#TBT: Tyler Joseph explica as faixas do Vessel (Parte 2 de 3)

por Kaline Linhares
Tradução de João Victor, Brunna Lemos
e Giovanna Resende
Revisão de Matheus Lopes

Um mês após o lançamento do Vessel, foi lançada a versão com comentários “faixa por faixa” do álbum, exclusivamente no Spotify, onde Tyler Joseph revelou os detalhes por trás de cada música. Confira abaixo a tradução dos comentários da segunda metade do álbum.

Essa matéria é a continuação da Parte 1, que você pode ler aqui.

*A transcrição foi editada para maior clareza.


“Screen” é uma música que eu também compus no ukulele, o que é interessante. Eu nunca quis ser “o cara do ukulele”. Eu não quero que uma música defina minha carreira como compositor, sabe. Então toda vez que escrevo uma música para ser tocada no ukulele, penso “Espero que isso não vire um hit, porque eu não quero ser o cara do ukulele”. Mas essa música, “Screen”, é… Eu sempre imaginei as pessoas cantando essa música junto comigo, nunca imaginei sendo diferente disso. Mentalmente, tem sempre um grupo de pessoas, e é por isso que tem essa batida alegre e é muito diferente da maioria das outras músicas do álbum, mas qual música não é? Sabe, eu realmente não quero ninguém antecipando o que virá depois. Eu não sei por que qualquer compositor iria querer isso. Mas “Screen” é uma das minhas músicas favoritas de tocar ao vivo. Ela é pura. Eu gosto disso.

“The Run and Go” é uma música que eu escrevi no estúdio enquanto estávamos gravando nosso álbum. Tem muitas pausas quando se grava um álbum, seja esperando alguém afinar a bateria ou esperando o produtor trabalhar em outros tons e editar coisas. Então eu passei muito tempo no piano durante essas pausas — e, na verdade, voltando a falar de “Migraine”, eu compus grande parte dela naquele piano. Eu escrevi “The Run and Go” naquele piano também. Foi meio que uma ideia totalmente nova trazida a todo mundo do processo de gravação.

Ao compôr uma música, eu me coloco em algum lugar mentalmente. Eu penso, “Onde eu quero tocar essa canção?”. E eu sempre me imaginei tocando uma música como essa em um show no estilo de um festival onde, obviamente, tem uma tonelada de pessoas. E eu não sei se você já percebeu, mas eu tenho uma imaginação bem louca e meus sonhos são bem grandes, mas essa é uma dessas músicas que eu me imagino tocando no meio do dia — porque nós não somos tão grandes assim ainda, não estamos tocando no turno da noite em festivais, mas está tudo bem, ainda conseguimos ser incríveis durante o dia, sabe. Mas “The Run and Go” é uma dessas músicas que eu espero tocar durante um festival de dia.

Eu estava realmente ansioso quando comecei a escrever “Fake You Out”. Eu acho que a melodia dentro dos versos é uma das minhas melodias favoritas quando vai pro falsete. Muitas vezes eu sinto que os compositores ficam com preguiça quando o assunto é a melodia dos versos. É como se pensassem, “Esses são os meus versos e essa é meio que a parte na qual as pessoas esperam pelo refrão.” E eu sempre pensei tipo, “Por que não fazer a melodia dos versos ser tão contagiante quando o refrão?” Então eu estou orgulhoso dessa música nesse sentido. E também, ela faz toda a mistura de gêneros musicais que está fazendo todo mundo surtar. De verdade, eu não sabia que existiam regras para escrever músicas, então eu só trabalhei em transicionar de um gênero para o próximo. Eu queria ouvir uma música que fizesse isso. Eu nunca ouvi uma música fazer isso antes, e eu queria ouvir algo assim, então eu fiz. E essa música é chamada “Fake You Out”.

Então tem “Guns For Hands”… Não me aprofundo muito especificamente no conteúdo lírico porque, primeiro, eu obviamente quero que essa música signifique algo para alguém e não quero arruinar minha definição dela, mas também, ela significa muito para mim. Às vezes é difícil falar exatamente sobre o que eu estava passando naquele momento e tentar explicar a letra da música, porque só quero ouvi-la. Eu estou dizendo exatamente o que estou tentando dizer na música, explicar o que estou tentando dizer em outro contexto é um pouco estranho pra mim. Mas, com “Guns For Hands” especificamente, gosto de falar sobre o que a música está tentando dizer.

Houve um show em especial no qual essa música foi inspirada. Estávamos fazendo um show em Cincinnati, Ohio, e era meio que um galpão cheio de crianças, e depois desse show houve um número um pouco incomum de pessoas que vieram até mim e se sentiram dispostas a compartilhar comigo as coisas pelas quais estavam passando. Sabe, muitas de suas dificuldades… Seja depressão ou pensamentos suicidas, muitas coisas nesse sentido. E apenas pensei, “Nossa, eu estou em um núcleo de crianças passando por essas coisas e isso é só uma proporção absurda de todo mundo sofrendo com isso?” Então me lembro que, não muito depois daquilo, eu estava em Nova York e passei por uma pizzaria ou algo assim, e vi uma revista que estava na entrada, esse grande artigo sobre essa cidade específica de Nova York que tem muitas crianças na faixa etária do ensino médio passando por muitas das mesmas coisas. E percebi que isso não é apenas um evento isolado, há muitas crianças por todo o país — até pelo mundo — que estão sofrendo com as perguntas que têm, sabe, “Qual é o sentido?”, “Qual é o meu propósito?”, “Por que estou aqui?”. E quando você não tem as respostas para essas perguntas, às vezes isso pode te levar a fazer algo que, no fim das contas, não deveria fazer.

Então “Guns For Hands” é sobre eu querer te dizer que eu sei que você tem a capacidade de machucar a si mesmo. Você tem. Você tem essa capacidade. Sinto que muitos da geração mais velha, quando ouvem sobre alguém sofrendo com isso, reagem dizendo “Não, você não está sofrendo com isso. Não pense nisso, pense em outra coisa. Você está apenas querendo chamar atenção.” Mas essa música estava realmente tentando dizer “Ouça, eu sei que você tem a capacidade de machucar a si mesmo. Reconheço isso, mas vamos pegar essa energia e apontar para outra coisa, vamos desviá-la, vamos meio que deslocar esse ímpeto e olhar para algo como arte, ou algo como essa música especificamente, ou até apontar para mim, sabe, apenas aponte para qualquer lugar, mas não aponte para você mesmo.” Então é isso que essa música está dizendo e essa música sempre vai ser importante pra mim. E eu não sou um profissional nesse tópico, mas escrevo músicas, e sinto que alguém deveria dizer algo sobre isso.

A música “Trees”… Essa é uma das músicas que nós tocamos quase no fim do nosso set e Josh e eu estamos, geralmente, bem cansados nessa hora, então apenas tentamos colocar todas as nossas forças nisso. Josh e eu conversamos sobre isso, e “Trees” é uma dessas músicas que praticamente nos dá um novo fôlego. Não sabemos nem de onde a energia vem, sentimos como se não tivesse mais nada e então tocamos “Trees” e algo a mais entra em jogo. E é por isso que essa é uma das minhas músicas favoritas para tocar ao vivo na frente de pessoas que conhecem a música. É realmente divertido pra gente — é divertido escutar pessoas cantando aquelas palavras para mim, para elas mesmas e para todo mundo, e é uma dessas músicas que você tem que entregar o show de volta pra plateia e falar “Esse é o seu show, façam o que quiserem com ele.” Eu já vi muitas pessoas abraçarem essa música e ela é uma das minhas favoritas pra tocar ao vivo.

Essa música, “Truce”, meio que se aprofunda no meu lado mais calmo de composição, com o qual na verdade tenho experiência — sabe, estive no lado calmo da composição por muito tempo e gosto muito, só nunca pareceu que havia um lugar para ele nesse álbum que não fosse perto do fim do CD. Isso meio que mostra minha maturidade como compositor, sabe, quando você tem quantas opções quiser. Quando sento no teclado, tenho qualquer opção — posso fazer a música fazer isso, posso transformá-la naquilo, e muitas vezes uma das primeiras coisas que se aprende como compositor e como programador é paciência; ser capaz de desacelerar as coisas e não adicionar ideias demais. Obviamente, você poderia olhar para o álbum e dizer “É, você não fez um bom trabalho nisso.” Desculpe-me, mas a música “Truce” é legal porque sou só eu e o piano. Lembro que quando estava conversando com meu produtor sobre como queríamos que o piano soasse, ele definiu melhor, dizendo “Quero que o piano soe um pouco distante, como se estivesse atrás de várias camadas de cortinas ou algo assim,” então meio que conseguimos um som que é um pouco sinistro e não tão perto de você, para dar aos vocais o espaço para realmente dizer o que está tentando dizer. E “Truce” é uma daquelas músicas que eu queria que passasse essa mensagem para as pessoas, “Aguente firme, há alguém lá fora que sabe pelo que você está passando.” Sei que há muitas bandas que dizem que querem usar a música para ajudar pessoas e sei que muito disso pode ser mentira. Mas se alguém é encorajado, de algum modo, pela música que escrevo, então minha vida inteira vai ser justificada. Assim, seria loucura não tentar. Então essa música se chama “Truce” e fecha o álbum adequadamente, eu acho.


Demorou mas saiu, né? Ainda teremos a terceira parte das explicações, que são declarações mais curtas que complementam esses comentários. Então fiquem de olho nas nossas redes sociais, porque além disso temos dois vídeos do Tyler Joseph explicando as faixas do Vessel!

Lembrando que essas matérias são #TBT, então serão postadas apenas nas quinta-feiras!


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Um comentário em “#TBT: Tyler Joseph explica as faixas do Vessel (Parte 2 de 3)

  1. Mano, muito bom a forma como ele interpreta todas composições de forma “enigmativa ” não sei acho que inventei essa palavra?
    Mais tøp por favor LANÇE SEU NOVO DISCO.

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