twenty one pilots na Rock Sound 50

Tradução de Brunna Lemos, Camila Pereira
e Eduardo Reis
Revisão de Kaline Linhares

Links rápidos:
Ensaio fotográfico 1 & 2 | Scans da revista

twenty one pilots foi uma das capas da Rock Sound 50, edição especial da revista com artistas de capa escolhidos pelo público. A revista vem com entrevista nova e 50 pôsteres de variados artistas mais um pôster de edição limitada para acompanhar. Confira a tradução da entrevista na íntegra:


#01 & #02: Tyler Joseph & Josh Dun
twenty one pilots

Entrevista por Ryan Bird | Fotos por Adam Elmakias

O topo da pirâmide. Os líderes da turma. O melhor dos melhores. Você votou por essa dupla mais do que qualquer um na edição de 2017 da Rock Sound 50. Eles dispensam apresentações…

Como vocês se sentem por serem os mais votados da Rock Sound 50?

Tyler Joseph: É uma honra, de verdade. Em vários aspectos, considero esse o destaque mais importante dentre todos os que recebemos ao longo dos últimos dois anos. A votação foi feita por pessoas que interagem conosco diariamente; pessoas que vão aos shows, e que investem seu tempo e energia em nós.

Josh Dun: É muito louco. Ver as pessoas se entregarem à música e serem tão influenciados por ela de forma real e humana… É surpreendente. É um privilégio ver que as pessoas nos apoiam com tanta consideração.

Vocês se identificam com a noção de serem inspirados ou influenciados pelas pessoas?

Josh: As pessoas sempre me inspiraram das maneiras mais estranhas. Quando eu era criança, meu pai e eu alugávamos vários filmes antigos do Dean Martin — adorávamos principalmente os de velho-oeste — e eu queria ser exatamente como ele. Adorava a forma como ele interpretava o personagem e como estava tão interligado a sua arte, mas com o passar do tempo senti que passei a conhecê-lo como pessoa através de seu trabalho. Com certeza carrego comigo essa noção do que é ser um personagem, e o verdadeiro sentido de se entregar à algo que se relaciona a outras pessoas. Essa é uma experiência pela qual eu certamente passei.

Tyler: Sempre me perguntam quem são as minhas influências e esperam que eu responda de uma certa forma, eles esperam uma lista de músicos ou algo assim, mas eu sou mais influenciado por pessoas. Eu sou influenciado pela minha família, eu sou influenciado por indivíduos que enfrentaram dificuldades e que se tornaram pessoas melhores ou que superaram grandes conflitos… Eu não olho para celebridades ou pessoas de um certo status e desejo ser eles. Eu encontro inspiração de um maneira bem diferente de como as outras pessoas devem encontrar.

As pessoas têm adotado vocês à vida delas de uma maneira bem rara. O nível de conexão que vocês compartilham é genuinamente inacreditável.

Josh: Às vezes é difícil ter uma noção do tamanho e importância que cada uma dessas coisas tomaram. Inicialmente, só queríamos sair, fazer alguns shows e atrair atenção o suficiente das pessoas,para que talvez elas continuassem lá depois do show para conversar conosco. O que nós descobrimos bem cedo é que as pessoas realmente queriam continuar lá, e eu lembro de ter tido várias conversas muito profundas e intensas com pessoas que acharam que a nossa música refletia, verdadeiramente, neles mesmos, ou até as performances em si.

Eu sempre achei que ali foi o mais longe que poderíamos chegar, mas com o passar do tempo parece que fomos cada vez mais além disso. É algo que não precisa mais nos envolver diretamente. Seja nas filas dos shows ou em algum lugar online, as pessoas estão tendo esse tipo de conversa entre si.

Tyler: Essa conexão é algo que sempre quis. Eu não sabia exatamente o que estava fazendo quando comecei a escrever músicas, eu só fiz de tudo para ser transparente sobre o que eu estava sentindo. Honestamente, pareceu ter ressonado; isso desafia as pessoas a relacionar o que eu estava sentindo em suas próprias situações e circunstâncias. Escrever sobre coisas que só se aplicam a mim — sobre cenas, sobre palavras, sobre coisas que não fazem sentido para mais ninguém — não me satisfaz. Eu sempre me sinto vazio quando escrevo sobre coisas que parecem só se aplicar a mim, parece não ter sido feito para ser compartilhado. Eu quero viver o mais externamente possível.

Essa conexão, esse nível de influência… Precisou vir com muita pressão?

Josh: Eu tenho três irmãos mais novos, então essa ideia de ser um bom exemplo, ser responsável e cuidar de pessoas é algo que conheço bem. Eu sempre me senti o pioneiro da família em vários sentidos diferentes, tentando clarear o caminho para aqueles que o seguem. Isso não significa que eu sempre fui o melhor exemplo e que nunca fiz coisas idiotas — não necessariamente para os meus irmãos, mas talvez perto deles — e isso pode ser um pouco constrangedor ou frustrante. Eu deveria fazer o melhor, sabe? Eu deveria já ter respostas para essas coisas; eu deveria mostrá-los o caminho. Eu aprendi muito, mas atribuo isso aos fãs do mesmo jeito que atribuo várias outras coisas aos meus irmãos. Eles nos responsabilizam, ou melhor, eles nos tornam responsáveis.

Tyler: Às vezes eu não quero acordar e ser aquela pessoa que tem outras observando-a. Esses são os dias em que eu só fico no quarto, mas tudo bem. Tudo bem parar para recarregar, tudo bem se afastar um pouco e respirar. Eu sinto que saber quando se afastar faz parte de ser responsável. Como o Josh, eu sou o mais velho de quatro crianças, então estou ciente da expectativa. Eu estou acostumado a ver pessoas me assistindo; estou acostumado a ver pessoas aprendendo comigo e com o que eu faço. Honestamente, a maneira mais fácil de manter o controle é não se encher de coisas. Quando nos pedem para ir a premiações, para aparecer na TV, para tirarem fotos nossas… Eu só recuso.

Quando você leva em conta o tamanho e o perfil dessa banda, é perceptível que a nossa relação de exposição é mínima. Eu não faço questão de ter mais atenção do que já tenho atualmente.

Quando duvidam da sinceridade do que vocês fazem, vocês se sentem afetados?

Tyler: Muitas pessoas, particularmente no setor pop e dominante, têm essa ideia de como a banda surgiu. Normalmente é bem superficial, como se a gravadora tivesse inventado isso e tivéssemos pessoas escrevendo músicas para nós, e que somos apenas dois caras jovens que eles acharam e juntaram para tocar de tudo… Essa é uma percepção bem comum entre pessoas do mundo da fama. Mas eles não sabem o que nossos fãs sabem; eles não sentem a autenticidade. Eu nunca compus uma música com outra pessoa antes, muito menos tive ninguém pra escrever pra mim. Às vezes eu quero gritar isso bem alto. É tipo: “Vocês não conseguem entender? Não entendem que isso não é apenas uma fórmula? Isso é real, e as pessoas são atraídas a isso porque é real.” Alguém duvidar disso… É inquietante.

Pôster de edição limitada que acompanha a revista.

Acham que as pessoas ficariam surpresas em saber o quanto elas influenciam vocês, e não o inverso?

Tyler: Nossa… Não posso nem começar a te dizer o quanto isso é verdade.

Josh: Pra mim, isso meio que nos leva de volta para o que eu estava falando antes, sobre a noção de ser um irmão mais velho e ter que dar o exemplo. Há dias em que simplesmente não quero fazer essas coisas. Há dias em que não quero sequer interagir com meu irmão ou minhas irmãs, há dias em que não quero ser uma boa influência, mas eles me impulsionam para ser. É isso que não só minha família, mas também nossos fãs mais me dão: esse impulso subliminar para ser o melhor que eu puder. Nossos fãs me dão tanto e tantas oportunidades incríveis na vida, e tudo se origina da dedicação e paixão deles. Seja música, desenhos, pinturas, poesia… Eles me inspiram diariamente. Passo tanto tempo no meu celular me perdendo em tudo isso, só vasculhando por todas essas obras de arte incríveis e lendo o que as pessoas dizem. Eles realmente me inspiram; me fazem querer ser uma pessoa melhor.

Tyler: Há sempre um objetivo em mente quando se trata de escrever uma música, e geralmente é consertar um pedaço de mim, ou me melhorar em algum aspecto, mas é nas outras pessoas que eu mais penso. Quando toco em frente a um público, quando as pessoas ouvem e aquelas emoções retornam… É quando me sinto vivo. A importância de nossos fãs e o que eles nos dão, e como me fazem sentir, não pode ser subestimada. É por causa deles que me esforço para fazer mais. Eles influenciam tudo, até o jeito como a música é escrita. Estamos escrevendo música agora e há pausas e momentos que não fazem sentido estruturalmente, mas eu preciso desses momentos porque quando tocá-los ao vivo quero que as luzes acendam para que eu veja as pessoas. Quero que esses momentos existam por causa dos fãs.

Quais são as maiores lições que vocês aprenderam nos últimos dois anos?

Tyler: Você nunca vai encontrar as calças certas! Sinto como se nunca fôssemos encontrá-las, então deveríamos todos parar — elas não existem. Pode-se dizer que isso é algo em que penso demais, provavelmente porque eu passo muito tempo no palco com pessoas me olhando. Josh e eu estávamos falando sobre isso outro dia e ele decidiu que se eu fosse fazer qualquer tipo de projeto solo eu seria conhecido como Calças Joseph, porque eu simplesmente não paro de falar sobre elas. Eu sinto como se tivesse aprendido muito no último ano, mas nada tão claro e concreto como isso.

Josh: Acho que o jeito como as pessoas entendem o que você fala tem sido algo ao qual realmente tive que me ajustar. Tyler e eu sempre tivemos muitas piadas internas — muitas brincadeiras, se preferir — e às vezes essas coisas não são entendidas. Queremos ter certeza de que todos se sintam amados e aceitos, e acho que tivemos de aprender que muitas coisas com que fazemos piadas, ou falamos sobre e o jeito como falamos sobre elas, pode não ser tão clara para outras pessoas. Definitivamente temos a responsabilidade de sermos claros e atenciosos em tudo que falamos, e aprendemos muito isso nos últimos dois anos. Amadurecemos muito por causa disso.

Vocês ainda têm objetivos dentro de vocês? Ainda existem coisas que estão se esforçando para aprender, e melhorar?

Josh: Sinto como se tivesse passado grande parte da minha vida resistindo à oportunidade de aprender coisas novas ou me aprimorar de algum jeito. Até quando era criança lembro de meus pais me dizendo que eu tinha que fazer tantas coisas — tinha que ir à escola, ao treino de futebol, ao acampamento de verão —  e nunca quis fazer nenhuma dessas coisas. Mas toda vez que eu fazia, acabava gostando delas; toda vez que o acampamento de verão terminava, eu não queria ir embora, mesmo eu não querendo ir no início. Essas foram as experiências que realmente me fizeram crescer, mas agora que sou adulto, não há nada que eu tenha que fazer se não quiser. A única pessoa que pode me impulsionar agora sou eu mesmo, então estou tentando fazer várias coisas que nunca realmente quis, ou pelo menos nunca considerei fazer. Talvez eu queira aprender a tocar mais instrumentos ou diferentes partes de composição de música, ou talvez eu queira aprender um esporte novo… Sempre há algo novo para experimentar e algo para aprimorar. Isso é o que mais me anima, sentir que há muito mais por vir.

Tyler: Eu sinto como se tivesse muitos objetivos, tanto pessoal como musicalmente, mas de um jeito em que todos se conectam. Acho que sempre sou cauteloso sobre como me permito evoluir, e sobre como me permito sentir sobre certas coisas. Não quero nunca me tornar alguém tão obcecado com desenvolvimento de forma que me torne infeliz, ou insatisfeito com as coisas que fiz, ou as coisas que escrevi anteriormente. Não quero enxergar nada que já fiz como algo sem valor. Vejo muitos artistas ficando frustrados, tentando se distanciar de certos aspectos seus passados e outras coisas, e espero nunca me sentir assim sobre algo. Espero nunca sentir a necessidade de me reinventar, ou olhar para trás e desejar que as coisas fossem diferentes. Espero que possa continuar estando satisfeito.


A Rock Sound não é vendida em lugar algum do Brasil, mas é possível adquirir a revista online pelo site oficial: shop.rocksound.tv. Com frete para o Brasil tudo sai por volta de R$40.

twenty one pilots já esteve na capa da Rock Sound diversas vezes, você pode encontrar todas as matérias que nós já traduzimos aqui.


Acompanhe-nos também nas redes sociais:

• Facebook: facebook.com/mutantkidsbr
• Twitter: twitter.com/mutantkidsbr
• Instagram: instagram.com/mutantkidsbrasil
• Canal no YouTube: youtube.com/c/mutantkidsbrasil
• Galeria de fotos: mutantkids.com.br/galeria
• Grupo de fãs no Facebook: facebook.com/groups/mutantkidsbrasil

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *