twenty one pilots e o vídeo de My Blood

Publicado por Mutant Kids Brasil - Arquivada em 2018

Assista ao clipe da banda e confira letra, tradução e explicação da história

por Matheus Lopes e Eduardo Reis

 


Na véspera do lançamento do álbum Trench, twenty one pilots anunciou que o videoclipe do single “My Blood” seria lançado na manhã seguinte. A banda compartilhou o link do YouTube onde o vídeo seria liberado com uma contagem regressiva e um espaço para os fãs conversarem sobre as suas expectativas.

Nas última semanas, a banda tinha compartilhado algumas pistas de que a música ganharia vídeo a partir de algumas fotos que tinham uma atmosfera bem Halloween. Nos Estados Unidos, o Halloween é bastante festejado no dia 31 de outubro e nas semanas anteriores, e imaginamos que o vídeo teria essa “vibração” para combinar com o mês de outubro.

O que não imaginávamos é que o vídeo seria bem diferente do que a banda já fez no passado. Dessa vez, Josh e Tyler quase não aparecem e a narrativa é focada em dois personagens interpretados pelos atores Dash Connery e Trent Culkin. A história não tem relação com a trilogia de Dema. Falamos mais sobre a mensagem a seguir, então só leia depois de assistir!

Mark Eshleman, que dirigiu muitos vídeos da banda no passado, já disse que não deve repetir o feito na era Trench. Ainda não sabemos se Andrew Donoho, que dirigiu “Jumpsuit”, “Nico and The Niners” e “Levitate” voltará a dirigir novos vídeos da era e se eles terão relação com a narrativa de Dema. “My Blood” foi dirigido por Tim Mattia, o mesmo diretor de “Colors” da Halsey, “Heavy” do Linkin Park, “The Man” do The Killers e da trilogia do álbum Blue Neighbourhood de Troye Sivan com os vídeos “Wild”, “Fools” e “Talk You Down”, entre vários outros, mas esse é o seu primeiro trabalho com o twenty one pilots.

Apesar do videoclipe não se adentrar diretamente no universo de Dema, como a trilogia anterior dirigida pelo Donoho, a letra de “My Blood” se assemelha principalmente na questão da união e companheirismo entre os Banditos. Na primeira estrofe, Tyler canta “Você está encarando um corredor escuro, eu vou pegar a minha luz e irei com você”, o que pode remeter às histórias de Dema, nas quais víamos os Banditos andando juntos em túneis escuros e com tochas nas mãos para iluminar o caminho. Alguns versos depois, há um trecho que diz “Eu pegarei meu bastão e irei com você”; no clipe, um dos personagens quebra caixas de correio com um bastão de beisebol que também usa para bater nos valentões. Muito se especula sobre o Tyler ter se inspirado na sua própria infância e juventude com seus irmãos para escrever essa faixa.

A interpretação mais aceita do título da canção (“Meu Sangue”) é que Tyler se refere justamente a sua família, mais especificamente seus irmãos, sangue do seu sangue. E o videoclipe segue a mesma lógica, mostrando o relacionamento entre dois irmãos. Em 25/10, no show de Detroit, Tyler afirmou que escreveu essa faixa em homenagem a sua sobrinha, Mia.

“[…] Eu escrevi essa música… na verdade um dos motivos que me inspiraram a compor essa música foi o nascimento da minha primeira sobrinha de sangue, e ela está aqui hoje…”


O vídeo de My Blood

O clipe começa com um dos personagens, ainda criança, indo em direção a uma mulher, que tudo indica que seja sua mãe, em uma cama de hospital, relembrando momentos alegres do passado. Logo depois, outra criança o abraça. Fica implícito que a sua mãe faleceu e o seu irmão mais velho o consola em todas as situações. Já crescidos, a história continua narrando a união dos dois, mostrando estarem sempre juntos. Há um momento em que um dos protagonistas provocam pessoas que estavam sentadas na plateia de um campo esportivo. Após serem ameaçados, eles saem correndo.

Os dois encontram um panfleto que anuncia uma festa de Halloween. Eles vestem um fantasia de esqueleto (que inclusive é famosa na história de twenty one pilots, já tendo aparecido nas performances da banda há muito tempo, nos vídeos de Ode To Sleep e Heavydirtysoul (circle), e em Skeleton Bones, introdução usada nos shows do álbum Vessel, o esqueleto já era citado) e vão à festa. Nesse momento, Tyler e Josh aparecem performando dentro da casa onde acontece a comemoração. Essa é a única aparição da banda no vídeo.

Quando os dois meninos saem, o grupo que havia os ameaçado antes aparece na porta da casa deles. O irmão mais velho volta a provocá-los e acaba sendo agredido. O outro garoto, ao ver tudo aquilo, tomou coragem, pegou o bastão de beisebol (“Eu pegarei meu bastão e irei com você”) e foi em direção ao grupo para proteger seu irmão. Quando eles voltam para casa, o mais velho some, e, a partir de flashbacks, fica visível que ele na verdade nunca esteve lá: ele era fruto da mente do garoto mais novo.

O fim do videoclipe levantou várias interpretações e teorias. Fãs apontaram algumas referências a elementos de filmes como “Clube da Luta” (1999), favorito do Josh, e “Donnie Darko”, um dos favoritos de Tyler. Também vale lembrar algo mencionado por @catharxis_ no Twitter: Tyler e Josh são ambos os primogênitos de suas famílias, e por isso devem se sentir na função de cuidar dos seus irmãos mais novos e com o objetivo de se tornarem irmãos melhores (parafraseando “Polarize”, do álbum Blurryface: “Eu queria ser um irmão melhor, um filho melhor”).

De um ponto de vista mais psicológico, podemos dizer que o personagem principal desenvolveu um transtorno dissociativo de identidade (TDI) após a morte da mãe. Essa é uma condição bastante abordada na mídia, também conhecida como transtorno de dupla personalidade ou de múltiplas personalidades. Pessoas que vivem com essa condição apresentam duas ou mais personalidades diferentes devido à incapacidade da mente em fazer associações de identidade, memória e consciência. Em muitos casos, o indivíduo não sabe que tem outra(s) personalidade(s), e pode realizar ações acreditando que elas foram feitas por outra pessoa ou até mesmo nunca ter conhecimento delas.

Vários fãs, como nossas amigas Dara e Paola no nosso grupo do WhatsApp, também comentaram uma possível relação entre a banda e os fãs, o Skeleton Clique, no vídeo. Apesar de Tyler ter falado que escreveu a música para sua família, muitos fãs interpretaram a letra e o vídeo como uma mensagem de apoio da banda nos dizendo “ei, estamos aqui!”. Muitos conheceram twenty one pilots em momentos complicados de suas vidas ou usaram as músicas como fonte de força e inspiração. Toda a história criada no vídeo de forma cinematográfica pode ser uma metáfora para a presença de Tyler e Josh no nosso dia a dia.

Mesmo tendo várias possibilidades de interpretação, é inegável que My Blood mostra a união e o companheirismo através do amor e da amizade.


Nós já havíamos postado a letra e tradução de My Blood na nossa matéria sobre a música, mas você também pode acompanhar por aqui.


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Comunicado

Por decisão unânime, a equipe da Mutant Kids Brasil decidiu dar uma pausa indeterminada nas atividades do portal.

No dia 02 de setembro de 2020, Tyler Joseph demonstrou indiferença a causas sociais que são importantes para nós e por isso não nos sentimos mais confortáveis em continuar o nosso trabalho de cobrir a banda twenty one pilots.

Depois de meses recebendo mensagens de fãs pedindo que ele se posicionasse em suas plataformas digitais em relação a tópicos importantes, como o movimento Vidas Negras Importam nos EUA e a crescente onda de homofobia na Europa, Tyler publicou uma foto usando tênis de plataforma (salto) como piada, dizendo que estava sim usando sua plataforma.

Horas depois de causar controvérsia, ele começou a falar sobre saúde mental, dizendo que é essa a sua causa, e que ele já carrega peso demais, mas que admira quem batalha por outras causas.

Não é a primeira vez que ele diz algo assim. Em 2016, quando o casamento homoafetivo foi enfim legalizado nos EUA (país onde Tyler mora), ele ficou em silêncio. Ao ser perguntado sobre o que ele achava, Tyler publicou uma mensagem dizendo que não havia postado sobre isso porque "qualquer outra causa, não importa o quão nobre seja, torna-se um peso grande demais para carregar". Ele pediu paciência até que um dia ele "consiga carregar mais peso".

Isso nos leva a concluir que Tyler ainda não aprendeu a carregar o "peso" que nós somos, 4 anos depois. Não sabemos se faz sentido dedicar nosso tempo e energia a alguém que nos enxerga desta forma. A impressão que temos é que as nossas batalhas não são as mesmas, como ele dizia. E isso nos magoa.

Não achamos que todas as celebridades são obrigadas a se posicionar sobre tudo. Mas acreditamos que as pautas sobre identidade estão diretamente ligadas à saúde mental, base sobre a qual a banda construiu sua carreira. Tyler mencionou dados sobre depressão e suicídio, por exemplo, mas ele não olha mais fundo na questão. Há diversos estudos que relacionam esses males ao preconceito que pessoas negras e LGBTQ+ sofrem. É preciso enxergar os fãs.

Não estamos publicando esse texto como uma tentativa de convencer vocês a pensarem como nós. Assim como muitos defendem a opção de Tyler de não se pronunciar, esperamos que entendam a nossa perspectiva. Nossa equipe é e sempre foi diversa, com contribuição de pessoas de diferentes estados, grupos sociais, gêneros, sexualidade, religião e posicionamento político. Infelizmente, não nos sentimentos tão acolhidos pela banda como antigamente, e assim como diversos outros portais pelo mundo estamos tomando essa decisão.

O site, as redes sociais e o canal no YouTube continuarão no ar para quem quiser conferir o conteúdo que publicamos sobre a banda desde 2014.

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