de reflexão. “É assim que dormimos à noite: sabendo que os fãs estão cuidando uns dos outros.”


21 momentos que definiram twenty one pilots

#1. A performance solo de Tyler Joseph

A primeira apresentação pública de Tyler Joseph foi no verão de 2007, num café chamado Espresso Yourself em Powell, Ohio, abrindo para o cantor e compositor aspirante Dan Gibson (que agora faz parte da equipe do TØP). Em dezembro de 2008, Joseph toca na festa de 16 anos de um amigo de família (Joseph e seu amigo fazem aniversário no mesmo dia, mas como ele é um cara legal e só se faz 16 anos uma vez na vida, ele incluiu sua celebração). Joseph deixou de buscar por uma bolsa no basquete e começou a seguir uma carreira musical.

#2. O álbum auto-intitulado

Joseph forma twenty one pilots com o baixista Nick Thomas e o baterista Chris Salih, lançando seu álbum de estreia em junho de 2009. Não inteiramente esquecido por Joseph, pois a banda incluiu trechos do álbum no medley “A Few Older Ones” (Algumas das mais antigas) que pode ser visto na primeira parte da Blurryface Tour.

#3. Tyler conhece Josh

Dun era amigo do baterista original Salih, que os apresentou. Na primeira noite que os três se encontraram, Salih (então colega de quarto de Joseph) foi dormir por volta das 23h, enquanto Joseph e Dun (que nessa época tocava com a banda local de rock alternativo House Of Heroes) ficaram acordados até às 8 horas da manhã, conversando sobre que rumo eles queriam seguir com a vida e com a música. O horário de trabalho de Salih tornava a habilidade dele viajar com a banda impossível, então ele se resignou em maio de 2011, deixando Dun entusiasmado.

#4. E então haviam dois

O trio estava previsto tocar no Hanover College, até que Thomas adoece e fica impossibilitado de fazer o show. Não querendo cancelar, Joseph e Dun programaram as partes de Thomas num computador e partiram para Indiana. Desejando sair do estado e seguir outra carreira, Thomas saiu da banda em junho de 2011,

#5. Sagazes nas redes sociais

Sentindo uma certa frustração ao perceber que suas bandas favoritas usavam as redes sociais para se promover, o duo decidiu apenas promover seus shows em sua cidade natal, Columbus, para poderem ter uma base forte. Graças a isso, o duo cita o incentivo local como uma das fundações para tudo que eles fizeram.

#6. Regional At Best

Gravado e lançado independentemente, Regional At Best foi o álbum que foi acolhido pelos locais, e também por alguns blogueiros fora das fronteiras de Columbus. Muitas de suas músicas seriam relançadas em um próximo álbum.

#7. A pequena banda que conseguiu

Em novembro de 2011, a banda lotou o Newport Theater (capacidade: 2.000) em Columbus como uma banda sem gravadora. Várias gravadoras dos dois litorais começaram a se interessar após isso.

#8. Assinando com a FBR

Se John Feldman está em um show em uma noite de sexta-feira em Cleveland, você sabe que a banda tocando é grande coisa. O produtor voou para lá (assim como muitos outros da indústria naquela noite) para assinar com TØP, que ainda não tinha feito nenhuma turnê em grande escala. A banda escolheu assinar com a Fueled By Ramen, anunciando a notícia do palco de seu show no LC Pavillion (capacidade: 5.200) em 28 de abril de 2012.

#9. De “Forest” para “Trees”

Em agosto de 2012, o duo embarcou em sua primeira grande turnê, abrindo para os dançantes do rock Neon Trees. Com várias datas em uma viagem pela Costa Leste e próxima ao Centro-Oeste, há um êxodo significante após o show do TØP. Durante essa turnê, Joseph e Dun filmaram seu bem recebido cover de “Can’t Help Falling In Love”, do Elvis Presley, no palco do House Of Blues em Cleveland.

#10. Lançando Vessel

Vessel é lançado dia 8 de janeiro de 2013. Com uma foto dos avôs do duo na capa e trazendo regravações de seis músicas do Regional, o álbum acabou por vender mais de meio milhão de cópias.

#11. Luzes, câmera, televisão!

O entusiasmo pelo Vessel começa a crescer e TØP tem sua primeira exposição na rede televisiva, começando com um segmento filmado em Last Call With Carson Daly, e aparições em Conan, Late Night With Seth Meyers e no MTV Movie Awards de 2014.

#12. Salvando o Rock n’ Roll

TØP foi responsável pela abertura do lote de show nos EUA da turnê do Fall Out Boy/Panic! At The Disco. Eles tiveram que tocar em um festival em Columbus e abrir um show para o FOB no mesmo dia, e acabaram sendo escoltados pela polícia até um jatinho particular que pertencia ao Papa John’s Pizza para poder tocar em ambos os shows.

#13. Alavancando o primeiro APMAs da história

Em 21 de julho de 2014, o Paramore introduziu a banda no seu show na inauguração do Alternative Press Music Awards. Durante sua apresentação, Dun faz seu primeiro “drum island”, Michael Bohn do Issues entra durante “Car Radio” e Joseph escala a estrutura do palco em um dia pouco ventoso para o prazer de muitos e a preocupação de poucos (lê-se: a mãe dele).

#14. Blurryface lançado

Lançado pela Fueled By Ramen em 17 de maio de 2015, o sucessor do Vessel contou com a participação de vários produtores e viu o duo abrangendo tudo desde reggae a dubstep a sons mais sombrios e uma perfeição pura de pop. As vendas excederam o status de platina dupla (mais de 2 milhões).

#15. O Video Music Awards (VMAs) de 2015

Joseph e Dun foram convidados a comparecer na cerimônia de prêmios icônica da MTV junto com A$AP Rocky, fazendo então sua primeira colaboração fora de sua zona de conforto.

LEIA MAIS: twenty one pilots prevê colaboração com A$AP Rocky no VMAs de 2015 e fala sobre a experiência no tapete vermelho.

#16. A pequena banda que conseguiu

twenty one pilots volta a Columbus em 18 de setembro de 2015, lotando o Schottenstein Center com sua capacidade de 18,800 pessoas no campus da Universidade do Estado de Ohio (Ohio State University), na mesma noite em que Taylor Swift está fazendo um show lotado do outro lado da cidade. A última vez que Joseph esteve lá, ele estava competindo com seu time de basquete do colegial, e perdeu. Esta vitória é uma experiência muito melhor.

LEIA MAIS: twenty one pilots na AltPress de dezembro

#17. Bigger-Face!

TØP deixa a vida de teatros e casas de show pequenas quando o público exige ingressos em demandas maiores. O grupo pula para as arenas em maio de 2016, dando o pontapé inicial da Emotional Roadshow, que vai até o começo de abril de 2017, terminando na Austrália.

#18. Vitória dupla no APMAS

TØP conseguiu duas grandes vitórias na edição de 2016 dos APMAS ganhando Álbum do Ano e Artista do Ano.

#19. Positivamente pagão

Joseph voou para Los Angeles para ter uma reunião cara a cara com o diretor de Esquadrão Suicida, David Ayer, que mostrou a ele um pouco do filme enquanto explicava a sensação dos personagens. Joseph escreveu “Heathens” e o resto você sabe.

#20. Ao vivo de Nova York, twenty one pilots!

O duo fez sua maior performance na televisão até agora, aparecendo no Saturday Night Live, em outubro. “Alguns dos meus amigos me mandaram mensagem”, lembra Joseph. “’Cara, você vai conhecer o Kyle Mooney?’ Kyle Mooney é um membro do elenco do SNL e vários dos meus amigos acham ele hilário. No final do show, eles fazem essa chamada de encerramento onde todo o elenco e convidados se abraçam e conversam. É bem estranho para nós, e é a primeira vez que estamos conhecendo várias daquelas pessoas em frente de milhões de pessoas ao vivo na televisão. Então eu achei Kyle Mooney e disse, ‘Oi, eaí?’ e ele disse ‘Oi, eaí?’. E eu acabei agarrando ele, olhando para a câmera e apontando para ele como para dizer para todos os meus amigos, ‘Vejam! Eu estou conhecendo Kyle Mooney’, e ele ficou tipo, ‘Me larga!’ e eu sinto que irritei ele, mas fiz meus amigos rirem em casa. Agora, eu gostaria de pedir desculpas ao Kyle Mooney por meio que objetificar ele.”

#21. Seus Momentos Favoritos

Timothy Watson: Quando Tyler começou a fazer música

O momento decisivo da carreira do twenty one pilots foi antes de “Stressed Out” e “Heathens”, antes deles assinarem com a Fueled By Ramen, antes deles fazerem um álbum. Foi o momento em que Tyler Joseph foi para seu porão e começou a escrever músicas de verdade, alimentadas por um turbilhão de emoções, dificuldades e questões sobre sua fé. Quando ele decidiu usar a música como uma saída para seus problemas e dificuldades, que é quando ele começou a fazer músicas que iriam mudar o mundo. Esses momentos definiram o porquê e para quem ele estava fazendo música: para os poucos, os orgulhosos e os emotivos.

Kelly Burch: Quando Tyler escreveu “Holding On To You”

Precisou que ele saísse de um estado de desistência para um mais inspirador, e depois disso eles mudaram, musicalmente, para músicas mais agitadas versus baladas tristes ao piano (como ouvimos no seu álbum auto-intitulado). Isso parecia ser um redirecionamento de uma miséria focada neles mesmos para o empoderamento de outros para “lutar, pegar a dor, incendiá-la”.

Nick Lovera: O discurso de Tyler no MSG

O discurso de Tyler no Madison Square Garden foi o melhor momento deles. Não teve uma pessoa na plateia que não se emocionou durante o discurso. Ele nos lembrou que chegamos até aqui juntos. Eu fui sortudo o suficiente de estar na grade naquele momento. É algo que eu nunca vou esquecer.

¹Pitchfork é uma ‘revista’ online estadunidense voltada à crítica e comentários musicais, notícias sobre música e entrevistas a artistas.


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