#TBT: Tyler Joseph explica as faixas do Vessel (Parte 3 de 3)

Publicado por Mutant Kids Brasil - Arquivada em 2013

Tradução de Kaline Linhares
Revisão de Matheus Lopes

Além da versão de comentário do Vessel no Spotify, que nós transcrevemos e traduzimos na Parte 1 e na Parte 2 desse TBT, em setembro de 2013 Tyler Joseph também falou um pouco sobre cada faixa para a revista Rock Sound. Confira o material em português traduzido pela nossa equipe e aproveite para assistir a performances legendadas das canções do nosso canal no YouTube!


Tyler Joseph, do twenty one pilots, nos dá mais informações sobre cada música do novo álbum da banda, ‘Vessel‘…

O motivo dessa ser a primeira música é por que eu sinto que ela meio que prepara o ouvinte para o resto do álbum, como se colocasse a pessoa em um campo minado sem saber o que esperar… E é melhor não esperar por nada! É uma das minhas músicas favoritas para tocar ao vivo, com certeza. Sobre a estrutura, “Ode To Sleep” é uma das minhas favoritas pela forma como ela se encaixa acidentalmente, como um quebra-cabeças. Eu não sei como a ideia da música surgiu ou o que eu estava pensando, mas fico realmente animado por tê-la criado.

Vivemos em um mundo onde há singles e pensar sobre isso é algo estranho para mim… Eu nunca pensei, “Aqui está meu single e aqui estão todas as outras músicas”. Eu sempre vi como uma obra completa, mas ter “Holding On To You” como a faixa em foco faz sentido para mim. Ela resume bem o que esperar de nós — tem a ver com muitos gêneros musicais diferentes, a melodia é digestível e a progressão de acordes é uma das minhas favoritas das que já criei. Eu gosto que o refrão acontece apenas duas vezes na música, o que é um grande “não, não!”. Você tem que colocar quatro ou cinco vezes, especialmente se você quer ter muito sucesso ou ter suas músicas nos comerciais do Super Bowl…

“Migraine” é uma das minhas favoritas. Tem alguns dos meus versos favoritos… Eu escrevi a poesia muito antes de compôr a melodia. Você pode ficar muito entusiasmado quando escreve a poesia primeiro e depois se apaixona com a forma com que você disse tudo. E então você se preocupa com a melodia que vai junto com isso e fica bem protetor, quase defendendo isso. Estou bem feliz por ter encontrado a melodia certa e essa é uma das minhas músicas favoritas para performar ao vivo.

Eu entrei em uma loja de instrumentos usados, vi um ukulele e comprei… Isso é literalmente o quanto pensei sobre isso e eu não fazia ideia de como tocar. Eu apenas pensei que era um instrumento pequeno, e minhas mãos são pequenas… Isso foi feito para mim! Eu aprendi como tocar, aprendi alguns acordes. “House Of Gold” é sobre a minha mãe e significa muito para mim. Revelar exatamente sobre o que é essa música me deixa um pouco vulnerável, mas eu amo muito a minha mãe e quero sempre estar presente para ela como ela esteve para mim e essa música é sobre isso.

Esta é bem diferente quanto à estrutura da música, porque não tem refrão, não tem gancho! Os versos falam sobre uma verdadeira história de quando eu me atrasei para a aula. Eu estava na faculdade, tentando todas essas coisas que dizem que devemos fazer, acho. Eu larguei a faculdade pouco depois disso… O ponto é, eu estava atrasado para a aula e esqueci de trancar a porta [do carro] e quando eu voltei, tudo tinha sido arrancado e roubado. Naquela época, financialmente, eu não podia substituir tudo que tinha sido roubado, o GPS, o rádio, todos os meus CDs. Quando eu entro no carro a primeira coisa que faço é ligar o rádio e por um tempo eu não podia fazer isso. Ao remover aquela parte de mim, eu percebi que às vezes música pode agir como uma distração e evitar que sua mente vá para lugares cabulosos.

Eu amo fazer essa contraposição em que a música é muito alegre e animada mas a letra não é. Se eu conseguir fazer as pessoas cantarem por causa da melodia, elas começam a perceber o que a música realmente está dizendo. Eu gosto de surpreender as pessoas. Essa música tem uma progressão bem animada e divertida.

Eu também compus essa música no ukulele. Eu realmente espero não me tornar o cara do ukulele! A parte que se destaca para mim nessa música é o convite para que as pessoas cantem no coro… O objetivo dessa música é ter mais alguém além de mim cantando. Eu odeio performar essa música na frente de pessoas que não sabem quem nós somos ou não querem ser uma parte do show — não faz sentido. É quase desnecessário se não há pessoas lá para cantar comigo, mas, por outro lado, é facilmente uma das minhas músicas favoritas para performar quando as pessoas estão dispostas a fazer parte do show.

Muitas vezes eu me imagino em uma certa casa de show ou um certo lugar performando uma música enquanto estou escrevendo-a — então enquanto estava escrevendo essa música em particular, eu me imaginei em um festival no meio do dia (porque, obviamente, não somos tão bons ainda… não podemos tocar à noite). Eu imaginei um mar de pessoas me ajudando com essa música e, de certa forma, isso é ridículo porque ainda não há um mar de pessoas, eu estou me adiantando muito com esta música. É cronologicamente fora de ordem, porque não somos ninguém agora… Somos apenas uma banda aleatória que as pessoas nunca ouviram falar. Esta música me lembra que, se isso acontecer conosco, estaremos prontos.

Eu toco keytar nesta música — meu objetivo é parecer bem legal toda vez que toco essa música, mas eu falho miseravelmente às vezes, é um desafio toda noite. Ela é definitivamente abrangente, em relação ao gênero, mas esse é o propósito, acredito. A ponte entre as últimas estrofes ainda me pega de surpresa, às vezes eu até esqueço quando toco ao vivo. Eu adoro isso, que eu como um compositor e cantor tenho que prestar atenção no que a música está fazendo. Acredito que é uma música muito boa!

As pessoas interpretam o que esta música está dizendo e de certa forma eu sinto que devo deixar isso acontecer e não responder a pergunta. Em suma, houve um show em que eu estava tocando e nessa época nós conseguíamos falar com todo mundo depois do show. Eu me lembro deste show em particular mais do que o habitual, pessoas vieram até mim e sentiram que precisavam compartilhar as coisas pelas quais elas estavam passando, e muitas dessas coisas tinham a ver com suicídio… graças a Deus estava relacionado a eles superando isso e usando música e canções, em particular as minhas, para ajudá-las a fazer isso.

Eu fiquei tão inspirado e comovido com aquele show e aquelas crianças que vieram até mim e compartilharam suas lutas contra suicídio e essa música é inspirada por elas e pelas pessoas que lutam contra isso. Eu não digo que sou profissional no assunto porque é perigoso falar sobre suicídio e dizer que você tem voz sobre a questão, mas essa música é sobre pegar essa energia negativa e apontar para outra coisa, não para você mesmo, realmente dando a essas pessoas o poder de saber que elas têm controle sobre as circunstâncias pelas quais estão passando.

Essa é uma das últimas músicas que tocamos no nosso show e antes mesmo de tocá-la já estamos exaustos. Por algum motivo, essa música nos dá mais força, eu nem sei de onde isso vem. Isso é especial para mim. Algo maior do que eu acontece durante essa música. É uma das minhas favoritas.

Nesta é apenas eu e o piano. O produtor com quem eu estava trabalhando (Greg Wells) e eu estávamos falando sobre o tom do piano e como queríamos que ele soasse. Ele descreveu como se fosse um piano tocando em um teatro, atrás de várias cortinas espessas — eu acho que conseguimos fazer isso… O piano distante com os vocais que estão bem nítidos. É uma música bem vulnerável. Você tem que ouvir as palavras, não há nada para te distrair disso e elas estão fechando o álbum muito bem. É isso que nós fizemos, é isso que nós tentamos dizer e, para resumir… é por isso que estamos fazendo o que estamos fazendo… é por isso que eu componho… essa música, bem aqui.


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Comunicado

Por decisão unânime, a equipe da Mutant Kids Brasil decidiu dar uma pausa indeterminada nas atividades do portal.

No dia 02 de setembro de 2020, Tyler Joseph demonstrou indiferença a causas sociais que são importantes para nós e por isso não nos sentimos mais confortáveis em continuar o nosso trabalho de cobrir a banda twenty one pilots.

Depois de meses recebendo mensagens de fãs pedindo que ele se posicionasse em suas plataformas digitais em relação a tópicos importantes, como o movimento Vidas Negras Importam nos EUA e a crescente onda de homofobia na Europa, Tyler publicou uma foto usando tênis de plataforma (salto) como piada, dizendo que estava sim usando sua plataforma.

Horas depois de causar controvérsia, ele começou a falar sobre saúde mental, dizendo que é essa a sua causa, e que ele já carrega peso demais, mas que admira quem batalha por outras causas.

Não é a primeira vez que ele diz algo assim. Em 2016, quando o casamento homoafetivo foi enfim legalizado nos EUA (país onde Tyler mora), ele ficou em silêncio. Ao ser perguntado sobre o que ele achava, Tyler publicou uma mensagem dizendo que não havia postado sobre isso porque "qualquer outra causa, não importa o quão nobre seja, torna-se um peso grande demais para carregar". Ele pediu paciência até que um dia ele "consiga carregar mais peso".

Isso nos leva a concluir que Tyler ainda não aprendeu a carregar o "peso" que nós somos, 4 anos depois. Não sabemos se faz sentido dedicar nosso tempo e energia a alguém que nos enxerga desta forma. A impressão que temos é que as nossas batalhas não são as mesmas, como ele dizia. E isso nos magoa.

Não achamos que todas as celebridades são obrigadas a se posicionar sobre tudo. Mas acreditamos que as pautas sobre identidade estão diretamente ligadas à saúde mental, base sobre a qual a banda construiu sua carreira. Tyler mencionou dados sobre depressão e suicídio, por exemplo, mas ele não olha mais fundo na questão. Há diversos estudos que relacionam esses males ao preconceito que pessoas negras e LGBTQ+ sofrem. É preciso enxergar os fãs.

Não estamos publicando esse texto como uma tentativa de convencer vocês a pensarem como nós. Assim como muitos defendem a opção de Tyler de não se pronunciar, esperamos que entendam a nossa perspectiva. Nossa equipe é e sempre foi diversa, com contribuição de pessoas de diferentes estados, grupos sociais, gêneros, sexualidade, religião e posicionamento político. Infelizmente, não nos sentimentos tão acolhidos pela banda como antigamente, e assim como diversos outros portais pelo mundo estamos tomando essa decisão.

O site, as redes sociais e o canal no YouTube continuarão no ar para quem quiser conferir o conteúdo que publicamos sobre a banda desde 2014.

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