twenty one pilots fala sobre Trench e a verdadeira identidade do Blurryface

tradução de Rodolfo Silva
revisão de Maria Anita e Eduardo Reis

Em entrevista para a Music Feeds, Josh e Tyler falam sobre o significado de seu novo álbum, Trench, e qual a ligação dele com o seu antecessor, Blurryface.


O duo de Ohio, twenty one pilots (Tyler Joseph e Josh Dun), acaba de lançar seu aguardado álbum Trench. Já disponível, o álbum é o primeiro disco completo do duo desde o descontroladamente bem-sucedido Blurryface de 2015, que foi o primeiro álbum da história a receber disco de ouro, ou mais, para cada. uma. das. faixas.

O Blurryface em si é três vezes multi-platina e contém singles como “Ride” e “Stressed Out” (o qual ganhou o Grammy de Melhor Pop Duo/Group Performance em 2017 e acumulou quase 100 milhões de reproduções no Spotify).

Nos encontramos com Josh e Tyler, antes de sua turnê australiana em dezembro, para conversar sobre as lendas de Trench, o processo de composição do álbum e a verdadeira identidade de Blurryface.

Music Feeds: Como vocês abordaram a composição de Trench?
Tyler Joseph: Ele foi escrito no meu estúdio, no meu porão, então foi tudo em casa. Foi tudo muito pessoal, então acho que isso foi muito importante para nós ao continuarmos. Ao invés de ser um projeto que envolvia muitas pessoas, nós o mantemos bem íntimo e do jeito que sempre fizemos isso, que é perguntando a nós mesmos “Nós gostamos disso?” e foi assim.
Eu sentia muita vontade de pegar o baixo enquanto escrevia cada música. No passado, enquanto eu aprendia a tocar piano sozinho, eu encontrei animação e inspiração em um novo instrumento, e foi o mesmo com o baixo nesse álbum. E eu acho que se você entra nesse processo pensando assim ou notando isso, então você consegue ver evidências disso.

MF: Existe um enredo ou tema predominante no álbum?
TJ: Sim, definitivamente. O álbum se chama Trench, e Trench é um mundo, um lugar que é repleto de árvores e pedras, territórios inexplorados e terrenos selvagens. E, bem na parte inferior do mundo, tem uma cidade chamada Dema. Dema é a cidade que, nesse álbum, nessa narrativa, eu sou de lá e eu sinto a necessidade de escapar, de deixá-la e, mais do que qualquer coisa, o álbum representa esse sentimento.
Quando você está viajando dentro de Trench é similar a estar em um lugar e querer sair, seja trabalho ou escola, ou alguma fase da vida; é algo que eu acredito que muitas pessoas conseguem se identificar. A narrativa está tentando descrever algumas dessas emoções que algumas pessoas poderiam sentir ao viajar em suas próprias jornadas.

MF: Essa ideia veio de algum momento que você se sentia assim naquele tempo? Tipo, você estava lidando com essa sensação de estar num lugar e querer sair?
TJ: Sim, absolutamente. Eu acho que já senti isso no passado, mas mais importante, eu senti isso quando estava compondo o álbum — essa ideia de estar entre o último álbum e o que é esse novo álbum. Entre uma música e outra. Eu me senti muito assustado, meio selvagem.
Acho que quando você assistir aos clipes e ver como nós representamos o mundo de Trench, é definitivamente uma representação de como nós estávamos nos sentindo quando estávamos entrando nessa necessidade de compor um novo álbum.

MF: O nome Nico é mencionado em “Morph” e de novo em “Nico and The Niners”. Ele é um personagem recorrente no álbum?
TJ: Sim, Nico é um personagem muito importante no álbum. Nico é um dos nove bispos que governam a cidade de Dema — presta bem atenção agora — O nome verdadeiro dele é Nicholas Bourbaki e este álbum é basicamente uma continuação de Blurryface.
No último álbum, Blurryface era um personagem que representava insegurança, e quanto mais você aprende sobre essas inseguranças, quanto mais você aprende sobre esse personagem, mais controle você ganha sobre essas coisas para usar no jogo de guerra que acontece na sua mente. Com este álbum sendo uma continuação disso, uma das coisas que eu sabia que queria fazer era descobrir o verdadeiro nome do Blurryface, e o verdadeiro nome do Blurryface é Nicholas Bourbaki.

MF: Que interessante! Eu li que vocês filmaram o vídeo de “Nico And The Niners” na Ucrânia. Por que lá?
TJ: O diretor do vídeo já tinha explorado aquele lugar um tempo atrás, e enquanto nós descrevíamos para ele a narrativa e como Dema era, foi nesse lugar que ele pensou imediatamente com o tipo de arquitetura e todas as coisas. Sentimos que a Ucrânia fez um excelente trabalho em representar o que eu tinha em mente quando estava criando estes mundos, então fez sentido.
Além do mais, eles não param para almoçar. Eles comem enquanto trabalham, o que significa que poderíamos aproveitar mais dos ucranianos.

MF: Sério?
TJ: Não. Eu acabei de inventar isso!

MF: Teve alguma música no álbum que foi particularmente difícil de compor?
TJ: De certa forma, todas me destruíram completamente. A música chamada “Legend”, quase no final do álbum, é sobre o meu avô que morreu esse ano e eu estava escrevendo ela enquanto ele estava doente. Ele estava começando a piorar e, quando eu cheguei no último verso, ele tinha morrido. Então dá para você sentir isso cronologicamente acontecer na letra da música, que sempre será especial para mim.

MF: Quais músicas de Trench vocês estão mais ansiosos para tocar ao vivo ou mostrar para o mundo?
Josh Dun: Oi, aqui é o Josh! Tyler falou que eu posso responder uma pergunta, então eu vou responder essa.
TJ: [no fundo] Responda, mas seja rápido!
JD: “Morph”!
TJ: [rindo no fundo]
JD: Eu acho que… É difícil, porque eu gosto de todas as nossas músicas e eu gosto de tocar todas, então estou ansioso para tocar muitas delas. Mas eu acho que “Morph” será um desafio. É um pouco diferente de tudo que já fizemos, especialmente no contexto de bateria. Eu acho que vai ser divertido descobrir como tocá-la ao vivo.

MF: Quais artistas vocês estão ouvindo no momento?
TJ: Eu estou ouvindo o novo álbum de Death Cab For Cutie.
JD: Eu não acho que eu esteja ouvindo nada em particular… ou, Trench.
TJ: Você está ouvindo o nosso álbum?
JD: Estou ouvindo Trench. Eu passo por fases às vezes onde eu estarei viciado em um álbum, depois eu não escuto muita coisa e depois eu escuto várias músicas. No momento, eu não estou ouvindo muita coisa.

MF: Vocês consomem outros tipos de mídia durante esses momentos?
JD: Sim, acho que sim. Às vezes eu escuto podcasts ou nada.
TJ: É possível escutar o nada?
JD: Cara, essa é uma boa pergunta.
TJ: É possível tocar em um buraco?
JD: Não dá para tocar em um buraco.
TJ: Hmm, essas são as coisas que nos mantêm acordados à noite.
JD: Acho que não dá para ouvir o nada. Bom argumento.

MF: Você tem alguma recomendação de podcast?
JD: Tem um podcast chamado “Lore” (Lenda, em tradução livre) que é muito legal. É tipo folclore e é bom para ouvir enquanto está dirigindo ou algo do tipo.
TJ: Aí tem a lenda do rock pesado, a lenda do R&B, todos os gêneros musicais.
JD: [ri]


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