#TBT: twenty one pilots na primeira página do Columbus Dispatch

Publicado por Mutant Kids Brasil - Arquivada em 2012

“Com álbum de estreia pronto para ser lançado, twenty one pilots se prepara para decolar.”

por Kaline Linhares
tradução de Fabi Beretta
revisão de Brunna Lemos

Esse foi o título da matéria do jornal The Columbus Dispatch em 18 de outubro de 2012, estampando Tyler Joseph e Josh Dun pela primeira vez em sua página principal. Na época, a banda ainda estava ficando conhecida em sua cidade natal. Confira a tradução na íntegra!

Josh Dun, à esquerda, e Tyler Joseph do twenty one pilots, performando em Nova York. Foto de Amy Williard


NOVA YORK — Avaliando o pequeno palco e o teto baixo, Josh Dun procurava decidir se um palco adjacente poderia acomodar seu característico salto mortal.

Um teste precisava ser feito.

“Eu posso pousar bem ali?” o baterista magricela disse durante a checagem de som em uma tarde do mês passado, no porão do Webster Hall — um espaço aconchegante dentro de uma discoteca que uma vez hospedou bandas pequenas, como Mumford & Sons, Vampire Weekend e The National.

Seu companheiro de banda, Tyler Joseph, não demonstrou apoio: “Se você cair de cara no chão, apenas levante-se e finja que não está sangrando.”

Mais tarde naquela noite de setembro, quando o duo eletro-pop de Columbus conhecido como twenty one pilots tocou para uma casa lotada, as acrobacias foram feitas sem problemas.

Os artistas em ascensão devem estar fazendo saltos figurativos também.

Sem uma equipe experiente ou uma gravadora, eles lotaram o Newport Music Hall duas vezes — e, na primavera, lotaram o Lifestyle Communities Pavilion [agora Express Live!], com capacidade para 2200 pessoas.

A volta mais cedo para a cidade natal se transformou em uma guerra de propostas entre 13 gravadoras que acabou em fevereiro, quando eles assinaram com uma subsidiária da Warner Music Group, a Fueled By Ramen.

Os dois passaram o verão abrindo shows para a banda de rock alternativo Neon Trees e retornaram semana passada da Coreia do Sul, onde eles performaram em frente a 8000 pessoas em um festival onde David Guetta foi a atração principal.

Um show de volta pra casa planejado para sexta no pavilhão esgotou em quatro dias — com mais de um mês de antecedência.

Nenhum dos músicos tem qualquer treinamento formal.

“Você tem que ter um pouco de confiança,” diz um Joseph de 23 anos, sentado nos bastidores algumas horas antes de saltar por cima de um piano vertical, atravessar um bar e cantar energicamente em um moletom com máscara de esqueleto. “Nós começamos do nada.”

“Eu sei que nós somos bons o suficiente para estarmos aqui.”


Imprensa em pleno tribunal

Confiança não é algo estranho para Joseph, que, apesar de suas tatuagens e seu vestuário de brechó, pode ser lembrado mais como um atleta: Ele jogava como armador para a Worthington Christian High School em 2008, o ano em que seu time de basquete ficou em segundo lugar na 4ª Divisão do torneio estadual.

Em tom cômico, certa vez ele cantou “sobre garotas e como elas são ridículas” durante uma reunião de classe.

“Ele é meio que a alegria da festa,” disse a mãe Kelly Joseph, uma professora de matemática do distrito escolar de Olentangy.

Depois de ver um compositor se apresentar em um clube na High Street durante a adolescência, seu filho sentiu que seu futuro havia sido significativamente redirecionado.

Ele desenterrou um teclado antigo — um presente de Natal ignorado — e começou a reproduzir melodias que ouvia no rádio. Seus pais forneceram o equipamento de gravação.

Ao se formar, Joseph recusou uma bolsa de basquete da Universidade de Otterbein, em Westerville, para se dedicar a música.

Sua família ficou chocada.

“Eles olharam para mim e disseram, ‘O que isso significa?’”, Joseph recorda. “E eu disse, ‘Eu literalmente não faço ideia.’”

Depois de frequentar algumas aulas na Universidade Estadual de Ohio e se apresentar sozinho, Joseph começou uma banda com dois amigos, Nick Thomas e Chris Salih.

O nome twenty one pilots foi inspirado em uma peça de Arthur Miller que Joseph havia estudado em uma aula de teatro na faculdade — a peça de 1947, All My Sons (Todos Eram Meus Filhos), em que o personagem conscientemente fornece partes defeituosas de avião, que resultam na morte de vinte e um pilotos da Segunda Guerra Mundial.

Os ocupados colegas de Joseph não conseguiram manter o comprometimento musical, mas twenty one pilots tinha encontrado um fã em Dun, um baterista autodidata de Columbus, animado com o espástico e amplo estilo da banda.

“Eu amei tudo sobre a banda, exceto por uma coisa: eu não fazia parte dela,” disse Dun, 24.

A música enérgica permanece abarrotada de teclados pulsantes e refrões dramáticos, comportando a cadência maníaca do ritmo de Joseph que desafiam os padrões de capacidade de tempo — como se o pianista de pop teatral Rufus Wainwright, talvez em uma explosão de adrenalina por cafeína, estivesse fazendo um cover do Eminem.

As atitudes de tudo-ou-nada ainda marcam o duo, que uma vez já tocou em porões vazios; arrastou um piano três lances de escada acima durante uma nevasca; e atraiu tão pouca gente para um salão em Chicago que o organizador não pôde pagar.

Com a sorte mais recentemente mudada, os dois passaram o verão em Los Angeles gravando com o compositor e produtor Greg Wells (que já trabalhou com Adele, Katy Perry). As vendas para o álbum de lançamento do twenty one pilots, Vessel, começarão no  sábado.

“Com álbum de estreia pronto para ser lançado, o duo de Columbus twenty one pilots se prepara para decolar.”


Construindo o momento

Como muitos outros músicos, Dun e Joseph estão sempre presentes no Facebook, Twitter e YouTube, onde seus vídeos atraíram centenas de milhares de cliques.

Outras estratégias eram mais simples — e, para uma banda que estava começando, atípicas. Eles evitavam divulgação excessiva e se apresentavam apenas esporadicamente em Columbus, ao invés de tocarem em cidades próximas, onde essa dinâmica ajudou eles a construírem plateias cada vez maiores para seus shows no centro de Ohio.

Os fãs fizeram a divulgação.

“Tem algo tão mais poderoso quando alguém se responsabiliza em compartilhar,” disse Joseph. “Nós tocamos em frente a cinco pessoas — e essas pessoas contaram a cinco pessoas.”

Ele e Dun contrataram um videógrafo ano passado, com cenas de plateias crescentes funcionando como iscas.

“Eles entendem a importância de como precisa ser fácil [para os fãs] obter conteúdo,” disse Mark Eshleman, que continua filmando a banda com sua empresa de produção de Columbus, Reel Bear Media. “E isso teve um grande impacto, fazendo gravadoras notarem o que está acontecendo em Ohio.”

Chris Woltman, um diplomado pela Universidade Estadual de Ohio que passou mais de uma década em papéis executivos na RCA e Columbia Records, foi um dos que notaram.

“Havia tal nível de interesse e fascinação,” disse Woltman, o empresário da banda. “twenty one pilots se tornou a banda que todo mundo estava comentando.”

twenty one pilots assinou com Fueled by Ramen, uma gravadora pop-punk da qual fazem parte os pilares do Top 40: Fall Out Boy, Paramore, Gym Class Heroes e Fun. — o último é um emotivo trio que atingiu nº1 este ano com a música “We Are Young”.

“Tem tanta coisa acontecendo entre a musicalidade e a presença de palco e os diferentes tipos de música sendo fundidos juntos,” disse Katie Robinson, diretora sênior de marketing da Fueled by Ramen.

O trabalho da banda ressoou com fãs como Nicole Smith, uma moradora de Gahanna, que fez a viagem de 12 horas até Nova York para o show de setembro.

“Quando eu estou escutando eles, não presto atenção em mais nada,” disse Smith, 19. “Eu os admiro.”


Sonhadores locais

Joseph, cuja voz em fala é mais alta do que suas músicas podem sugerir, prefere canalizar “coisas reais, como sofrimento e dor, depressão — coisas que todos nós precisamos aprender a superar.”

A esta altura, palavras têm uma responsabilidade.

Holding On To You”, o primeiro single da banda, ouvimos o vocalista implorando aos desesperançosos para “colocarem um nó de forca ao redor” dos pensamentos ruins. Em “Guns for Hands”, ele condena suicídio mas o reconhece como um subproduto do livre arbítrio.

“Você tem a habilidade de controlar esse aspecto de si mesmo, se vive ou se morre,” disse Joseph. “Agora, vamos pegar essa energia e esse foco, e apontá-lo para outra coisa, como arte ou pintura ou música.”

Ambos são graduados em colégios cristãos, mas suas músicas não são religiosas. Ela se concentra em autoconfiança, orgulho e humildade em meio a eventos rápidos que podem em breve ajudar a banda a ganhar uma plataforma mais ampla.

“Parte disso é totalmente impressionante,” disse Dun. “Eu ainda irei responder a todos no Facebook.”

E por um bom motivo: em um vídeo no YouTube com uma filmagem do show no pavilhão em abril, Joseph conta: “Vocês criaram nossa grande chance. Obrigado.”

Depois do show no Webster Hall, latas de lixo e postes de luz ao longo da E. 11th Street em Nova York foram cobertos com adesivos do twenty one pilots em que se lia “Poder ao Sonhador Local” — uma perspectiva adequada enquanto os dois se encontram entre táxis e decolagem.

“Isso balanceia toda essa mentalidade de eu-não-consigo-acreditar-que-as-coisas-estão-acontecendo,” disse Joseph. “Ao mesmo tempo: vem com tudo.”


Depois de ganhar seu primeiro Grammy  em 2017, twenty one pilots foi destaque em diversos sites e jornais, e um deles foi o Columbus Dispatch.

https://twitter.com/mutantkidsbr/status/831475110414577668


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Comunicado

Por decisão unânime, a equipe da Mutant Kids Brasil decidiu dar uma pausa indeterminada nas atividades do portal.

No dia 02 de setembro de 2020, Tyler Joseph demonstrou indiferença a causas sociais que são importantes para nós e por isso não nos sentimos mais confortáveis em continuar o nosso trabalho de cobrir a banda twenty one pilots.

Depois de meses recebendo mensagens de fãs pedindo que ele se posicionasse em suas plataformas digitais em relação a tópicos importantes, como o movimento Vidas Negras Importam nos EUA e a crescente onda de homofobia na Europa, Tyler publicou uma foto usando tênis de plataforma (salto) como piada, dizendo que estava sim usando sua plataforma.

Horas depois de causar controvérsia, ele começou a falar sobre saúde mental, dizendo que é essa a sua causa, e que ele já carrega peso demais, mas que admira quem batalha por outras causas.

Não é a primeira vez que ele diz algo assim. Em 2016, quando o casamento homoafetivo foi enfim legalizado nos EUA (país onde Tyler mora), ele ficou em silêncio. Ao ser perguntado sobre o que ele achava, Tyler publicou uma mensagem dizendo que não havia postado sobre isso porque "qualquer outra causa, não importa o quão nobre seja, torna-se um peso grande demais para carregar". Ele pediu paciência até que um dia ele "consiga carregar mais peso".

Isso nos leva a concluir que Tyler ainda não aprendeu a carregar o "peso" que nós somos, 4 anos depois. Não sabemos se faz sentido dedicar nosso tempo e energia a alguém que nos enxerga desta forma. A impressão que temos é que as nossas batalhas não são as mesmas, como ele dizia. E isso nos magoa.

Não achamos que todas as celebridades são obrigadas a se posicionar sobre tudo. Mas acreditamos que as pautas sobre identidade estão diretamente ligadas à saúde mental, base sobre a qual a banda construiu sua carreira. Tyler mencionou dados sobre depressão e suicídio, por exemplo, mas ele não olha mais fundo na questão. Há diversos estudos que relacionam esses males ao preconceito que pessoas negras e LGBTQ+ sofrem. É preciso enxergar os fãs.

Não estamos publicando esse texto como uma tentativa de convencer vocês a pensarem como nós. Assim como muitos defendem a opção de Tyler de não se pronunciar, esperamos que entendam a nossa perspectiva. Nossa equipe é e sempre foi diversa, com contribuição de pessoas de diferentes estados, grupos sociais, gêneros, sexualidade, religião e posicionamento político. Infelizmente, não nos sentimentos tão acolhidos pela banda como antigamente, e assim como diversos outros portais pelo mundo estamos tomando essa decisão.

O site, as redes sociais e o canal no YouTube continuarão no ar para quem quiser conferir o conteúdo que publicamos sobre a banda desde 2014.

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