#TBT: Por trás das câmeras com Mark Eshleman – Parte 2

tradução de Kalinhe Linhares
e Matheus Lopes


A matéria que você vai ler foi originalmente escrita por Heather Hawke e publicada no site Decorated Youth em 23 de janeiro de 2014. Você pode conferir a matéria em inglês aqui.

Essa matéria é continuação da Parte 1, publicada há duas semanas. A primeira parte contou a história de como Mark começou a trabalhar com twenty one pilots e algumas das perguntas feitas a ele por Heather. Nessa segunda parte, trazemos todo o resto da entrevista. Você pode ler a primeira parte aqui.


Com tantos fotógrafos/cinegrafistas perseguindo suas paixões, parece que mais bandas não têm uma pessoa criativa que trabalhe com a mídia fora da estrada com eles o tempo todo. O que você acha que é preciso para se sobressair como uma pessoa de mídia criativa na estrada com uma banda?
Um dos meus primeiros mentores, Grant Peele (um diretor de Still Motion) me disse uma vez: “não há absolutamente nenhum espaço deixado na indústria criativa. Nenhum. É cheio. Mas se você é ótimo no que faz, há bastante espaço”. Há tantas bandas no mundo. Muitas. Como as novas bandas assinam com gravadoras e chegam lá? Você precisa entregar um ótimo trabalho. É mais do que ótimos equipamentos nos dias de hoje; qualquer um consegue ter em mãos uma boa DSLR (câmera digital de reflexo por uma lente) e algumas ótimas lentes. Tenha uma história melhor e filme as coisas diferentemente. Visitando o Vimeo e assistindo os conteúdos populares na primeira página me inspira. Arte inspira arte. Deixe suas emoções inspirar você. Sempre crie. Fazer, em vez de ser pedido para fazer.

Ao longo desse último ano Twenty One Pilots tornou-se uma banda conhecida mundialmente. Desde que você foi trabalhar com eles em 2010, como tem sido para você ver o progresso deles nos bastidores? Ele fica esmagador às vezes?
Os caras estão vivendo o sonho deles e ambos percebem isso e respeitam o seu palco. O sucesso da banda não faz nada além de me beneficiar, então eu tenho orgulho em estar lá a cada passo do caminho. Eu encorajo os fãs a tumultuarem os aeroportos e a ficarem do lado de fora do ônibus por horas para terem a chance de conhecer Tyler e Josh. Eu nunca me sinto oprimido. Estou feliz e mal posso esperar para conhecer Emily Osment.

Você disse antes que Tyler Joseph fica empolgado com o conteúdo de vídeo. Quando vocês dois trabalham juntos há muita sinergia? Ele vem até você com ideias para vídeos, ou você vai até ele com ideias, ou acontece das duas partes?
Eu disse Tyler inúmeras vezes que eu quero que ele olhe o lado da direção em algum momento. O cara é brilhante. Sempre que estamos nos estágios iniciais de uma grande filmagem eu levo todas as minhas ideias iniciais para ele e ele leva as suas à mim. Juntos nós construímos essa grande ideia e eu a levo para o meu quarto e começo a criar as partículas. Minha parte preferida é quando estamos realmente filmando. Tyler é muito consciente do posicionamento da câmera e como ele precisa se apresentar para passar uma emoção ou mensagem. Ele assiste a reprodução comigo e sugere movimentos da câmera e composições. Tyler me deixa melhor; eu tenho que levar meu melhor jogo quando trabalho com ele. Ele se importa.

Sempre que se trata de ideias para um clipe ou edição ou filmagem, você gosta de fazer as coisas agressivamente – fazer as pessoas pensarem “Por que isso aconteceu?” Qual é a sua rotina quando está pensando em novas ideias para os vídeos? Você gosta de estar rodeado de pessoas para estimularem ideias ou você prefere pensar sozinho?
Encontrar uma ideia geralmente acontece quando eu estou sozinho com a faixa. Isso poderia ser no meu quarto com todas as luzes apagados ou, mais frequentemente, enquanto dirijo por aí com a minha van legal. A chave é se perder no momento, achar uma ideia e então achar um novo meio de ajustar essa ideia. Diferentes partes da música (por exemplo, verso, refrão, ponte) são estudados como movimentos de câmera. A introdução ou o primeiro verso pode ser uma série de fotos estáticas, então você tem o grande salto para a parte do pré-refrão. Obviamente isso varia de cada música mas é como eu construo minha base.
Eu também tenho uma página no meu aplicativo de notas no meu iPhone que tem algumas dezenas de ideias que tenho que não são escritas direcionadas a alguma canção específica, posteriormente pode ser moldada para se encaixar em uma melodia específica; ideias que eu nunca vi antes quando se trata de posicionamento da câmera, movimentos, ações, diálogo, etc. Eu gostaria que algumas bandas indie-eletrônica pudessem chegar a mim para que eu pudesse fazer essa tal ideia que eu tive há uns três meses.

Como é ver o seu trabalho quando você está fora de casa?
É uma vitória absoluta para os meus olhos. Eu fui a uma loja da Journeys e Guns For Hands estava tocando nas TVs deles. Inacreditável. Não muito tempo atrás nós estávamos em NY para uma performance do twenty one pilots no The Morning Buzz e Car Radio estava tocando na VH1 no lobby. Meus pés ficaram plantados na frente da tela e eu apontei para o vídeo que eu tinha montado no meu quarto. Eu sou muito grato à banda por terem me acolhido e me deixar fazer essas coisas.

Como trabalhar com twenty one pilots mudou desde que você começou? Você acha que eles estão acostumados com a ideia de ter as suas vidas sendo documentadas agora?
Josh e eu sentamos juntos no voo de Sydney para Melbourne aqui na Austrália. Casualmente abri minha mochila e peguei minha câmera, coloquei na cara de Josh e filmei umas imagens alternativas dele olhando pela janela. Quando acabei, abaixei a câmera, dei uma passo mental atrás e percebi o que eu tinha acabado de fazer. O coitado do garoto estava tão cansado, tomando conta da própria vida, e eu enfiei uma câmera na bolha dele. Eu ri de mim mesmo e agradeci Josh por estar tão acostumado comigo. Eles dois são tão confiantes para a câmera que faz meu trabalho ser muito fácil. Algumas pessoas são horríveis na câmera mas meus garotos dominam isso. A única coisa que mudou é que nós fazemos isso em vários países agora.

O símbolo do twenty one pilots existe porque você e Tyler ficaram acordados até 5 da manhã tentando criar uma nova camiseta. Depois de botar alguns formatos juntos e escolher um esquema de cores, vocês tinham uma logo por acidente. Essa logo agora se tornou uma representação imensa da banda. Mesmo depois que você a fez e decidiu que seria a logo deles, você tinha alguma ideia de que ela despertaria uma reação dessa proporção?
Nós dois não pensamos tão longe. Nós só sabíamos que seria poderosa ao ponto de a logo significar twenty one pilots para todo mundo assim como os arcos dourados do McDonald’s. Depois nós encontramos a versão textual (|-/) e nos apaixonamos com a logo de novo. Crianças nas plataformas das redes sociais colocam a logo no fim dos nomes deles em seus perfis para exibir algo em que elas acreditam, algo que as ajudou. Supera essa, Miley.

Eu sei história sobre como o vídeo de Car Radio foi gravado e como Tyler tinha essa ideia desde 2010, mas quanto tempo teve entre pensar sobre filmá-lo no show esgotado no LC Pavilion e a noite em que foi realmente filmado? Foi fácil como vocês pensavam que seria com um público daquele tamanho?
Essa foi a segunda vez que twenty one pilots tocou dentro do LC. Na primeira vez nós fizemos uma gravação com várias câmeras e lançamos algumas versões ao vivo das canções que eles tocaram naquela noite, então tivemos que subir o nível na segunda vez. Eu não lembro quando percebemos que deveríamos seguir essa ideia mas foi alguns dias antes do show. Eu tinha toda a confiança do mundo de que Columbus ajudaria fazendo sua parte e ela fez. Tirando aquele garoto que decidiu se vestir como o Waldo e distraiu literalmente todo mundo no YouTube, os fãs arrasaram e fizeram o vídeo ser o que é.


*Waldo é como os Estados Unidos renomearam o personagem britânico Wally, da série Onde Está Wally?

Onde está Wally?

Apesar de vocês todos gostarem de criar os vídeos, ainda assim é bastante trabalho. Já que agora vocês cativaram uma audiência, você sente pressão parar continuar criando e lançando vídeo para sustentar a interação com fãs? Já que vocês têm que lançar esses vídeos, como vocês se mantêm inspirados?
Dá muito trabalho, mas amamos nos pressionar a continuar apresentando conteúdo para a Fueled By Ramen distribuir aos fãs online. É só um dos aspectos que fazem essa banda ser algo divertido de ser fã. Tendo isso em mente, nós sabemos que o conteúdo tem que ser bom, então pensamos fora da caixinha e fazemos algo ser melhor do que era da última vez. Não é sobre quantos vídeos postamos, mas sim sobre o que postamos.

Como vocês todos estão tentando diferenciar cada show que vocês tocam em uma mesma cidade?
Durante a turnê como atração principal, é a mesma setlist toda noite com a mesma produção e as mesmas deixas. Se Tyler e Josh estivessem performando em um lugar vazio em cada cidade, seria impossível diferenciar. Os fãs fazem isso por nós. As plateias mais barulhentas ganham um show melhor; é um fenômeno estranho.

Em turnê com twenty one pilots, teve uma noite específica com um show que se destaca na sua memória?
New York sempre faz um círculo durante “The Run and Go”, o que não faz muito sentido pra mim mas eu amo. Eu só estou contente em ver que twenty one pilots tem uma fanbase tão agressiva cheia de surfistas de plateia e gente empurrando. Detroit foi o meu show favorito de 2013.

Eu sei que uma das suas colaborações dos sonhos seria fazer um vídeo de uma música do Paramore. Agora que você e twenty one pilots está em turnê com eles na Austrália, rolou alguma conversa sobre você trabalhar com Paramore no futuro?
Deixe-me dizer apenas que Paramore é sem dúvidas o melhor grupo de pessoas que eu já tive o prazer de conhecer. Eles merecem tudo de bom que está acontecendo com eles e eu acho que a Hayley lembra do meu nome.

Você e seu amigo de longa data, Chance Humphrey, estão escrevendo o roteiro de um filme. Como as coisas estão indo?
Eu espero que possamos fazer o filme acontecer, que sonho seria. Chance é uma pessoa muito criativa que ama filmes e tem todas as habilidades para levar esse projeto em uma direção nova que não foi vista ainda em um filme independente. Nós ainda não paramos por uma semana ou duas para sentar em frente a um quadro branco anotando ideias e criando estruturas, mas ele tem escrito na máquina de escrever dele (MacBook Pro) e me enviando ideias por email. Nós nos telefonamos umas duas vezes por semana quando eu estou em casa. Nosso objetivo é terminar o script até a primavera de 2015.

Última pergunta. Com o que você vai trabalhar nos próximos meses?
Fevereiro será dedicado a turnê do twenty one pilots na Europa comigo acendendo luzes e botando a mão nas filmagens em dias de folga, uma turnê americana na primavera seguida por festivais internacionais no verão. O objetivo é fazer mais de 200 shows esse ano. Mais vídeos, também. Estou feliz por não ter uma esposa ou algo do tipo, ela odiaria isso.

[FONTE]


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