#TBT: twenty one pilots na Girlfriend Magazine

Publicado por Mutant Kids Brasil - Arquivada em 2015
tradução: Matheus Lopes


O #TBT de hoje volta para julho de 2015 quando a revista australiana Girlfriend publicou uma entrevista com twenty one pilots. Talvez você já tenha lido algum dos nossos throwbacks: usamos essa coluna para trazer matérias que não foram traduzidas na época original e também para registrar matérias que foram excluídas da internet, mas que salvamos nos nossos arquivos.

A matéria foi originalmente publicada na versão impressa da revista e no site em 19 de julho de 2015 com o título “Prontos para serem os melhores“, mas não está mais disponível no site. Você pode ler a nossa tradução a seguir:


Na sua viagem relâmpago pela Austrália, a editora de entretenimento da GF sentou com o talentoso par de caras de Columbus, Ohio. Nunca ouviu sobre eles? Bom, eles já têm um número épico de seguidores em casa e por todo o globo, graças à sua autenticidade e sons lendários.

GF: Uma coisa que eu acho muito difícil é tentar descrever suas músicas para outras pessoas! Como vocês descrevem o seu estilo musical?

Tyler: É difícil. Ainda não sabemos como responder isso. Eu acho que o melhor jeito de descrever é que quando escrevemos canções, cada canção é separada das outras que já existem. A ideia é totalmente construída, depois nós meio que damos um passo atrás daquela ideia e depois fazemos algo completamente diferente. É algo que me atraiu a escrever canções no começo. Acontece que nós gostamos de muitos tipos de música diferentes, então os lugares aonde vamos e as direções que seguimos parecem sem fim, por isso você meio que acaba com um álbum com coisa de todo canto, mas com sorte existe um fio que liga tudo, já que está vindo do mesmo lugar.

GF: Vocês sentem que vocês dois têm gosto musical similar? Até quando eram crianças ou estavam crescendo, vocês estavam ouvindo o mesmo tipo de música ou vocês trazem coisas diferentes à mesa?

Josh: Acho que um pouco dos dois. Nós dois crescemos ouvindo os mesmos tipos de música, mas também há algumas diferenças sutis. Então Tyler traz algo que eu ainda não ouvi ou eu trago algo que ele não ouviu. Da mesma forma, também é muito raro a gente discordar. Então tipo, mesmo que haja uma diferença em algo que ele gosta, ele vai me mostrar e eu vou ficar tipo, “isso é bom”. Eu acho que nós dois somos muito abertos à música e há uma lista pequena de coisas que não gostamos.

GF: Vocês também construíram um grupo de seguidores que parece um culto, tocando em muitos shows locais no começo e só expandindo para turnês maiores quando vocês já tinham uma base realmente forte em casa. Com isso, eu percebi que há muito simbolismo em ser um fã de twenty one pilots – como na cor azul, e depois com o álbum Blurryface, com a cor vermelha. Também a logo que lembra um código |-/ que os fãs usam, e até o personagem Blurryface…

Tyler: Nós queríamos criar algo ao qual as pessoas pudessem se apegar sem ser algo que parecesse forçado. Então chegamos a uma logo que você poderia escrever no seu celular, em texto. Muitas pessoas pensam que é uma mistura das iniciais da nossa banda, mas isso é algo completamente separado do nome da banda e as pessoas podem adicionar significado a isso…

Josh: …e se adicionarem a isso. Nós queríamos coisas que criassem uma via de mão dupla; um diálogo com fãs no qual eles perguntam “o que isso significa? O que é isso?”. Então é isso que temos feito, tentando criar algo que faça as pessoas pensarem, fazerem perguntas, para que possamos dar uma resposta.

GF: Isso é muito legal. E o personagem Blurryface, o que fez ele aparecer?

Tyler: Bom, esse é nosso segundo álbum que lançamos internacionalmente, mas é o nosso quarto álbum desde que nos lançamos. Com tudo o que lançamos antes, o objetivo era realmente chamar a atenção das pessoas. Mas então, depois do Vessel, nosso álbum anterior, nós percebemos que agora sabemos que há pessoas ouvindo, então isso nos fez querer ter uma história para acompanhar isso. O personagem Blurryface é um cara que realmente representa muito do que vemos em nós mesmos, mas também muitas coisas que temos visto em outras pessoas e nos fãs. Representa as inseguranças que temos e como elas afetam seu dia e sua vida… Então o álbum não é exatamente um álbum conceitual, mas há um conceito que liga cada canção.

GF: Em um assunto mais leve, vocês receberam algum souvenir estranho das pessoas na Austrália?

Josh: Nós recebemos Vegemite…

Tyler: …e ainda não sabemos como nos sentir sobre isso. Pelo que pesquisei, vi que algumas pessoas meio que crescem comendo isso como um lanche, então é obviamente muito importante.

GF: Sim, mas não é tipo, eu chego da escola e como uma colherada de Vegemite, porque é muito intenso. Você come com uma torrada ou um sanduíche.

Tyler: Ah, ok. Apesar disso, eu vou dizer que não sou muito fã, mas espero não estar ofendendo.

Josh: Eu não sei se há souvenirs loucos memoráveis, mas o que eu acho muito legal é que quase todas as noites nós recebemos artes de pessoas que têm sido inspiradas pelo que nós fazemos.


Vegemite é uma pasta australiana icônica feita do que sobra no tanque após a produção da cerveja. Basicamente, consiste em fermento, caldo de legumes cozidos e muito sal. A pasta é muito popular na Austrália, mas as pessoas de fora podem estranhar o gosto…

Fotos da banda chegando no país para a Blurryface Tour na época da entrevista:



Uma fã (@AgentMadds no Twitter) ficou bem feliz com a resposta de Josh sobre receber presentes dos australianos e compartilhou fotos de quando encontrou a banda no aeroporto e entregou uma cliqueart a eles:



Não encontramos scans, mas a fã  postou uma foto da revista:



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Comunicado

Por decisão unânime, a equipe da Mutant Kids Brasil decidiu dar uma pausa indeterminada nas atividades do portal.

No dia 02 de setembro de 2020, Tyler Joseph demonstrou indiferença a causas sociais que são importantes para nós e por isso não nos sentimos mais confortáveis em continuar o nosso trabalho de cobrir a banda twenty one pilots.

Depois de meses recebendo mensagens de fãs pedindo que ele se posicionasse em suas plataformas digitais em relação a tópicos importantes, como o movimento Vidas Negras Importam nos EUA e a crescente onda de homofobia na Europa, Tyler publicou uma foto usando tênis de plataforma (salto) como piada, dizendo que estava sim usando sua plataforma.

Horas depois de causar controvérsia, ele começou a falar sobre saúde mental, dizendo que é essa a sua causa, e que ele já carrega peso demais, mas que admira quem batalha por outras causas.

Não é a primeira vez que ele diz algo assim. Em 2016, quando o casamento homoafetivo foi enfim legalizado nos EUA (país onde Tyler mora), ele ficou em silêncio. Ao ser perguntado sobre o que ele achava, Tyler publicou uma mensagem dizendo que não havia postado sobre isso porque "qualquer outra causa, não importa o quão nobre seja, torna-se um peso grande demais para carregar". Ele pediu paciência até que um dia ele "consiga carregar mais peso".

Isso nos leva a concluir que Tyler ainda não aprendeu a carregar o "peso" que nós somos, 4 anos depois. Não sabemos se faz sentido dedicar nosso tempo e energia a alguém que nos enxerga desta forma. A impressão que temos é que as nossas batalhas não são as mesmas, como ele dizia. E isso nos magoa.

Não achamos que todas as celebridades são obrigadas a se posicionar sobre tudo. Mas acreditamos que as pautas sobre identidade estão diretamente ligadas à saúde mental, base sobre a qual a banda construiu sua carreira. Tyler mencionou dados sobre depressão e suicídio, por exemplo, mas ele não olha mais fundo na questão. Há diversos estudos que relacionam esses males ao preconceito que pessoas negras e LGBTQ+ sofrem. É preciso enxergar os fãs.

Não estamos publicando esse texto como uma tentativa de convencer vocês a pensarem como nós. Assim como muitos defendem a opção de Tyler de não se pronunciar, esperamos que entendam a nossa perspectiva. Nossa equipe é e sempre foi diversa, com contribuição de pessoas de diferentes estados, grupos sociais, gêneros, sexualidade, religião e posicionamento político. Infelizmente, não nos sentimentos tão acolhidos pela banda como antigamente, e assim como diversos outros portais pelo mundo estamos tomando essa decisão.

O site, as redes sociais e o canal no YouTube continuarão no ar para quem quiser conferir o conteúdo que publicamos sobre a banda desde 2014.

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