#TBT: Vida fora do palco com twenty one pilots

Publicado por Mutant Kids Brasil - Arquivada em 2014

Nessa segunda matéria do projeto #TBT, trazemos uma matéria escrita por Josh Dun em fevereiro de 2014 para a Thought Catalog onde ele fala sobre a experiência de fazer parte de uma banda.

Escrito por Josh Dun
Tradução de Manoela Freitas
Revisão de Kaline Linhares e Matheus Lopes


Fui convidado pela sensação da internet, bonitão e fenômeno do twitter Rob Fee para escrever algumas palavras sobre aonde a jornada da música pode te levar, longe da perspectiva dos palcos. Não falando apenas sobre Rob, mas o motivo pelo qual comecei a segui-lo na mídia, em primeiro lugar, é pelo modo como ele utiliza as plataformas sociais. Muitas vezes é difícil para mim seguir outros músicos online, pois, tipicamente, são sempre as mesmas coisas. “Está preparada, Dallas? Vamos endoidar!” Mandar. Tweetar. NÃO! EU NÃO MORO EM DALLAS OU EM QUALQUER LUGAR PERTO DE LÁ, EU NÃO ME IMPORTO! É sempre isso ou algo como “Ficando bêbado com Billy no nosso dia de folga.” Acho que se essa é a imagem que você quer que tenhamos da sua vida pessoal ou profissional, então que bom para você, mas não espere que eu te siga. Com isso dito, serei o primeiro a admitir: Twitter é difícil. Em qualquer estágio da vida, não importa seu trabalho, independente de quantos seguidores você tem, é bem difícil retratar você mesmo online com o cabo de guerra existente entre o que as pessoas querem ouvir de você e o que você realmente quer dizer. Há um bom equilíbrio, mas eu sei que, como alguém que viaja muito, eu vou ao Twitter e Instagram mais para experimentar e sentir/estar conectado com os amigos e família… E se não for para isso, então, pelo menos, para dar umas boas gargalhadas. Eu acho que talvez tenha sido daí que peguei esse criticismo; sentado em uma van ou um ônibus por horas e horas alternando entre aplicativos de mídia social no meu celular e lendo sobre como Doug está indo ao supermercado e eu apenas não me importo. De qualquer maneira, já chega sobre isso.

Suponho que eu deveria ao menos ter explicado quem eu sou antes de compartilhar minhas frustrações sobre a maioria das pessoas na internet. Meu nome é Josh Dun e eu toco bateria em uma banda chamada twenty one pilots. Eu viajo por aí e toco música com meus melhores amigos (embora haja apenas dois de nós na banda), e vejo o mundo e como coisas estranhas. Já que na banda há apenas dois de nós, tentamos ser tão enérgicos quanto possível no palco, mas apenas com a ajuda de quem quer que esteja no local conosco. A melhor maneira que posso descrever como é estar em turnê é com algo que meu amigo Matt Johnson, da banda Matt & Kim, estava dizendo para mim. Você espera por cerca de 22 horas em um dia para 2 horas no palco. É exatamente sobre isso, o tempo que você tem em um lugar cheio de pessoas para compartilhar músicas com elas e ver se elas ressoam com os outros. A melhor parte é quando elas ressoam de verdade, e querem fazer parte disso com você.

Quando se trata do dia a dia na estrada de uma banda que faz turnês, muitas vezes a rotina pode se tornar monótona, cansativa ou frustrante. Então há momentos em que você simplesmente não tem ideia do que fazer com você mesmo. É tentador dormir até às três da tarde, depois ficar no ônibus e assistir filmes, ou sentar em um camarim aproveitando o Wi-Fi. Mas é nesses momentos onde eu percebo, antes mesmo de saber, que eu terei 55 anos e os filhos dos meus amigos irão me perguntar como foi viajar ao redor do mundo. Eu realmente quero dizer a eles meu camarim favorito? Ou o Taco Bell preferido que fui? Não mesmo. Eu gostaria de ter histórias de diferentes cidades, fotos de pessoas e coisas diversas, novos amigos por todo o mundo, sugestões ou dicas do que comer/beber em lugares distintos. Todo dia, estando nevando, chovendo ou com o céu brilhando sobre mim, eu passeio por cada cidade e exploro e tento falar com pessoas sobre o que há de legal na cidade delas, e também onde fica o melhor café da região.



Muitas pessoas, tenho certeza, presumem que estar em uma banda é a coisa mais fácil no mundo. Às vezes eu concordo, mas talvez seja só porque amo bastante isso. Desde o princípio dessa jornada, Tyler e eu partilhamos uma ideia específica de como queremos que essa coisa pareça, e com isso vem trabalho, tempo e esforço para fazer aquelas coisas exatamente como as queremos. Então assinamos com uma gravadora. Acho que é nessa parte onde várias pessoas pensam que chegou o momento em que a banda para de trabalhar. Na verdade, é o oposto. Desde a assinatura, estivemos fazendo o trabalho num ritmo acelerado. Já que começamos como uma banda DIY*, pretendemos continuar assim em muitas áreas. Eu continuo muito envolvido com cada parte dos equipamentos que ficam no palco, e se algo der errado, ou se houver um problema, eu estarei envolvido em consertá-lo. Ainda ontem meu monitor intra-auricular deu problema, então andei milhas em torno de Manchester, Inglaterra, buscando pelo cabo que eu precisava para resolver o defeito. Posteriormente, há também trabalho com designers para mercadorias, discussão de ideias de produção, sugerir novas propostas para os shows, trabalho em novas músicas, reuniões com pessoas para entrevistas etc. Logo após, tocar música. Quando tudo isso acaba, é o único momento que me sobra para ligar para minha mãe.

Estar em uma banda e viajar é tanto algo muito trabalhoso quanto a coisa mais divertida que existe. Mas acho que de todas as coisas ruins, se desfazer de amizades e relações em casa é o mais difícil. É interessante porque nunca há uma conversa preto no branco para declarar o fim de uma amizade, mas baseando-se em ficar longe por meses seguidos, e voltar por poucos dias ou uma semana, aquelas amizades naturalmente mudam/somem/desaparecem. Então meu conselho àqueles que desejam viajar/estar em uma banda seria: tenham apenas amigos que são burros/irritantes/que valem a pena ser deixados para trás. Para resumir, não há nada no mundo que eu queira fazer além do que já estou fazendo agora. É minha coisa favorita, e quando não estou na estrada tocando minha bateria, estou no meu quarto tocando minha bateria. Minha esperança é que todo ser humano sinta pelo seu trabalho o que eu sinto pelo meu.

*DIY = “do it yourself”, é uma sigla em inglês para se referir a pessoas que fazem ou trabalham de forma independente. Josh usou como uma referência ao começo da carreira da banda, em que não tinham gravadora.


Acompanhe-nos também nas redes sociais:

• Facebook: facebook.com/mutantkidsbr
• Twitter: twitter.com/mutantkidsbr
• Instagram: instagram.com/mutantkidsbrasil
• Canal no YouTube: youtube.com/c/mutantkidsbrasil
• Galeria de fotos: mutantkids.com.br/galeria
• Grupo de fãs no Facebook: facebook.com/groups/mutantkidsbrasil

 

Comunicado

Por decisão unânime, a equipe da Mutant Kids Brasil decidiu dar uma pausa indeterminada nas atividades do portal.

No dia 02 de setembro de 2020, Tyler Joseph demonstrou indiferença a causas sociais que são importantes para nós e por isso não nos sentimos mais confortáveis em continuar o nosso trabalho de cobrir a banda twenty one pilots.

Depois de meses recebendo mensagens de fãs pedindo que ele se posicionasse em suas plataformas digitais em relação a tópicos importantes, como o movimento Vidas Negras Importam nos EUA e a crescente onda de homofobia na Europa, Tyler publicou uma foto usando tênis de plataforma (salto) como piada, dizendo que estava sim usando sua plataforma.

Horas depois de causar controvérsia, ele começou a falar sobre saúde mental, dizendo que é essa a sua causa, e que ele já carrega peso demais, mas que admira quem batalha por outras causas.

Não é a primeira vez que ele diz algo assim. Em 2016, quando o casamento homoafetivo foi enfim legalizado nos EUA (país onde Tyler mora), ele ficou em silêncio. Ao ser perguntado sobre o que ele achava, Tyler publicou uma mensagem dizendo que não havia postado sobre isso porque "qualquer outra causa, não importa o quão nobre seja, torna-se um peso grande demais para carregar". Ele pediu paciência até que um dia ele "consiga carregar mais peso".

Isso nos leva a concluir que Tyler ainda não aprendeu a carregar o "peso" que nós somos, 4 anos depois. Não sabemos se faz sentido dedicar nosso tempo e energia a alguém que nos enxerga desta forma. A impressão que temos é que as nossas batalhas não são as mesmas, como ele dizia. E isso nos magoa.

Não achamos que todas as celebridades são obrigadas a se posicionar sobre tudo. Mas acreditamos que as pautas sobre identidade estão diretamente ligadas à saúde mental, base sobre a qual a banda construiu sua carreira. Tyler mencionou dados sobre depressão e suicídio, por exemplo, mas ele não olha mais fundo na questão. Há diversos estudos que relacionam esses males ao preconceito que pessoas negras e LGBTQ+ sofrem. É preciso enxergar os fãs.

Não estamos publicando esse texto como uma tentativa de convencer vocês a pensarem como nós. Assim como muitos defendem a opção de Tyler de não se pronunciar, esperamos que entendam a nossa perspectiva. Nossa equipe é e sempre foi diversa, com contribuição de pessoas de diferentes estados, grupos sociais, gêneros, sexualidade, religião e posicionamento político. Infelizmente, não nos sentimentos tão acolhidos pela banda como antigamente, e assim como diversos outros portais pelo mundo estamos tomando essa decisão.

O site, as redes sociais e o canal no YouTube continuarão no ar para quem quiser conferir o conteúdo que publicamos sobre a banda desde 2014.

Holler Box
%d blogueiros gostam disto: