#TBT #TØPnoBrasil: 1 ano do show no Rio

Há um ano estávamos nos preparando para o show do twenty one pilots no Rio de Janeiro. Veja nossas memórias e leia nossas histórias sobre o dia.

por Matheus Lopes
Revisão: Pâmela Muniz

Não costumamos escrever na primeira pessoa do singular mesmo quando a matéria é escrita por uma pessoa só. Mas como esse texto é muito especial npara toda a equipe e uma grande parte do Clique que nos acompanha já nos conhece, tomarei a liberdade de escrever como tudo aconteceu do meu ponto de vista. Espero que isso reforce a experiência para todos vocês que estão aqui para relembrar como foi estar na Sacadura 154 há um ano ou abra a imaginação de todos vocês que não puderam estar lá fisicamente, mas foram carregados por nós a cada momento do dia.

Há muito tempo…

O pessoal da nossa equipe e os nossos amigos que estão no grupo há mais tempo viraram fãs de twenty one pilots entre 2012 e 2014. O lançamento do Vessel colocou a banda na TV pela primeira vez com o clipe de Holding On To You aparecendo em canais como VH1 e MTV. Mas naquela época ainda parecia inimaginável ver a banda no Brasil.

A gravadora não tinha planos de vender o álbum deles no nosso país (e até hoje o Vessel ainda não é vendido aqui) e as músicas estavam longe de tocar nas rádios brasileiras. Nossa rotina era basicamente ouvir twenty one pilots, admirar a poesia deles, mandar umas mensagens de “please come to brazil” e depois pensar em como nunca iríamos vê-los ao vivo. O Tyler até curtiu esse tweet da Pâmela em março de 2013 quando ela disse que estava esperando por eles:


A banda finalmente agendou o seu primeiro show em terras brasileiras no final de 2015. twenty one pilots foi anunciado como atração do segundo dia da edição 2016 do Lollapalooza, que aconteceu no dia 13 de março. Apesar da nossa enorme felicidade por ver que nossa banda favorita viria a um festival tão grande, não dá pra negar que isso também trazia muitas dificuldades. Nosso país é enorme e viajar não é nem um pouco barato. Mesmo para quem estava no Rio, uma série de problemas surgiu. Como ir, quanto pagar de transporte, onde se hospedar…

Eu, particularmente, já estava aceitando o fato de que ficaria mais uma turnê sem ver a banda porque não tinha como pagar a viagem. E acabei ficando em paz com o fato de que teria que assisti-los pela TV. Até que em uma manhã que parecia ser só mais uma manhã qualquer, meu celular começou a vibrar freneticamente em cima da mesa na sala de aula. Antes mesmo de desbloquear a tela eu tive certeza de que a notícia tinha chegado.

A notícia boa é que as notificações eram mensagens de vários grupos e amigos gritando porque um side show foi confirmado no Rio de Janeiro. A notícia ruim é que faltavam 5 minutos para eu apresentar um seminário de 15 minutos na aula e eu ainda estava sem reação. Mas deu tudo certo.

Nosso grupo local do Rio de Janeiro estava movimentado como nunca. O crescimento não foi apenas em número de membros, mas também da ligação entre nós. Antes do anúncio dos shows nossa amizade era muito limitada às telas virtuais. Combinamos de ir ao cinema umas 3 vezes e fomos em um total de 0. Mas, pela primeira vez, marcamos um encontro de fãs alguns dias antes do show no Shopping Nova América. Éramos poucos, mas tínhamos a sensação de que isso iria mudar em breve.


O dia anterior

A véspera de uma data importante para nós é sempre um dia muito peculiar. Não foi diferente nessa ocasião. Muitos fãs que vieram de outros estados para assistir ao show começaram a chegar no dia 15. E o sentimento foi muito único. Não era o Lollapalooza, não era o Rock In Rio, mas tinha gente de todas as regiões vindo para esse dia por um motivo. Para nós, esse era o dia. Olhando de fora, parecia só mais um dia normal para as outras pessoas.

Enquanto eu fui encontrar Fred, um amigo nosso que veio de Taubaté (sim, a cidade da falsa grávida), a Pâmela foi encontrar os garotos no hotel. Ela e outras fãs conseguiram tirar foto com eles quando eles saíram no momento em que eles saíram para gravar uma participação no programa Caldeirão do Huck (veja mais aqui).

Nesse breve encontro, a Pâmela entregou uma carta a eles e nossa amiga Julia entregou um livreto que ela fez inspirada pelas canções do Blurryface. Josh até agradeceu pelo Twitter depois:


Veja mais fotos do encontro na nossa galeria.

Josh, sempre conectado, postou alguns snaps do trajeto deles de carro.

  

Enquanto a Pâmela voltava para casa, a Pálace, mãe dela, me mandou uma foto e perguntou o que eu achava da surpresa que ela tinha preparado para a gente. Ela fez 25 plaquinhas com o nosso nome — Mutant Kids — e a logo da banda para que usássemos na fila e durante o show. Essas placas de papelão e tinta, tão simples à vista, mas tão cheias de significado para nós. Elas resistiram ao sol, à chuva, aos empurrões e apertos, foram postadas pela banda no Twitter e chegaram nas mãos deles. Uma delas (aquela ali, bem no meio) ainda nos acompanhou em encontros futuros.



Vimos que o show no Rio de Janeiro abriu a oportunidade para muitos fãs que não podiam ir para o show de São Paulo. Ao mesmo tempo, como administradores do site e amigos, sentíamos uma certa impotência ao ver que mesmo assim ainda havia muitos fãs que não poderiam ir ao show por dificuldades financeiras. Queríamos muito poder comprar ingressos extras ou sortear ingressos, mas era algo que estava fora do nosso alcance.

Foi uma surpresa quando a Sacadura 154 pediu para que enviássemos uma lista de 6 fãs com nome e RG para que eles pudessem assistir ao show de graça. Conversamos sobre as histórias que acompanhamos durante tanto tempo e chamamos fãs que faziam parte do grupo desde o começo e não tinham condições de comprar os ingressos, incluindo uma fã de São Paulo e uma de Minas Gerais que não foram ao Lolla. A sensação de poder oferecer isso a eles foi muito mais satisfatória do que a sensação de ter os nossos próprios ingressos em mãos. E é essa união que realmente importa.

Dormir foi a parte mais fácil e mais difícil. É verdade que a ansiedade era grande, mas não tinha motivos para se preocupar. No fundo a gente sentia que o dia seguinte seria o melhor dia de todos.

O dia do show

Quando o alarme tocou de manhã a corrida começou. Banho, café da manhã, arrumar o kit de sobreviência para a fila, respirar fundo e contar até 10, conversar com o pessoal antes de sair de casa, almoçar e ir para a fila. Quando meu pai conversou com o pai do Fred, ele falou sobre eu ser maior de idade e responsável e que ia tomar conta do Fred. A verdade? Fred que tomou conta de mim e me lembrava da hora de comer, de beber água, de largar o celular e botar a meia no outro pé.

Outro amigo, Mark, mandou uma mensagem dizendo que na pressa esqueceu a sacola com lanche em casa. Preparei sanduíches extras pra ele e mais algumas caixas de suco. Meu pai tinha repetido várias vezes para eu levar a menor quantidade de coisas possível, mas quando vi estava com mais sacolas do que dava pra carregar sozinho. Esse foi um dos momentos que fizeram essa semana ser tão importante. Minha mãe me ajudando a montar sanduíches para mim e outros fãs e meu pai procurando um saco maior onde eu pudesse colocar todos aqueles biscoitos e caixinhas de suco e água.

Chegamos bem cedo e vimos a fila crescer. Se tem uma coisa que eu posso dizer sobre os fãs que estavam na fila é que eu não era o único querendo ajudar os outros. Uma menina que eu nunca tinha visto antes comprou uma bandeja de batata frita e ofereceu para mim, Fred, Mark e outras pessoas próximas sem nos conhecer. Ofereci Oreo de volta. No começo da tarde estávamos quietos, mais nervosos do que eufóricos.

O céu estava muito nublado e logo começou a chover. A chuva se intensificou alguns momentos depois, o que parece ter assustado os fãs que ainda estavam em casa, fazendo com que eles chegassem mais tarde. Demos sorte de existirem duas áreas cobertas próximas à entrada da casa de shows, e todos dividiram o espaço apertado pra fugir da chuva.

Não demoramos muito para interagir. Dividimos água, comida e histórias. O tempo parecia andar cada vez mais devagar na medida em que a abertura dos portões, prevista para 19:00, se aproximava. Mas deu tempo de a gente se tornar mais próximo, literalmente. Como tinha mais gente na fila e não tinha lugar pra todo mundo na marquise, o jeito foi dividir os guarda-chuvas recém comprados. (Eu, Matheus Daring e Mark na foto).

A chuva passou e a fila voltou a crescer bem mais rápido.

Não deu pra ficar parado na fila com tanta agitação retida e outros fãs para cumprimentar. Eu e Pâmela íamos de um lado para outro abraçando tantas pessoas que significavam tanto pra gente e nunca sequer tínhamos visto antes. Eu ainda tinha alguns pacotes de Oreo, então passei perguntando quem queria para que nada fosse pro lixo na hora da abertura do portão. Distribuímos as placas com o nome da nossa página e começamos a tirar fotos e animar o pessoal. Estava quase na hora!

Às 19:52, a banda postou uma das fotos que tiramos na fila pela conta oficial e ainda usaram a nossa hashtag #TØPnoBrasil. Alguns gritaram e choraram (Pâmela) enquanto outros só tremeram (eu), mas ficamos muito felizes em ver a comemoração dos fãs na fila. Essa foi mais uma demonstração de que eles estavam acompanhando as atualizações que todos nós estávamos publicando no Twitter, além de terem nos seguido e compartilhado dois tweets da página no domingo (13).


O atraso continuou se arrastando e os portões só foram abertos aproximadamente às 21:00, horário previsto para início do show. Os instrumentos do Walk The Moon estavam no palco e a equipe de apoio dava seus toques finais. Logo notamos que a bateria do Josh já estava no canto esquerdo do palco, coberta, e que o piano de madeira de Tyler estava por trás das cortinas, à direita.

Walk The Moon assumiu o palco para o primeiro show da noite. A maioria dos presentes era mais fã de twenty one pilots, mas isso não significa que o show do Walk The Moon foi desanimado. Pulamos bastante e tivemos muitos momentos especiais durante as músicas I Can Lift a Car, Different Colors, Shut Up and Dance e Anna Sun, que fechou o setlist. Nesse momento bateu a dúvida: se a primeira banda fez o show com o set de festival, será que twenty one pilots também faria isso? Até tínhamos preparado as placas do projeto FPE para levantar durante Goner, mas se o show não fosse completo esse momento não aconteceria.

A única coisa tão grande quanto a animação para o show era o humor dos fãs e a relação com toda a produção. Eu fiquei na direção do Josh, já pensando em segurar a plataforma dele durante Trees. Ali no lado esquerdo a gente gritava bastante para qualquer membro da equipe que aparecia. Pedimos setlist e “brusinhas”, e depois de Mark gritar muito um dos mascarados da crew se aproximou e entregou algo a ele. Foi tudo tão rápido que levou uns segundos pra gente perceber que era um monte de fita adesiva e papel enrolados.

Quando a “tia da limpeza” entrou no palco pra deixar tudo certo para o twenty one pilots teve coro de “rainha, rainha!” e ela até fez pose pra gente e sorriu. Notamos a correria dos lados do palco enquanto tudo voltava a ficar escuro. Não demorou muito para que uma luz vermelha bem fraca aparecesse e os sons abafados de Heavydirtysoul começassem a tocar nas caixas de som. A sensação é indescritível.

Depois de Stressed Out e Guns For Hands, ainda seguindo a mesma setlist do Lollapalooza, fomos surpreendidos com Migraine. A canção que é favorita de muitos fãs não foi tocada no festival alguns dias antes. Mais surpreso do que nós só Tyler Joseph, que cantou mais baixo e parecia encantado ao ver todos cantando. Em um primeiro momento achamos que isso significava que o show seria completo, mas com o decorrer das músicas vimos que era uma exceção. Em seguida fomos dominados pela luz amarela e os primeiros acordes de Polarize. Se durante a turnê de divulgação do Vessel os fãs se sentiam conectados durante Screen ao cantar o coro de “we’re broken people”, o mesmo aconteceu aqui com o coro de “we have problems”.

Deu pra perceber aquilo que o Tyler costuma falar sobre os fãs darem o show durante House of Gold e We Don’t Believe What’s On TV. Todas aquelas vozes cantando cada palavra bem alto em um espaço tão pequeno fazia tudo parecer gigante. Tivemos outra surpresa com The Judge, que também não foi tocada no Lollapalooza. Foi mais um momento mágico.

As três músicas que vieram depois fizeram a plateia se mover como uma onda. A parte eletrônica de Lane Boy obrigava todos a pular. Tyler foi bem longe na multidão de fãs durante Holding On To You e a bateria de Josh foi levada para o meio da plateia para a performance de Ride.


Uma certeza que a gente tinha era que aquele show foi diferente de tudo o que a banda vinha fazendo. Já fazia bastante tempo desde o último show deles em um lugar tão pequeno, o oposto do Lollapalooza que era em um local tão grande e aberto. Talvez por isso Tyler tenha dito logo depois de Ride que estava se sentindo em casa: “Essa é a nossa primeira vez no Rio e já parece o nosso lar.” A gente ficou bem feliz com isso, é claro, e todos começaram a cantar “we love you, we love you!”. Josh respondeu tocando a bateria no ritmo dos fãs e Tyler dançou na batida antes de brincar que a música We Love You estaria à venda no iTunes mais tarde.


O show se encaminhou para o final com Car Radio. Como não tinha o que escalar, Tyler sumiu do palco e apareceu na área superior da Sacadura 154.


O encore ficou por conta de Trees, a última música. Do lado esquerdo, Michael Gibson, que saiu da equipe depois da Blurryface Tour, fez um sinal avisando a gente que Josh iria onde estávamos com a plataforma para o finale. Pouco depois ele e outros trouxeram o tambor e a plataforma. Eu fiquei bem embaixo do Josh e ouvir o final de Trees estando ali é bem diferente. Foi mais uma coisa que senti de verdade estando lá. Eles não vão para a plateia pelo visual que isso tem ou pra serem diferentes. Como Tyler fala, eles literalmente querem passar a ideia de que somos nós que estamos levantando a banda. (Não vou mentir, peguei papel picado e guardei no bolso de lembrança.)


Depois do show a gente não sabia se sorria ou chorava, então fizemos os dois. A experiência ia muito além dos sons. Sair do local do show não era só se despedir da banda, mas de muitos amigos que vieram de outros estados. E muitos que já conhecíamos por causa da MKBR. Além de São Paulo e Minas, conhecemos também fãs do Rio Grande do Norte e do Rio Grande do Sul, Lígia do Mato Grosso, Joanna de Pernambuco (a mesma que tava pedindo show da banda no tweet lá em cima), Mika e Bianca do Paraná… E alguns que nem chegamos a ter tempo de falar, como o Alisson que veio de Brasília e teve que correr pro aeroporto porque tinha prova na faculdade no dia seguinte.

Obrigado Pálace por parar o trânsito e tirar essa foto do meio da rua.

Quem ficou por perto por mais tempo e foi para a rua de trás encontrou Tyler e Josh saindo da Sacadura 154. A equipe pediu para que os fãs não tirassem fotos, mas eles cumprimentaram o pessoal e distribuíram autógrafos. Nossa amiga Karine conseguiu autógrafos no encarte do Blurryface e nosso amigo MacPherson no ingresso.


Esse foi um show que jamais esqueceremos. Obrigado a todos que fizeram parte disso, pedindo shows desde 2013, segurando plaquinhas, dividindo biscoito no começo do dia e dividindo lágrimas e suor no fim da noite. Que venham mais dias como esse, e que na próxima turnê os meninos parem em mais cidades. Os shows no Brasil tiveram muita importância no crescimento da popularidade da banda aqui no nosso país e esperamos que todos tenham a oportunidade de vê-los tocar ao vivo um dia. E se no fim das contas as coisas não acontecerem assim, saibam que cada vez que a banda nota uma mensagem da MKBR é em nome de todos os fãs brasileiros. Aquelas plaquinhas de papelão e tinta significam muito mais do que aparentavam ser.

Amigos que vieram de longe, esperamos ver vocês de novo. Amigos que ainda não tiveram a oportunidade, vamos esperar juntos pelo retorno do twenty one pilots.

stay alive.
|-/


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Um comentário em “#TBT #TØPnoBrasil: 1 ano do show no Rio

  1. CARACA! Me arrepiei toda enquanto lia… Escrever o texto na primeira pessoa do singular foi a melhor escolha pois pude sentir o que você(s) sentiram (ou quase isso), foi emocionante, quase chorei aqui, gostaria de ter ido maaas como a vida é injusta eu não conhecia a banda na época haha.

    Parabéns para a equipe, conheci o site hoje e já estou amando.

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