twenty one pilots na Coup De Main: acredite no hype

Publicado por Kaline Linhares - Arquivada em 2019

Tradução de Danielle Forte e Thayná Oliveira
Revisão de Kaline Linhares

twenty one pilots se reuniu novamente com a Coup De Main, dessa vez na Nova Zelândia, para discutir sobre seu último álbum, Trench. O duo falou sobre sua turnê, aparatos dos shows, músicas que ficam de fora da setlist e mais. Confira a tradução abaixo.


Joshua Dun e Tyler Joseph do twenty one pilots estão rindo de modo abafado em um salão na Spark Arena em Auckland, enquanto trabalham individualmente em suas contribuições manuscritas para Coup De Main Zine — Dun, um olhar legendado nos pensamentos do seu amado Golden Retrivier, Jim, e Joseph, uma lista de qualidades que ele admira em Dun.

Eles permanecem um minuto em silêncio, inventando observações espirituosas através de suas canetas, antes de trocarem as anotações como estudantes colando em um teste — Dun gargalha quando lê o quarto item de Joseph, “Não se chateia como eu quando as pessoas soletram seu nome com dois ‘N’s.” Ele confirma, “É verdade!”

É a terceira vez da banda como atração principal na Spark Arena no espaço dos últimos três anos, e o progresso de retorno para o que frequentemente é considerado o outro lado do mundo para alguns artistas turistas, não é apenas o testemunho da ética de trabalho duro deles, mas também a universalidade das canções que eles criam.

No lançamento mais recente deles, Trench (o qual debutou em #1 nos charts da Nova Zelândia e da Austrália), Tyler Joseph convida seus ouvintes para os mais íntimos pensamentos de seu cérebro mais do que nunca através do mundo de Trench — com músicas como “Smithereens” e “Legend” homenageando duas pessoas muito importantes em sua vida, para canções como “Neon Gravestones, a qual reflete sobre a glorificação do suicídio no mundo atualmente.

Durante o curso das 14 músicas do álbum, a jornada através desse mundo é tumultuosa, há altos e baixos, mas ele descobre na última faixa, “Leave the city”, que “Em Trench não estou sozinho”, e ele não está sozinho, e sim junto de Josh Dun, em cada passo do caminho.

A Coup De Main conversou com twenty one pilots em Londres no ano passado, assim como na Nova Zelândia, quando eles passaram com a Bandito World Tour antes do Natal. O que segue a baixo é uma combinação truncada de ambas as conversas para uma leitura fácil…

Coup De Main: A primeira e muito importante pergunta — Você assistiu ao videoclipe estrelando Jason Statham com uma sunga de estampa de guepardo (a la ‘Pet Cheetah’) que nós te falamos em outubro?
Tyler Joseph: Não, mas eu vi screenshots dele. É incrível, não consigo acreditar que aquilo existe.

Coup De Main: Tyler, você disse para alguém em uma entrevista semana passada que um lugar que você realmente quer visitar é Rivendell¹. Você está na Terra Média agora, então você conseguiu conhecer?
Tyler Joseph:
Bem, Rivendell não é aqui [em Auckland], mas nós fomos à Hobbiton alguns anos atrás e foi uma das coisas mais legais que nós tivemos oportunidade de fazer estando em turnê. Foi um dos meus dias de folga favoritos de todos os tempos.

Coup De Main: Você também está em terras onde seu último álbum Trench foi à #1! Para celebrar nós fizemos um certificado comemorativo.
Josh Dun: Oh, sim! [ri]
Tyler Joseph: Isso é maravilhoso. Mas você não assinou?
Josh Dun: Não está assinado?

Coup De Main: Nós íamos conseguir alguém da sua gravadora para assinar, para tornar legítimo, mas não deu tempo de pedir a eles.
Tyler + Josh: [riem]
Tyler Joseph: Parece bem legítimo.

Coup De Main: Da última vez que conversamos, vocês explicaram como é difícil pra vocês responder a pergunta “Qual é a sua música preferida pra tocar ao vivo?”, por causa da forma que os fãs injetam os seus significados e envolvimento nas músicas depois que o álbum é lançado. Como tem sido essa experiência, especialmente trazendo as novas músicas à vida nos shows?
Tyler Joseph: Algumas músicas se destacam pra mim, e é difícil não ter uma inclinação para as novas músicas, mas nós nunca queremos perder de vista a importância das músicas antigas para as pessoas e para nós. Só porque nós queremos atualizar o set e tocar coisas novas, não necessariamente significa que é o melhor para o set. Nós entendemos isso. Nós já fomos em shows nos quais ficamos desapontados porque os artistas não tocaram certas músicas, e a gente compreende, entendemos isso. Mas, ao mesmo tempo, nós olhamos o outro lado disso como pessoas que estão tentando agradar todo mundo que vai a um show. É muito difícil achar a ordem perfeita, e tem muitos motivos para escolher certas músicas que talvez algumas pessoas não entendam — seja porque aquelas duas músicas fazem sentido juntas, ou uma transição, ou alinhamento com a produção. Quero dizer, toda música tem uma certa paleta de cores e produção, e nós sabemos que tem certas músicas que têm certas paletas de cores e nós não queremos colocar duas músicas com a mesma paleta de cores seguidas para a produção. Tem muitos aspectos que explicam o motivo das músicas estarem onde estão nas setlists. Já aprendemos agora que estamos montando um show, e nós temos que considerar… Para mim, músicas como “Morph” e “My Blood”, que são das mais recentes que estamos tocando, um dos motivos pelo qual eu realmente curto elas agora é por que elas são as mais difíceis de acertar. Para mim, e para o Josh também, a música “My Blood” é muito técnica. Musicalmente, você tem que estar focado em ser capaz de executar sua parte e também tentar performar e prender a atenção das pessoas ao mesmo tempo. É muito difícil fazer essas duas coisas de uma vez. Agora que pegamos o jeito, nós ficamos animados com o que somos capazes de conseguir. Uma música como “Morph”, para mim, eu não estou tocando nenhum instrumento, o que pode ser um pouco desconfortável para mim como o cantor principal — especialmente em uma banda com apenas dois caras, o fato de não tocar um instrumento, ter Josh tocando bateria, eu sinto como se fosse só eu, com sorte fazendo um bom show. Há definitivamente aspectos de sentir como, “Isso é bom o suficiente?” e se sentir um pouco desconfortável durante algumas músicas. Essas se tornam as minhas músicas preferidas de tocar ao vivo porque é algo que eu superei e conquistei. Tratar um show dessa forma sempre nos dá um incentivo extra, e certas músicas significam mais para nós por causa disso.

Coup De Main: Comentário à parte, seus fãs estão muito descontentes que “Bandito” foi tirada da setlist para essa parte da turnê.
Tyler Joseph: Eu acho que a gente reparou. É difícil fazer tudo caber. Eu estou em um vai e vem de ficar um pouco doente também, então é sobre quais músicas fazem sentido com o quê. Eu nunca gosto de falar sobre quando eu estou doente e quando não estou, porque eu acho que isso não é justo com nenhuma audiência, achar que eles estão recebendo uma versão não tão boa do show. Eu nunca quero falar isso no palco, ou até mesmo online, quando eu estou me sentindo mal, porque depende de nós nos certificar que apresentemos o melhor show que pudermos, e as pessoas se sentirem mal por nós por algum outro motivo não é justo. Uma música como “Bandito” é realmente difícil de apresentar, porque nós projetamos essa música em torno de um momento específico do B-stage que nós tivemos nos Estados Unidos.

Coup De Main: Eu estou triste que nós não temos a ponte aqui, ela parecia tão legal.
Tyler Joseph: Nós tínhamos toda a intenção de tentar trazer o máximo que pudéssemos pra cá, mas na verdade nós não podíamos pagar o custo. Foi também uma coisa sobre peso — tem apenas uma certa quantidade de peso que você pode colocar em navios e aviões, então teve essa conta errada em que nós tentamos colocar isso em todos os lugares, e tivemos que tomar algumas decisões por motivos puramente logísticos de peso. Obviamente não é uma desculpa que cura o problema, mas nós queríamos poder fazer tudo aqui.
Josh Dun: É chato para gente também. Não é um alívio não podermos trazer todas essas coisas muito legais que nós amamos.

Coup De Main: Em “Bandito”, vocês questionam se medo é um rival ou um parente próximo da verdade, o que é um pensamento interessante e meio que me lembrou de uma citação que Oprah Winfrey disse uma vez: “A coisa que você mais teme não tem poder. O seu medo dela é o que tem poder. Encarar a verdade realmente o libertará.” Você concorda ou discorda da afirmação da Oprah?
Tyler Joseph: O que você acabou de dizer parece fazer sentido para mim. Mas aí tem mais, o medo pode te proteger também. Eu penso que existem tipos de medo. Eu acho que a definição de medo tem um espectro mais amplo do que o que nós às vezes o damos crédito. Existem certos medos que podem te proteger de coisas — ter um medo saudável de algumas coisas pode ser bom — e era isso que eu estava tentando descobrir nessa música, que às vezes o medo pode parecer estar logo ali na esquina, ou algo para o qual eu estou olhando no futuro, e por que ele pode assumir múltiplas formas é difícil saber exatamente o que ele é, mas eu sei que é importante tentar entendê-lo. Eu ainda não descobri exatamente, eu só sei que ele tem múltiplas definições.

Coup De Main: “I created this world / to feel some control,” [Eu criei este mundo / para sentir um pouco de controle,] você canta em “Bandito”. Você sente um poder sobre o mundo que criou e as partes de si mesmo que vivem lá agora? Escrever este álbum te deu o controle?
Tyler Joseph: Acho que sim. A letra em si soa bastante pretensiosa ou confiante, mas na verdade, dentro da música, é um momento em que, se qualquer coisa, está admitindo que na maior parte do tempo você sente como se não houvesse controle. Eu acho que algo especial ao criar arte e escrever músicas, é que você tem controle sobre isso – e tem, de certa forma, me preenchido de propósito, tem sido muito útil para mim. E de certa forma estava encorajando outras pessoas a fazerem sua própria versão disso, porque eu encontrei bastante força em construir algo que é meu, que eu tenho controle de um jeito positivo.

Coup De Main: Em uma conferência de imprensa recente, você explicou que você meio que trata a sua própria psique como um mapa sabendo quais são as áreas que você deve ou não ir, e áreas que você quer ir em direção a elas. Você acha que a psique humana está em constante mudança e que o mapa está mudando?
Tyler Joseph: Essa é uma ótima pergunta. Eu gostaria de acreditar que está mudando. Eu acho que conforme você vai experienciando coisas e avança pela vida, você recebe mais informações e entende mais sobre você mesmo. Ao olhar para sua psique como se ela fosse uma casa com muitos cômodos ou um país com diferentes direções e diferentes propriedades, você pode estendê-la profundamente em qualquer direção e aprender mais sobre ela. Eu acho que muito do que esse álbum está falando sobre é que conforme você fica mais velho, você aprende mais sobre as diferentes jurisdições que certos medos e certas lutas têm sobre você quando você está em certas áreas do seu cérebro, e descobre o que deve bloquear, você aprende que não deve explorar aquela parte. Você sabe que existe e não quer necessariamente negar que é parte de quem você é, mas você também não precisa ir lá visitar o tempo todo. Então tentar balancear isso é o melhor jeito pra mim, e no momento que eu estava tentando lidar com as minhas coisas, eu estava vendo isso como um mapa e como uma localização geográfica real.

Coup De Main: Tyler, podemos por favor tirar um momento para apreciar a bateria do Josh em “The Hype” — é TÃO boa. Com que frequência você se impressiona com o talento de Josh?
Tyler Joseph: Uhhh, o único momento em que não estou impressionado com o talento dele é quando estou comendo, porque estou unicamente concentrado na comida. Então entre uma refeição e outra é quando na maioria das vezes fico impressionado com o talento de Josh na bateria.

Coup De Main: Então tem apenas um pequeno intervalo entre os momentos de admiração?
Tyler Joseph: Sim, um pequeno intervalo.

Coup De Main: A ponte em The Hype é um enorme som. O que inspirou a produção por trás disso?
Tyler Joseph: Eu acho que nessa música em particular, eu queria voltar à… Quando eu era um pouco mais jovem, talvez até na escola, apenas um pouco da produção daquela música me lembrou disso. Mas também, liricamente falando sobre quem eu era quando era um pouco mais jovem e o que eu gostaria de ter ouvido. Essa música está particularmente falando sobre a diferença entre uma pressão interna e uma pressão externa. Muitas das coisas sobre as quais escrevo vêm da luta com uma pressão interna, mas há aquelas pressões externas do mundo ao nosso redor que podem ser abordadas também, e essa música trata particularmente dessas de uma forma que — Apenas um encorajamento para continuar, para fazer as coisas que merecem ser postas de lado deixarem de ser um peso.

Coup De Main: Eu amo o verso, “It might take some friends and a warmer shirt / But you don’t get thick skin without getting burnt,” [Pode ser necessário alguns amigos e uma camisa mais quente / Mas você não fica com a pele espessa sem se queimar] em “The Hype”. Quais outras ajudas você recomenda para proteger-se de ficar preso na máquina do hype?
Tyler Joseph: Essa é uma pergunta boa. Mas cara, ouvir você falar essas frases, a letra dessa música é muito boa! [ri]
Josh Dun: Eu pessoalmente me impressiono com as letras.
Tyler Joseph: É! Por que você não perguntou ao Josh se ele se impressiona comigo?

Coup De Main: Essa é minha última pergunta, fique sabendo.
Tyler Joseph: Certo, vamos aguardar então. Mas sei lá, eu teria que refletir, sinto que eu deveria responder [a pergunta] com algo super poético. Acho que a comunidade na qual um show ao vivo é montada, ou a base de fãs, parece ser um [auxílio] – Esse é um bom lugar para se estar, especialmente quando é seguro e receptivo, e eu acredito que nossos fãs são incrivelmente bons em criar um lugar seguro e receptivo para as pessoas curtirem a arte que criamos. Tenho muito orgulho deles e os admiro por isso.

Coup De Main: Como prometido, a última pergunta é para você Josh. Com que frequência você se impressiona com o Tyler?
Josh Dun: Que pergunta ótima. Eu diria que é frequentemente quando estou comendo, admiro-o bastante. Mas eu passo mais tempo comendo do que não comendo, então praticamente o tempo todo.
Tyler Joseph: Então toda vez que eu não estou comendo, você está comendo?
Josh Dun: Sim.

Coup De Main: Vocês têm uma tigela de comida comunitária que compartilham entre si?
Tyler Joseph: É um cocho. [ri] Nosso novo álbum, Cocho². [ri]

¹Mais conhecida como Valfenda no Brasil, é uma cidade fictícia criada pelo escritor J. R. R. Tolkien.
²Cocho é onde os porcos se alimentam. A palavra em inglês é “trough”. Tyler fez piada por a palavra ser semelhante à “trench”.


O que Jim está pensando:

Me deixe sair daqui
— Busquei isso para o papai
— Quero comer uma meia
— Peguei uma corda
— Literalmente nada
— Eu sou um bom garoto, certo?
— Isso não parece legal
— Me sufocando

Melhores qualidades do Josh:

Seu cantor favorito é Tyler Joseph, da banda twenty one pilots
— Sempre diz “Não estou realmente com fome, mas poderia comer”
— O rei de saber teclas de atalho no computador
— Não fica tão chateado quanto eu quando escrevem o nome dele com dois N’s
— Eu perguntei, “Cara, você quer depilar nossas pernas?”, e ele disse, “Sim”
— Carrega velas em sua mala
— Só mente ocasionalmente


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