twenty one pilots na Rolling Stone Itália: a fuga continua

Josh e Tyler falam sobre o começo da nova era, o simbolismo da cor amarela e o que mudou ao longo dos anos

tradução de Carolina de Melo Ruppini
revisão de Matheus Lopes
Foto de Adam Elmakias

Ontem (7 de outubro), a revista Rolling Stone publicou uma entrevista feita com twenty one pilots após o show “A Complete Diversion” em Londres no dia 12 de setembro. A matéria foi escrita por Michele Bisceglia. Na entrevista, Josh e Tyler falaram sobre a pausa entre as eras Blurryface e Trench, o retorno aos palcos, o simbolismo das fitas amarelas, passado, futuro e Russell Crowe.

A matéria foi bastante comentada nas redes sociais por conta de um trecho no qual a entrevistadora pergunta a Tyler se eles planejam gravar mais uns três álbuns nos próximos 10 anos, mas Tyler respondeu com “Não, apenas um. Mas com 40 anos tocaremos melhor ainda.” Tyler disse em outra entrevista que o álbum Trench é como uma ponte entre dois lugares, o que junto a essa nova entrevista levantou teorias entre fãs de que após esse álbum ou o próximo a banda pode fazer uma pausa bem maior do que a de 2017 e 2018.

Não esqueça de ouvir o álbum Trench nas plataformas oficiais e de seguir a MKBR nas redes sociais para não perder as novidades! Em breve postaremos uma matéria com todas as letras e traduções do novo CD.


Em Londres, com o duo alternativo (“mas alternativo apenas à música ruim”), entre carros em chamas no palco e os fãs fora de si. Porque Josh e Tyler, prontos para celebrar o novo triunfo de Trench, encontraram a fórmula para o sucesso. Apesar das discussões sobre Russell Crowe.

“Um carro em chamas? Eu não vi isso! Realmente tinha um carro em chamas no palco?!”, Tyler Joseph brinca, enquanto recapitulamos os destaques da noite anterior, o primeiro show de twenty one pilots depois de mais de 12 meses longe das cenas. Um ano durante o qual ele e seu parceiro, Josh Dun, excluíram todas as mídias sociais de seus smartphones e escolheram o silêncio: nada de Facebook, nada de Twitter, nada de Instagram, para se concentrarem em escrever e gravar o novo álbum, Trench.

Mas eles realmente se desconectaram completamente? “É claro que, de vez em quando, checávamos as nossas redes sociais: não era um apagão total, mas quase.” E agora eles estão aqui, em um quarto de hotel em Londres, depois de um primeiro show de aquecimento – fogo e chamas – no palco do Academy Brixton (tudo esgotado, como já esgotaram seu show agendado no Unipol Arena Bolonha, no próximo dia 21 de fevereiro). “Estávamos nervosos, foi um pouco como voltar à escola depois das férias de verão”, diz Josh. “Acontecia comigo no ensino médio: eu pensava que não conseguiria falar com nenhum dos meus colegas de classe e, em vez disso, após o intervalo, percebia que tudo estava exatamente como no ano anterior.”

Mais uma vez, eles passaram de ano com as notas mais altas dadas pelos fãs que, na fila e na plateia, têm todos um pedaço de fita amarela colado neles. O que aquela fita colorida significa? “Temos que ir fundo para explicar”, Tyler responde pensativo. Então mergulhamos em Trench, o quinto disco de twenty one pilots: “Trench é um lugar selvagem, imprevisível: um lugar entre Dema, uma cidade controlada por governantes que manipulam quem vive lá, e o mundo exterior, o desconhecido, livre. Eles perseguem aqueles que tentam escapar, e as pessoas que fogem usam fita amarela, uma cor que os predadores não conseguem ver: é, portanto, uma maneira de se comunicar com outras pessoas em fuga, um sinal de união”.

Em uma época de streams em que as músicas são ouvidas só uma vez e já são descartadas e de rejeição quase total da complexidade, Trench é um álbum conceitual, caminho já conhecido por twenty one pilots com Blurryface – disco que triunfou com cada música certificada com pelo menos o Disco de Ouro nos EUA, um recorde absoluto: “Trabalhar em um álbum inteiro em um mundo liderado por singles é certamente uma operação arriscada. Mas, em vez de seguir a moda da semana, preferimos convidar os fãs a mergulhar no álbum, esperando que eles apreciem e compreendam o trabalho feito em um ano.” Claro, já que as músicas de Trench foram escritas e gravadas a partir de junho de 2017, principalmente no porão de Joseph, “o conceito surgiu há muito, muito tempo”, e ficou um bom tempo dentro de sua cabeça.

Vamos voltar um pouco para a experiência do fogo – o carro pegando fogo – parte integrante deste conceito, e o primeiro show da nova era de twenty one pilots, à espera da Bandito Tour: “Além de não vê-lo, eu estava muito concentrado por medo de me queimar!”, admite Tyler. “Eu estava sempre em um carro incendiado!” Mas quanto custa queimar um carro todas as noites? “Mesmo se nós não o incendiarmos realmente, e é sempre o mesmo para todos os shows, é muito caro projetar algo desse tipo. Eu nunca vou te dizer o quanto, mas… Agora ganhamos dinheiro suficiente para fazer isso.”

O Skeleton Clique (os fãs mais dedicados de twenty one pilots) é composto de jovens, a maioria adolescentes, e muitos deles são acompanhados aos shows pelos pais, que parecem apreciar com sinceridade os shows. Voltando no tempo, Tyler e Josh responderam se lembram de terem ido ver o grupo favorito deles junto da mãe e do pai. “Nossos pais não eram muito de ir em shows, então não descobrimos tanta música por causa deles”, responde Josh, um pouco sombrio. E qual foi o primeiro show na vida dos dois membros de twenty one pilots? Tyler: “DC Talk, foi a turnê do Supernatural. Fim dos anos noventa. Muito incrível.” Josh: “Eu não me lembro, talvez John Reuben.”

O primeiro é um grupo, o segundo é um solista, ambos rotulados sob o nome de rap cristão, porque tanto Tyler quanto Josh vêm de famílias profundamente crentes. Mas twenty one pilots nunca foi chamado de um grupo cristão, e é difícil encontrar uma definição para sua música. Hip-hop alternativo, rock alternativo, pop alternativo, dizem no Spotify, Tidal, Wikipedia… “Nós somos talentosos, é claro”, Tyler responde secamente e divertidamente. Apesar das brincadeiras, eles se sentem alternativos a algo, considerando também seu incrível sucesso comercial? “Alternativo à música ruim.” Então ele fica sério: “Nós nunca decidimos fazer um certo gênero, nem definir a música que fazemos. Não há fronteiras para nós.”

Tyler e Josh tocam juntos desde 2011. O primeiro – membro fundador do grupo – é cantor, tecladista, baixista e frontman; o segundo, ao invés disso, é o baterista, a força condutora da banda. Entre infinitas turnês esgotadas e maratonas promocionais, eles sempre se dão bem? Nenhuma briga? “Raramente, mas acontece de brigar.” Ok, o motivo da discórdia? Tyler: “Russell Crowe. Josh não gosta dele e para mim isso é um problema.” Josh: “Mas não é verdade! Eu te disse que mudei de ideia, entendi que não havia razão para odiá-lo.”

Josh fez 30 anos, Tyler também fará aniversario em dezembro. Como é dizer adeus aos 20 anos? “Tem uma grande diferença entre os 20 e os 29, nós aprendemos muitas coisas nesses últimos anos”, responde seriamente Josh. Mas quando vocês eram crianças, o que pensavam de alguém de 30 anos? “Um velho!”, ri. “Mas agora é realmente um belo desafio continuar a fazer aquilo que começamos com 22 anos.” Com 40 anos vocês ainda se veem aqui? “Nesse quarto de hotel?”, rebate Tyler: “Sim, eu adoraria. Mas precisaríamos gravar algumas coisas, muito trabalho.” Bem, quantos álbuns vocês pensam em gravar nos próximos 10 anos? Três? “Não, apenas um. Mas com 40 anos tocaremos melhor ainda.”


Agradecimento especial a nossa amiga Carol que ajudou com a tradução do italiano para o português e dedicado ao nosso amigo Victor que estava animado aguardando a tradução.

Sobre a declaração de Tyler de só planejar um álbum nos próximos 10 anos, só temos uma coisa a dizer:


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