#TBT: Por trás das câmeras com Mark Eshleman – Parte 1

tradução de Pâmela Muniz
revisão de Matheus Lopes

A matéria que você vai ler foi originalmente escrita por Heather Hawke e publicada no site Decorated Youth em 23 de janeiro de 2014. Você pode conferir a matéria em inglês aqui e a nossa tradução a seguir.


Essa entrevista aconteceu em 16 de janeiro de 2014, quando Mark Eshleman esteve na Austrália em turnê com twenty one pilots, You Me At Six e Paramore. Depois disso, ele viajou com twenty one pilots para a turnê da banda na Europa e pelos Estados Unidos durante a primavera.

Mark começou a criar vídeos profissionais no final de 2009, com a intenção de fornecer conteúdo visual às bandas que precisassem mostrar os seus talentos ao público online, mas seu amor por vídeo começou muito antes disso.

Ele cresceu sabendo que queria trabalhar com produção de vídeo. Em vez de sair e praticar esportes ou jogar videogame, ele preferia assistir a muitos filmes e absorver cada segundo deles. Para ele, filmes como Um Conto Americano: Fievel Vai Para o Oeste, A Princesa Prometida, Exterminador do Futuro e A Fantástica Fábrica de Chocolate estavam sempre em exibição

Quando ele realmente começou a brincar com as câmeras de vídeo, ele percebeu que gostava ainda mais do que pensava que podia. Ele acabou tendo uma aula na sétima série sobre as formas básicas de trabalho em vídeo, após o seu professor lhe dizer que ele era bom nisso. Então ele continuou perseguindo isso.

Mark abriu sua própria empresa, Reel Bear Media, e contou com a ajuda de seus amigos e cinegrafistas John Flanagan e Lindsey Flanagan. O nome da empresa foi criado devido ao simples fato de que Mark não queria seu nome como nome da empresa. Ele combinou diferentes termos da indústria com diferentes animais e Reel Bear foi o que soou melhor. A logo da empresa, um urso laranja com dentes irregulares, foi pensado porque laranja é sua cor favorita e dentes irregulares significando que ninguém é perfeito.

No verão de 2010, depois de ter acabado de sair da escola de arte e vivendo na área de Middletown com seus pais, ele estava pronto para começar a trabalhar em sua primeira oportunidade. Um amigo dele, que estava em uma banda, estava trabalhando com uma nova empresa de camisetas em Columbus, então Mark contatou a empresa e disse que ele poderia mostrar algumas de suas experiências com vídeos. A empresa convidou Mark para gravar um evento e a primeira banda a tocar era uma banda local que a empresa de camisetas apoiava. O nome da banda era twenty one pilots.

Depois de conhecer Tyler Joseph do twenty one pilots naquela noite, eles começaram a se comunicar mais e acabaram fazendo outro vídeo naquele outono. Nos meses seguintes, eles fizeram o vídeo de “Jar of Hearts.” No outono de 2010, Mark se viu questionado por Tyler: “Ei, nós temos um quarto extra na minha casa, quer se mudar?” e em março de 2011 eles tinham começado uma websérie.

O amor de Tyler Joseph pelo trabalho de vídeo até o levou a pensar no conceito para o clipe de Car Radio lá em 2010. A ideia na época era que Tyler estaria sentado no chão de um banheiro de uma casa; ele começa a cantar a música; ele começa a raspar a cabeça; ele coloca a máquina no chão; e ele caminha pelo corredor. Nessa hora, ele queria entrar em uma sala com cerca de 100 pessoas. Em seguida, eles realizariam o breakdown [como na versão oficial do vídeo] e no final, as pessoas desapareceriam, deixando-o em casa sozinho.

A ideia de Tyler para o clipe da música tornou-se realidade quando, em 2013, twenty one pilots notou que havia lotado o LC (o pavilhão da cidade natal deles que tem capacidade para 2200 pessoas). Eles queriam aproveitar a oportunidade para gravar o vídeo. Tyler e Josh sabem que podem controlar tão bem a multidão da sua cidade natal porque eles são os primeiros fãs e estavam lá desde o início de tudo. Durante o show, eles começaram a tocar a música como o fariam e depois pararam para explicar o conceito do vídeo. Tyler então deixou o palco, colocou a máscara, e começou a rolar. Tudo em uma única tomada, com cerca de quatro câmeras diferentes, eles têm toda aquela parte onde Tyler divide a multidão pelo meio e surfa na plateia e acontece o breakdown.

Quando chegaram as filmagens, eles precisavam do show retomado como se nada tivesse acontecido. Eles gravaram o resto da produção alguns dias depois, com a ajuda dos donos do LC, PromoWest (Productions) que os deixaram ir filmar a parte onde Tyler retira a máscara, coloca no chão e cai fora do palco e depois toda a cena do banheiro.

Tudo ao longo de 2011, Mark documentou a jornada da banda com shows locais, a primeira turnê e a primeira vez esgotando um show como headliner em sua cidade natal. Não demorou muito para que as gravadoras começassem a tomar conhecimento, e em abril de 2012 twenty one pilots anunciou que tinha assinado com a Fueled By Ramen Records. Desde então, Mark tem trabalhado com a gravadora diretamente e supervisiona todas as coisas visuais da banda e fornece todas e quaisquer necessidades, tanto na documentação na estrada quanto gravando vídeos.


Antiga logo da Reel Bear Media.

Primeiramente, como a turnê australiana está indo?
É um sonho sendo realizado ser capaz de fazer o que eu tenho feito aqui na Austrália. Todos nós somos transportados para o aeroporto, entramos em um avião, somos transportados para o próximo local de show, fazemos o show, somos transportados para o hotel, tudo isso infinitas vezes. Quando a viagem é toda planejada, você tem a chance de realmente aproveitar experimentar o ambiente. Eu apreciei o clima que a Austrália tem a oferecer; saímos de Ohio com uma temperatura negativa quando hoje, em Adelaide, foi uma seca de 42,7°C. Eu amo chamar o banheiro de “the dunny” e usar o lado esquerdo da calçada.

Como você chegou a se envolver nos aspectos criativos da arte?
Eu nasci filho único e até minha mãe casar-se novamente quando eu tinha sete anos, eu tinha que encontrar maneiras de me entreter quando era hora de brincar. Foi muito natural agarrar-me aos filmes (As Peripécias de um Ratinho Detetive, Robin Hood, Um Conto Americano, A Princesa Prometida, etc). Isso me levou a recriar esses filmes cena por cena, linha por linha, sozinho com meus brinquedos. Eu tive uma segunda chance de me perder na história e nos personagens, aprender o básico do desenvolvimento da história e ser criativo.

Você disse que no começo nunca se viu fazendo coisas com bandas, em que ponto você percebeu que estar na indústria da música era certo para você?
Entrar na indústria da música simplesmente aconteceu lá no início. Eu me mudei para Columbus da minha cidade natal e conheci Tyler e aprendi sobre seu amor em unir vídeo e música. Quando os selos das gravadoras se interessaram no que a banda estava fazendo, eu estava lá com Tyler e Josh Dun com um DVD do nosso conteúdo. As gravadoras esperam que as bandas sejam uma voz online e esse DVD provou o quão bons nós já estávamos sendo, sozinhos, sem orçamentos. Se eu posso continuar trabalhando no meu emprego dos sonhos enquanto viajo o mundo e passo o tempo com meus melhores amigos, a indústria da música será sempre certa para mim.

Você já fez vídeos musicais para twenty one pilots, mas você também é conhecido por fazer muitos vídeos de bastidores. Qual é a sua parte favorita sobre a criação de vídeos sobre os bastidores?
Gravar os dias de folga é sempre divertido e gratificante, mas passar a noite encontrando a história do vídeo é a minha parte favorita. Claro, você pode compartilhar o dia de forma linear a partir da ligação do lobby para te acordar até a hora de se cobrir nas cobertas, mas isso já foi feito mil vezes; a sala de edição me permite controlar o ritmo e a emoção. Eu sei que é bom quando me perco nisso e fico sorrindo a noite toda enquanto reproduzo trechos de novo; deixando alguns quadros pausados na tela por tempo até demais. Eu sou feliz.

Qual foi o seu pior obstáculo ao longo do processo de criação?
Temo a crise inevitável. Às vezes dura um dia, às vezes 11. Infelizmente, a crise aparece aleatoriamente e, muitas vezes, me leva a questionar cada pedaço que já gravei e cada pedaço que eu ainda irei gravar. Ninguém descobriu a fórmula para matar a crise, a crise vive.

Você possui a própria empresa e com a ajuda de John e Lindsey Flanagan todos vocês criam vídeos para uma variedade de bandas. Você gosta quando seus clientes lhe dão liberdade criativa ou você gosta quando eles têm uma visão clara para o que eles querem?
Eu me orgulho de ser capaz de moldar as ideias. Ter um cliente que me traga algo para a mesa sempre facilita. Quando eu trabalhei com a banda Beartooth, Caleb Shomo e eu sentamos no estúdio dele por algumas horas apenas pulando para cima e para baixo com essas grandes ideias que foram surgindo. Eu quero trabalhar com alguém que quer que o vídeo seja o seu bebê. A visão e a animação deles me animam. Tyler e eu moramos juntos, então frequentemente temos esses momentos, nas mais ridículas horas, nas horas em que estamos sempre mais criativos. O clipe de Car Radio foi todo ideia dele. Eu trabalho com pessoas muito criativas.

Sua bio no Twitter diz que você faz todas as coisas criativas para twenty one pilots. Enquanto faz seu trabalho visual, você também está atualmente cuidando das luzes para esta turnê australiana. Como você se envolveu com a iluminação?
Luzes de circulação veio por necessidade. No final de 2011, eu estava na estrada com twenty one pilots por quase um ano e os caras começaram a ser a atração principal nos shows fora de Ohio. Como um headliner, ajuda ter um show de luzes para fazer sua banda se destacar como uma banda poderosa. Assim como Tyler e Josh, eu conhecia as músicas muito bem, então eu abaixava a câmera e comecei a ficar atrás do console de iluminação do local todas as noites, lentamente aprendendo mais e mais sobre a iluminação DMX, diferentes acessórios, consoles padrões da indústria e tal. Antes que eu percebesse, eu estava controlando um equipamento de um milhão de dólares para a tripforconcerts no outono, e posteriormente um equipamento de milhões de dólares que Paramore usa todas as noites. Chad Peters é o diretor de iluminação do Paramore e ele não tem ideia que está deixando um cara que aprendeu DMX em um porão em Ohio brincar no seu console toda noite. Chad é meu cara preferido e eu agradeço-lhe por não fazer muitas perguntas.


[FONTE]

A segunda parte da matéria com mais perguntas respondidas por Mark será postada em breve no site!


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