twenty one pilots lança clipe de Chlorine

Publicado por Matheus Lopes - Arquivada em 2019

Assista ao novo vídeo de twenty one pilots, confira letra e tradução de Chlorine e várias teorias sobre essa nova parte da história


Depois de algumas prévias terem sido postadas nas redes sociais ao longo do dia, twenty one pilots lançou o vídeo oficial de “Chlorine” no YouTube no fim da noite do dia 22 de janeiro. Esse é o quinto clipe do álbum Trench, lançado depois da trilogia de “Jumpsuit”, “Nico and The Niners” e “Levitate” e o clipe de “My Blood”.

Além do vídeo, uma nova carta de Clancy foi postada no site de Dema. Caso você seja fã há pouco tempo, talvez não saiba que a banda criou este site muitos meses antes do lançamento do Trench para postar diversas pistas sobre o universo do álbum mais recente. Você pode ler mais sobre isso na nossa cobertura com registros e traduções (Parte 1 • Parte 2).

Nesta matéria, reunimos letra e tradução de “Chlorine”, falamos sobre a relação da nova carta com os clipes da era Trench e apresentamos algumas ideias e teorias do novo vídeo que foi dirigido por Mark Eshleman, diretor criativo de twenty one pilots que já dirigiu diversos outros projetos da banda.


Ficha técnica do vídeo

“Chlorine” foi gravado na Austrália em dezembro de 2018, quando twenty one pilots estava passando pela Oceania com a Bandito Tour. Confira os nomes envolvidos na produção:


Letra e tradução


O conceito da música

Uma ideia que norteia as criações de twenty one pilots desde a formação da banda é a busca por um propósito, um sentido na vida. Já escrevemos bastante sobre isso aqui no site, em especial quando escrevemos uma matéria sobre a origem do nome da banda, mas isso é algo que sempre se apresenta nos álbuns lançados por Josh e Tyler de alguma forma.

“Chlorine”, a faixa 5 do disco Trench, tem uma letra muito reflexiva em relação a isso. Podemos até dizer que ela tem um papel neste CD parecido com o papel de “Migraine” no álbum Vessel, já que ambas tocam em assuntos delicados da mente humana e do ato de compor canções.

De forma poética, Tyler Joseph descreveu música como “beber cloro puro”, sendo algo tóxico que ele ama e que faz o corpo dele entrar em movimento. A escolha de palavras pode soar controversa para alguns, já que algumas pessoas acham que, de certa forma, Tyler estaria romantizando algo obviamente ruim para uma vida humana. Fato é que o jogo de palavras não parece ter sido acidental ou inocente.

A própria banda já descreveu até mesmo em forma de música (na letra de “Not Today”, do álbum Blurryface) que suas criações podem causar estranheza, já que têm sons alegres e letras tristes. Com a fama cada vez maior, críticas negativas e até algumas teorias da conspiração (inserir a abertura de Arquivos X aqui) também surgiram, acompanhando a admiração crescente. Um famoso vídeo viralizou na internet dizendo que a música “Goner” tinha mensagens sombrias quando tocada de trás pra frente. Tudo isso pode ter sido fonte de inspiração para a construção de algumas músicas de Trench, como os trechos em reverso colocados de propósito em “Nico and The Niners”, que eram apenas frases relacionadas à história do novo álbum, e o dedo na ferida de “Chlorine”.

O cloro é um elemento presente em processos de purificação de água, fazendo parte do sistema que leva água limpa para residências em cidades de todo o mundo. Ele também está presente em produtos de limpeza da casa e em produtos usados para lavar roupas. Mas suas propriedades podem fazer mal à saúde ao fazer contato direto com a pele ou se for manuseado de forma incorreta. No contexto da música, vemos o cloro como uma metáfora para algo que, apesar de ser usado para “purificar”, também pode acabar causando dor e envenenamento.

Esse conceito pode ser interpretado de várias maneiras, por isso você pode deixar seu comentário aqui ou nas nossas redes sociais se tiver ideias diferentes. Debatendo em equipe, acreditamos que o “cloro” que Tyler consome nessa música parece fazer referência a alguns pontos principais: fé, relação entre a banda e os fãs, a arte de fazer música e a convivência com a fama, todos estes temas já visitados em trabalhos anteriores da banda.

Os primeiros e últimos versos trazem algumas palavras que podem ser interpretadas do ponto de vista da fé, como se Tyler falasse com Deus, ou do ponto de vista da relação da banda com os fãs, como se Tyler falasse conosco. A voz que fala “So where are you? It’s been a little while” (Então, onde você está? Já faz um tempo) é de Paul Meany, vocalista da banda MUTEMATH e produtor do álbum Trench junto com Tyler. Em sintonia com alguns dos últimos versos, “I’m so sorry, I forgot you / Let me catch you up to speed” (Peço desculpas por ter esquecido você / Deixe-me te contar o que aconteceu), isso pode nos remeter a dúvidas sobre a ou religião. Em “Addict With a Pen” (2009), Tyler pede desculpas por não ter conversado com Deus há algum tempo, e em “Doubt” (2015), que também tem algumas referências religiosas, ele pede para não ser esquecido.

Não estamos afirmando que esses trechos significam isso, já que Tyler ainda não falou sobre o significado em entrevistas. Algumas pessoas acreditam que esses trechos se referem à pausa que twenty one pilots deu entre 2017 e 2018, e que ele está falando com os fãs nesses versos, pedindo desculpa por terem ficado longe das redes sociais e não terem nos contado o que vinha acontecendo. Dessa forma, eles estariam fazendo uma referência à relação entre os fãs e a banda.

A questão da arte de fazer música pode ser notada quando Tyler canta que está bebendo cloro puro e que quer deixar “as ondas deslizarem” por dentro dele porque “a batida é química” e o “momento é medicinal”.

Isso é algo que já ouvimos e vimos de outras formas na discografia deles, como em “Holding On To You”, em que Tyler diz que é hora de “irmos em direção a uma batida mais introspectiva”, no sentido de também fazer músicas que falem sobre o que realmente sentimos, e não apenas sobre coisas superficiais. Em uma das cenas do clipe, ele canta com uma corda no pescoço, confrontando o suicídio, o ato máximo de sofrimento da mente humana, com o poder da música. O conceito também foi muito forte na era Blurryface, quando a banda deu um nome e uma voz a um lado obscuro da mente para discutir sobre questões profundas de forma mais direta.

A questão da fama pode ser vista em alguns versos mais confusos pelo jogo de palavras em inglês:

A palavra “lead” tem muitos significados diferentes, e por isso Tyler diz que “esses versos podem ser lidos incorretamente até que sejam ditos em voz alta”. Um deles é liderar ou estar em destaque, outro é “alvejante”, produto usado para lavar roupas e que contém cloro na composição.

Portanto, Tyler pode estar dizendo que vive em uma posição de destaque (fama) e/ou que vive movido a alvejante/cloro, que nesse contexto significa arte ou música, e logo depois ele pode estar dizendo que o alvejante/cloro (arte/música) e/ou a posição de destaque (fama) tem um sabor terrível, se referindo à dificuldade de viajar por um lado obscuro em sua própria mente para criar músicas introspectivas como ele gosta e ao lado ruim de estar em destaque na mídia.

Depois do jogo de palavras, Tyler diz que, apesar disso, está faturando o dobro “fazendo papel” (dinheiro) e que tem desgosto disso às vezes, mas que ama odiar esta luta. Se isso soar estranho, é só você se lembrar de quando ele criticou o próprio sucesso com a música “Stressed Out” ao mudar a letra ao vivo (performance • entrevista sobre o dia) dizendo que músicas tocadas demais “soam como uma porcaria”. Ao mesmo tempo em que o sucesso tem aspectos ruins que ele odeia, também tem aspectos bons que o fazem amar tudo isso.


A carta de Clancy

Tudo indica que o plano original era lançar o vídeo de “Chlorine” no dia 23 de janeiro ao meio-dia (horário de Brasília). twenty one pilots publicou a última prévia do clipe com um link para a contagem regressiva no YouTube, mas logo surgiram relatos de pessoas em diferentes fuso horários que já estavam assistindo. Devido a esse erro no sistema, o vídeo foi liberado cerca de 12 horas antes.

Pouco antes disso, entretanto, já estávamos atentos e confusos com uma nova carta de Clancy postada no enigmático site de Dema. A história descrita parece fazer referência ao final do vídeo de “Levitate” e o que aconteceu depois, já que Clancy diz não ter certeza se o que ele viu foi um bispo capturando um homem (Tyler, pelo que vimos nas outras cartas e clipes) para tê-lo como um prisioneiro ou para salvá-lo.

Há alguns pontos principais que Clancy levanta e que podem ajudar a explicar o vídeo de “Chlorine”. Primeiro, ele diz que está revivendo a memória várias vezes e pensando no significado real dela. Depois, ele entra em uma dúvida existencial ao perceber que começou a considerar Dema sua casa e chama os limites da cidade de “confines”, mesma palavra que Tyler usa em “Chlorine” no trecho “I plan my escape from walls they confined” (Eu planejo minha fuga dos muros que eles confinaram).

Por último, Clancy diz que está começando a se acostumar com a rotina do lugar e que sua mente está saltando entre dois mundos, seu lar real e a fantasia de um lar em Dema, que na verdade é um lugar hostil. Isso tem tudo a ver com uma teoria levantada por fãs de que o vídeo de “Chlorine” é uma espécie de fantasia ou alucinação de Tyler, ainda em Dema, usando a música para fingir que não está mais refém dos bispos, e sim em uma cidade comum do lado de fora.

Além disso, as palavras riscadas na carta formam a sequência “sodeepnedbayou”, que soa como um trecho reverso de “Nico and The Niners”. Quando ajustado, é possível ouvir que esse trecho é, na verdade, “we are banditos” (“nós somos banditos”, como chamam os rebeldes que fogem de Dema), mas ainda reverso ele soa como “mantenha Ned ao seu lado” ou algo desse tipo. Sem coincidências ou mensagens subliminares, Ned é o nome da criaturinha vista no vídeo de “Chlorine”.


Quem é Ned?

No dia 22, Tyler falou que ia nos apresentar a “alguém” chamado Ned. Na última prévia postada pela banda no Twitter era possível ver um monstrinho fofo e sinistro ao mesmo tempo. Um desenho do rosto dele também estampou a imagem de divulgação do vídeo antes do lançamento, o que fez todos deduzirem que ele era o tal Ned.

Foto postada por Tyler Joseph no Twitter (@tylerrjoseph).

Para entender Ned, pensamos primeiro em tentar entender a escolha do nome. Duas coisas logo vieram à cabeça porque já recorremos a essas técnicas em mistérios passados, e nos deparamos com uma terceira possibilidade no Twitter.

  1. Ned de trás para frente é Den: “den” em inglês pode significar “caverna”, “cova” ou “toca” e poderia ser uma referência à história bíblica de Daniel na cova dos leões. Além do fato de Tyler ter tido uma criação cristã e mencionar a fé em algumas músicas, a própria de letra de “My Blood” cita essa passagem mais diretamente no verso “If you find yourself in a lion’s den / I’ll jump right in and pull my pin / And go with you, I’ll go with you”, em que Tyler se oferece para ajudar alguém que se encontra na cova dos leões.
    No livro de Daniel no Antigo Testamento, ele relata que foi atirado como comida aos animais como forma de punição por fazer orações a Deus após outros membros da corte terem convencido o rei de que apenas ele deveria ser adorado na cidade. Ao ser encontrado intacto no dia seguinte, Daniel afirma ao rei que, por ter pedido proteção divina, os leões não o machucaram. Estar na cova dos leões, portanto, pode ser metáfora a um teste de fé.
  2. Ned é um anagrama para End: “end” em inglês significa “fim”. Já sabemos que “Chlorine” fala sobre consumir algo tóxico e potencialmente fatal. Entregar-se ao ato de “beber cloro”, literal ou metaforicamente, pode ser o fim da linha. Talvez Ned tenha esse aspecto de pequeno demônio, com chifres e tudo, por representar tendências que fazem mal ao próprio corpo/saúde, talvez até a morte.
  3. Ned pode ser um acrônimo de “Never Escaping Dema” (postado por brokebandito): Nos três primeiros vídeos, vimos que Tyler não conseguiu escapar de Dema, sendo capturado novamente por um bispo (possivelmente Nico). Na carta postada pouco antes do novo vídeo, Clancy fala sobre estar sendo convencido pelo bispo Keons de que Dema é um verdadeiro lar, mas que a dúvida sobre isso o faz saltar entre dois mundos. Talvez Ned (“nunca fugirá de Dema”) e todo o clipe de “Chlorine” representem essa mesma alternância para Tyler: uma forma de escapismo usando a imaginação, como falamos mais acima.

Sobre o que Ned representa, entraremos em detalhe na próxima seção. Ned pode simbolizar várias coisas: a criatividade de Tyler; o lado tóxico das influências exteriores; o lado negativo da própria mente, de forma parecida com Blurryface, talvez tudo isso junto, etc. Tudo depende do ponto de vista.

Curiosidade: o ator Dom Tomato interpretou Ned nas gravações do vídeo vestindo uma roupa especial usada para a captação de movimentos. Os técnicos de efeitos especiais e animação 3D que trabalharam no clipe transformaram Dom em Ned na edição.


Interpretação e teorias de fãs

Alguns pontos do vídeo foram notados por muitas pessoas nas redes sociais. Gostaríamos de dar destaque a algumas teorias, como as de  e  que foi traduzida para o português por @twltyonepilots, e as teorias de @noiceobrien, @sivansheathns e @twwntyonepilots.

O vídeo começa com Josh e Tyler na beira de uma piscina quase vazia. No reflexo da água acumulada no fundo, podemos ver os dois vestindo o “skeleton hoodie”, aquela fantasia de esqueleto que a banda usa desde os primeiros anos de carreira e que foi um dos itens principais do vídeo de “My Blood”, mais recente. Há um pneu desgastado na poça d’água que lembra bastante o pneu submerso em tinta na capa do primeiro álbum da banda. Também vemos um carro destruído no canto do terreno, que, apesar de não ser o mesmo carro do vídeo de “Heavydirtysoul”, pode ter o mesmo peso emocional. Isso pode simbolizar que o que está no fundo/ao redor da piscina é a base ou o passado da banda.


Josh está enchendo a piscina usando uma mangueira aparentemente velha e que já precisou ser remendada com um pedaço de fita isolante. A água que sai dela é muito fraca e está em pouca quantidade, demorando demais para encher a piscina.


Vemos que Tyler está usando um headphone com fitas amarelas para ouvir música enquanto enche a piscina. Já falamos sobre a importância da música para a banda e para os fãs na batalha para seguir em frente. As fitas amarelas provavelmente têm o mesmo significado que na trilogia que começou com “Jumpsuit”: serve para afastar os bispos e a influência negativa de Dema, permitindo que ele crie e coloque seu propósito em ação.

Tyler pega um copo e coloca a mão sobre os lábios como se tivesse se machucado, o que parece uma referência a “Cut My Lip”, outra música do álbum Trench que fala sobre recorrer a algo que faz bem e mal ao mesmo tempo. É interessante observar que essa música também começou a ganhar destaque junto com o lançamento de “Chlorine”, já que as duas começaram a ser tocadas ao vivo pela banda apenas nas últimas semanas.


É nesse momento em que Tyler vê uma criatura fofa e monstruosa, Ned, e pede para Josh interromper o fornecimento de água. Ao perceber que Ned não se sente muito confortável com a água, eles vão buscar bastante cloro. Depois de virar os galões de cloro na piscina, Tyler chama Ned. Ele ainda não está satisfeito e volta a se esconder.

Josh e Tyler carregam então um tanque de transporte de cloro que parece bastante pesado. Pelas expressões deles, vemos que existe um esforço físico e psicológico para agradar Ned. Com a piscina cheia de cloro e emanando as “vibrações venenosas”, Ned finalmente salta na piscina. Aqui, intercaladas com o mergulho de Ned, vemos cenas de Tyler cantando à noite sem o headphone, no momento mais vulnerável da música.

O vídeo se direciona para o final com Tyler sentado na piscina, agora vazia, e um bispo passando na frente da câmera. Ned se aproxima e Josh entrega um copo, possivelmente de “chlorine”, a Tyler. Ned recusa a oferta de um gole e Tyler encara o líquido de outra forma, talvez se perguntando se deve beber mais daquilo ou se já é suficiente.


Teoria A (MKBR): Levando tudo o que falamos na matéria em consideração, a relação entre a piscina e Ned pode simbolizar a carreira de twenty one pilots ou a própria mente de Tyler e Josh, precisando de algo que os faça seguir em frente. A água, podendo simbolizar o que já passou ou fontes mais “saudáveis” ou “comuns” de inspiração para o futuro, não é mais eficiente. Ned não quer mergulhar em água, ele exige cloro, algo que pode causar dor no processo de criação artística para atingir os fins desejados. O cloro pode simbolizar um “mergulho” em coisas como sentimentos negativos ou memórias dolorosas para que Tyler consiga escrever músicas que ele considera apropriadas para cumprirem o propósito da banda, sendo necessário passar pelo lado ruim para alcançar o lado bom, quase uma forma de “terapia”.

Teoria B (postada por mrgrne, shlofolina e twltyonepilots): A piscina e a água no começo do vídeo simbolizam a história da banda, tudo o que já foi dito e lançado por eles no passado. Ned é um símbolo de limpeza, e ao vê-lo Tyler pede que Josh pare de encher a piscina com letras tristes. Essa teoria leva em consideração as controvérsias sobre “romantização” ao negativo que algumas pessoas levantaram sobre twenty one pilots e que eles chegam a mencionar em “Nico and The Niners”. O vídeo de “Chlorine” seria então a representação da era Trench como uma era de purificação, em que o foco está na esperança por dias melhores e na discussão direta sobre suicídio para evitar estas tendências, como vemos em “Neon Gravestones”. O cloro seria uma metáfora para o tempo de pausa da banda, criando músicas com uma abordagem diferente dos álbuns anteriores. Josh acompanha Tyler em todos os momentos porque apesar de não escrever as canções ele quer fazer parte do processo de criação e de purificação, buscando e oferecendo cloro.

Essa teoria é interessante se pensarmos em todo o universo de Dema falar sobre a fuga dos muros onde a morte é glorificada, principalmente porque a cor da era é o amarelo, cor usada nas campanhas de conscientização sobre depressão e prevenção do suicídio em todo o mundo, ganhando mais destaque no mês de setembro todo ano.

Teoria C (postada por noiceobrien): Ned é um símbolo das ideias/criatividade de Tyler. A piscina vazia e suja representa uma mente atormentada pela falta de contato com a arte e por problemas psicológicos. A água é uma forma de fazer as ideias (Ned) fluírem melhor na piscina (mente). O cloro simboliza formas de tratamento para essa mente, como remédios (supondo que ele esteja tratando seus transtornos, como ansiedade ou depressão). É por isso que Ned fica mais feliz com a piscina cheia de cloro e seus chifres até crescem, o que a Bea acredita representar o triunfo da criatividade/música. Quando a noite cai e um bispo passa pela câmera, Tyler e Ned já estão exaustos. Josh oferece um incentivo (o copo de cloro) a Tyler, que tenta oferecê-lo a Ned, mas o monstrinho recusa. Isso pode simbolizar o momento em que as ideias se esgotaram pelo dia e que é preciso descansar a mente para o dia seguinte.

Essa teoria é interessante de um ponto de vista mais psicológico. Apesar de muitos artistas acreditarem que a depressão ou outros desequilíbrios podem aumentar sua criatividade, estudos comprovam que artistas se sentem com maior controle e se sentem mais produtivos quando estão tratando seus problemas, seja com sessões de terapia e/ou com acompanhamento psiquiátrico e uso de medicamentos. A moral da história é que não adianta se esconder por trás do que te assombra, é preciso enfrentar o processo de “limpeza”, buscando ajuda. A questão do dia e da noite também já foi bastante trabalhada pela banda antes, usando a noite como um momento delicado para a criatividade, mas também como um espaço de necessidade de descanso para se ter energia para batalhar no dia seguinte.

Teoria D (postada por sivansheathns): A piscina e Ned representariam os fãs de twenty one pilots e o cloro a discografia da banda, todas as suas músicas e seus trabalhos. Tyler ouvindo a música com o headphone representa o momento de criação das canções. Tyler não consegue beber o cloro, o que pode simbolizar que ele não consegue se livrar de seus problemas, mas continua com a sua missão de ajudar Ned (os fãs) a se purificar. Quando Ned pula na piscina, representa o mergulho que os fãs da banda dão ao apreciar sua arte e todo o universo construído. O crescimento de Ned na água simboliza a esperança crescendo nos fãs ao terem contato com a mensagem, literalmente “Chlorine”.

Teoria E (MKBR): Interpretando do ponto de vista das cartas de Clancy e o site de Dema, o vídeo de “Chlorine” pode ser um dos dois mundos entre os quais as pessoas em Dema ficam “saltando”. Todo o vídeo pode ser um delírio criativo de Tyler buscando formas de fugir (“I plan my escape from walls they confined“). A piscina pode simbolizar a prisão de Tyler em Dema, para onde presumimos que ele foi levado após o clipe de “Levitate”. Enchê-la com memórias do mundo fora dos muros não funciona mais. Ned representa a criatividade em tempos de escuridão, ou seja, de Tyler confinado atrás dos muros, construídos por problemas psicológicos, conformidade e o controle dos bispos, que tira das pessoas a liberdade e o livre arbítrio. O cloro simboliza as ideias que Tyler coloca na mesa para enfrentar as influências negativas de Dema. Ned triunfa naquele momento e Tyler acaba o vídeo fazendo as pazes com ele, sua criatividade, mas quando a noite cai e a distração já não funciona mais (a música acaba e ele está sem o headphone com a fita adesiva amarela, cor que afasta os bispos) ele se sente exausto e provavelmente volta à realidade, preso em Dema. Mas a limpeza de “Chlorine” não foi em vão, acredito que provavelmente veremos um novo confronto entre Tyler e os bispos/Dema em um possível novo vídeo da era Trench. A história não parece ter terminado ainda.


E você, concorda com nossa interpretação da música? Gostou mais de alguma das teorias dos vídeos que reunimos? Pensa em algo completamente diferente? Deixe seus comentários aqui embaixo da matéria ou fale com a gente nas redes sociais!


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Comunicado

Por decisão unânime, a equipe da Mutant Kids Brasil decidiu dar uma pausa indeterminada nas atividades do portal.

No dia 02 de setembro de 2020, Tyler Joseph demonstrou indiferença a causas sociais que são importantes para nós e por isso não nos sentimos mais confortáveis em continuar o nosso trabalho de cobrir a banda twenty one pilots.

Depois de meses recebendo mensagens de fãs pedindo que ele se posicionasse em suas plataformas digitais em relação a tópicos importantes, como o movimento Vidas Negras Importam nos EUA e a crescente onda de homofobia na Europa, Tyler publicou uma foto usando tênis de plataforma (salto) como piada, dizendo que estava sim usando sua plataforma.

Horas depois de causar controvérsia, ele começou a falar sobre saúde mental, dizendo que é essa a sua causa, e que ele já carrega peso demais, mas que admira quem batalha por outras causas.

Não é a primeira vez que ele diz algo assim. Em 2016, quando o casamento homoafetivo foi enfim legalizado nos EUA (país onde Tyler mora), ele ficou em silêncio. Ao ser perguntado sobre o que ele achava, Tyler publicou uma mensagem dizendo que não havia postado sobre isso porque "qualquer outra causa, não importa o quão nobre seja, torna-se um peso grande demais para carregar". Ele pediu paciência até que um dia ele "consiga carregar mais peso".

Isso nos leva a concluir que Tyler ainda não aprendeu a carregar o "peso" que nós somos, 4 anos depois. Não sabemos se faz sentido dedicar nosso tempo e energia a alguém que nos enxerga desta forma. A impressão que temos é que as nossas batalhas não são as mesmas, como ele dizia. E isso nos magoa.

Não achamos que todas as celebridades são obrigadas a se posicionar sobre tudo. Mas acreditamos que as pautas sobre identidade estão diretamente ligadas à saúde mental, base sobre a qual a banda construiu sua carreira. Tyler mencionou dados sobre depressão e suicídio, por exemplo, mas ele não olha mais fundo na questão. Há diversos estudos que relacionam esses males ao preconceito que pessoas negras e LGBTQ+ sofrem. É preciso enxergar os fãs.

Não estamos publicando esse texto como uma tentativa de convencer vocês a pensarem como nós. Assim como muitos defendem a opção de Tyler de não se pronunciar, esperamos que entendam a nossa perspectiva. Nossa equipe é e sempre foi diversa, com contribuição de pessoas de diferentes estados, grupos sociais, gêneros, sexualidade, religião e posicionamento político. Infelizmente, não nos sentimentos tão acolhidos pela banda como antigamente, e assim como diversos outros portais pelo mundo estamos tomando essa decisão.

O site, as redes sociais e o canal no YouTube continuarão no ar para quem quiser conferir o conteúdo que publicamos sobre a banda desde 2014.

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