#TBT: Tyler Joseph explica as faixas do Vessel (Parte 1 de 3)

Publicado por Mutant Kids Brasil - Arquivada em 2013

por Kaline Linhares
Tradução de João Victor

Um mês após o lançamento do Vessel, foi lançada a versão com comentários “faixa por faixa” do álbum, exclusivamente no Spotify, onde Tyler Joseph revelou os detalhes por trás de cada música. Confira abaixo a tradução dos comentários da primeira metade do álbum.

*A transcrição foi editada para maior clareza.


Aqui é o Tyler, do twenty one pilots, e eu vou comentar faixa por faixa do nosso novo álbum, que é chamado Vessel.

A primeira faixa é chamada “Ode To Sleep” e eu me lembro de quando estava tentando nomear essa música, nós a tocamos ao vivo antes mesmo dela ter sido nomeada, e isso foi quando nós tínhamos um pequeno grupo de seguidores na nossa cidade natal — era pequeno o suficiente para que todos pudessem escrever em um pedaço de papel qual era o nome que eles queriam dar à música e colocar em um balde. Uma das sugestões foi “Ode To Sleep”. Honestamente, eu esqueci os outros nomes sugeridos, mas foi legal porque o público local pôde nomear a música.

Eu gosto do fato desta música ser a primeira do álbum, porque meio que deixa o ouvinte consciente de que não pode antecipar como o resto do álbum é. Então “Ode To Sleep” é, definitivamente, uma das músicas com a qual gostamos de nos introduzir, nós iniciamos diversos de nossos shows com ela e eu estou realmente orgulhoso do quão estranha ela é.

A próxima música é chamada “Holding On To You” e, para ser sincero, eu nunca gostei muito do nome. Eu não sabia outra forma de nomeá-la a não ser pegando as palavras que eu mais repito na música e colocando no título. O nome sempre me faz sentir essa vibe estranha de rock dos anos 80, o que me incomodava, mas já superei. Eu me lembro do riff de “Holding On To You” eu posso ver agora, no piano, nas teclas. Eu visualizo muito quando componho e lembro de ter pulado acidentalmente algumas notas quando estava tentando fazer o riff e pensar que não tinha funcionado. Então eu escutei novamente e percebi que o riff antecipa a progressão do acorde de uma forma muito agradável e eu me apaixonei por isso. E, obviamente, esta é uma das nossas faixas principais nesse álbum… Nós não sabemos exatamente o que significa ter um single lançado porque sempre trabalhamos em algo mais completo, mas esta é uma daquelas músicas em que nós temos que nos apresentar e dizer “Isto é mais ou menos quem nós somos”. Sabe, essa é uma das músicas que nos define.

A próxima faixa é “Migraine” e ela provavelmente tem alguns dos meus versos favoritos. Eu trabalhei muito no conteúdo. Quanto ao lado lírico, tudo meio que se fundiu. Eu tive a ideia… Eu senti dor de cabeça no dia que estava compondo a música, claro, mas esse não era realmente o ponto. Eu estava tentando fazer algo metafórico, onde há muita coisa se passando na minha cabeça… O interessante é que essa é uma dessas músicas que, como compositor, eu uso para emitir uma mensagem, quase como uma onda na água, e quando sinto que essa onda atinge alguém que se identifica com o que eu estou passando, isso vai voltando para mim. É um sentimento muito bom, saber que não estou passando por isso sozinho. Então “Migraine” é mais ou menos um pedido de socorro liricamente — e também tem uma batida bem ousada.

A próxima música é chamada “House of Gold”. Eu entrei em uma loja de instrumentos usados e vi um ukulele e comprei, meio que no calor do momento. Eu não estava pensando de verdade. Eu não fazia ideia de como tocar. Consegui aprender a tocar sozinho em alguns dias. Não é um instrumento difícil de aprender e eu sabia que não queria ficar apenas tocando músicas de outras pessoas nessa coisa. Eu queria tentar compor uma música, porque é como sempre utilizei os instrumentos. Então eu tentei compor uma música imediatamente e comecei com algo simples, apenas passando o dedo pela corda inferior, que é a nota Dó. E eu continuei fazendo isso até encontrar a melodia que estava buscando. Sabe, minha mãe é uma grande inspiração para mim, então a música fala sobre ela e o que eu quero fazer por ela, seja financeiramente ou de outras formas também. Ela significa muito para mim, por isso essa música é sobre ela.

“Car Radio” é uma música interessante. Eu não lembro de tomar decisões sobre a estrutura e não lembro de trabalhar tanto para saber quando iniciar ou interromper as batidas… É uma dessas músicas que simplesmente aconteceram para mim quando eu estava fazendo a demo. A estrutura foi muito natural para mim. E quando finalizei e estava mostrando às pessoas, percebi que não era uma música natural, mas funcionou para mim, então é por isso que não a descartei. Ao mostrarmos nossas músicas às pessoas pela primeira vez, elas não entendem “Car Radio”, mas eu meio que gosto disso.

A música é sobre… Eu estava indo para a faculdade e o rádio do meu carro foi roubado e, não sei se mais alguém é assim, mas ao entrar no carro a primeira coisa que faço é colocar algo para tocar e eu não pude fazer isso por um tempo. Claro, eu sou um cara emotivo, então eu compus uma música sobre isso. Mas foi interessante ver, ao remover a distração da música na minha vida e meu carro, até onde minha mente vai, os pensamentos que passariam pela minha mente.

Foi importante e eu ainda encorajo as pessoas a tirar um tempo apenas para sentar em silêncio de vez em quando, porque muita coisa pode sair disso. Muitas coisas precisam ser colocadas para fora, então essa música me lembra dessa época da minha vida e da lição que aprendi.

A próxima música, “Semi-Automatic”, é uma das mais novas no álbum e ainda não a tocamos muito ao vivo. É difícil eu ter uma ligação com uma música sem ter tocado ela ao vivo algumas vezes. Nós conseguimos planejar e desenvolver como a maioria das outras faixas do álbum seriam ao vivo, e é isso que realmente somos. Somos uma banda ao vivo e amamos tocar música ao vivo. Então “Semi-Automatic” é uma música desafiadora que esperamos conseguir colocar no nosso repertório. E, liricamente, ela tem muito dos mesmos temas do resto do álbum.

A música é muito introspectiva, e eu sei que falo muito sobre o período da noite. Eu sinto que ouço muita música pop hoje em dia que fala sobre a noite de uma forma completamente diferente da que eu falo. Há muitos compositores que falam sobre a noite como um período maravilhoso, que todos estão curtindo ou algo assim, e geralmente a noite para mim é o pior — é quando tudo fica exposto. É quando eu percebo que não entendo de verdade por que estou aqui ou o que estou fazendo e é quando as dúvidas aparecem. Então muitas dessas músicas estão meio que mostrando a vocês as coisas que eu penso durante a noite. E “Semi-Automatic” é uma dessas músicas.


Além da tradução dos comentários da segunda metade do álbum, também traremos dois vídeos legendados de Tyler falando ainda mais sobre as faixas, então fiquem ligados!


Acompanhe a MKBR

Facebook
Twitter
Instagram
Canal no YouTube 
Galeria de fotos
Grupo de fãs no Facebook

Comunicado

Por decisão unânime, a equipe da Mutant Kids Brasil decidiu dar uma pausa indeterminada nas atividades do portal.

No dia 02 de setembro de 2020, Tyler Joseph demonstrou indiferença a causas sociais que são importantes para nós e por isso não nos sentimos mais confortáveis em continuar o nosso trabalho de cobrir a banda twenty one pilots.

Depois de meses recebendo mensagens de fãs pedindo que ele se posicionasse em suas plataformas digitais em relação a tópicos importantes, como o movimento Vidas Negras Importam nos EUA e a crescente onda de homofobia na Europa, Tyler publicou uma foto usando tênis de plataforma (salto) como piada, dizendo que estava sim usando sua plataforma.

Horas depois de causar controvérsia, ele começou a falar sobre saúde mental, dizendo que é essa a sua causa, e que ele já carrega peso demais, mas que admira quem batalha por outras causas.

Não é a primeira vez que ele diz algo assim. Em 2016, quando o casamento homoafetivo foi enfim legalizado nos EUA (país onde Tyler mora), ele ficou em silêncio. Ao ser perguntado sobre o que ele achava, Tyler publicou uma mensagem dizendo que não havia postado sobre isso porque "qualquer outra causa, não importa o quão nobre seja, torna-se um peso grande demais para carregar". Ele pediu paciência até que um dia ele "consiga carregar mais peso".

Isso nos leva a concluir que Tyler ainda não aprendeu a carregar o "peso" que nós somos, 4 anos depois. Não sabemos se faz sentido dedicar nosso tempo e energia a alguém que nos enxerga desta forma. A impressão que temos é que as nossas batalhas não são as mesmas, como ele dizia. E isso nos magoa.

Não achamos que todas as celebridades são obrigadas a se posicionar sobre tudo. Mas acreditamos que as pautas sobre identidade estão diretamente ligadas à saúde mental, base sobre a qual a banda construiu sua carreira. Tyler mencionou dados sobre depressão e suicídio, por exemplo, mas ele não olha mais fundo na questão. Há diversos estudos que relacionam esses males ao preconceito que pessoas negras e LGBTQ+ sofrem. É preciso enxergar os fãs.

Não estamos publicando esse texto como uma tentativa de convencer vocês a pensarem como nós. Assim como muitos defendem a opção de Tyler de não se pronunciar, esperamos que entendam a nossa perspectiva. Nossa equipe é e sempre foi diversa, com contribuição de pessoas de diferentes estados, grupos sociais, gêneros, sexualidade, religião e posicionamento político. Infelizmente, não nos sentimentos tão acolhidos pela banda como antigamente, e assim como diversos outros portais pelo mundo estamos tomando essa decisão.

O site, as redes sociais e o canal no YouTube continuarão no ar para quem quiser conferir o conteúdo que publicamos sobre a banda desde 2014.

Holler Box
%d blogueiros gostam disto: