twenty one pilots revela detalhes do próximo álbum

Publicado por Harry Arthur Braga - Arquivada em 2019

Tradução de Janaína Monte

twenty one pilots se reuniu com a NME, em Birmingham, para discutir sobre seu último álbum, Trench, sua turnê e as histórias por trás de suas músicas, além de revelar detalhes do próximo álbum da banda. Confira a tradução abaixo.


twenty one pilots revela detalhes do próximo álbum: “Definitivamente há um final”

A continuação de 2018 de Trench introduzirá um “novo personagem que desempenha um papel importante na narrativa”

O duo de Ohio lançou o quinto disco em estúdio Trench, em outubro de 2018, um álbum conceitual sobre a cidade alegórica de Dema e os nove bispos ditatoriais que impedem sua população de escapar além da força rebelde de ‘banditos’ que buscam libertá-los. Isso deu continuidade aos mitos elaborados introduzidos pela primeira vez no disco Blurryface de 2015.

O vocalista, Tyler Joseph, disse que a banda vai expandir a história no próximo álbum, no qual vai apresentar um personagem previamente desconhecido.

Ao falar com a NME, ele disse: “Definitivamente há um final. Uma história. Eu acho que fui bem específico no porquê o disco termina com [a música] “Leave the City” e a música em si é um tipo de cliffhanger. Quer dizer, a coisa toda foi uma introdução para o que está por vir e seria estúpido se pelo menos não solucionássemos o que nós já começamos.”

“Há um personagem que não foi falado ainda em nenhum disco, mas que desempenha um papel importante na narrativa, então obviamente precisará ser mencionado, e é provavelmente para onde vamos em seguida.”

“Portanto, não será reintroduzido todos os mesmos temas, mas vai recordar tudo isso e introduzir um novo personagem, uma nova direção.”

Perguntamos se ele já tinha começado a escrever o álbum, e ele respondeu: “Sim. É difícil porque estamos fazendo isso durante a turnê, mas eu acordei duas noites atrás. Isso não costuma acontecer, soa super dramático, mas eu acordei com uma melodia na minha cabeça e eu peguei meu celular e gravei. Depois voltei para cama e quando acordei totalmente, eu lembrei que tinha feito aquilo, abri o gravador e ouvi.”

“Na minha cabeça, eu fui apenas presenteado com essa coisa que aconteceu em um sonho e eu estou tão animado com isso, escutei e eu estava tipo ‘Ok, não é tão bom assim… mas ok, espera, se eu for usar esse acorde para começar e em seguida, ok, se esse acorde vai aqui’, então é mesmo divertido estar em turnê e tentar ser influenciado a escrever porque muitas coisas loucas podem acontecer e você nunca dorme bem.”

“Quero dizer, estar cansado é a nossa versão de ficar bêbado ou chapado”, ele brinca.

Recentemente, a NME encontrou com o twenty one pilots em Birmingham, na primeira noite no Reino Unido da Bandito World Tour para uma entrevista aprofundada em que a banda fala de forma reveladora sobre algumas histórias pessoais que alimentam suas músicas de gêneros alternativos.

Algumas músicas como “Legend”, “Neon Gravestones” e “Smithereens” existem separadamente da narrativa de Trench, e o baterista Josh Dun disse que eles estão brincando com a noção de disco independente, desconectado de qualquer história.

Josh explicou: “Tudo é estratégico, mas há alguns elementos meus e de Tyler que são apenas caras que experimentam a vida como todo mundo. Há uma série de músicas em Trench e até em Blurryface que não necessariamente se encaixam no que nós imaginamos como essa louca narrativa que você pode imaginar em uma série, filme ou alguma coisa da Netflix.”

“Então, provavelmente sempre vai ter elementos de nós que aparecem também, e talvez isso seja mesmo um disco completo entre aqueles que explicam a narrativa talvez, talvez não.”

Falando sobre os primeiros dias, Tyler explicou que enquanto a história mais ampla foi planejada, ele ainda não tinha certeza de como o álbum acabaria soando.

Tyler disse: “Antes de fazermos Trench, eu tive essa ideia na minha cabeça de que ele soaria mais leve e mais suave, depois eu escrevi “Jumpsuit” que arruinou isso, então acho que de fato não haveria qualquer maneira de descrever o tipo de músicas que vamos compor.”

A dupla vencedora do Grammy está atualmente em uma turnê de arena, que culminará com uma temporada de três noites na Arena Wembley, em Londres, antes de retornarem ao Reino Unido para fazerem parte do Reading & Leeds Festival no feriado bancário de agosto (23 a 25).

Apesar da produção impressionante que envolve queima de carro, pirotecnia, dublês que permitem um Tyler vestido de balaclava a desaparecer e reaparecer no meio da música em diferentes partes da arena, Tyler disse que ele não se sente intimidado pelo tamanho da multidão.

Ele disse: “Eu acho que muitos artistas não têm um objetivo em mente, você meio que pode dizer que eles estão apenas jogando ao vento o que for que eles estejam tentando criar, o que eles estão tentando conquistar, e há muitos aspectos no que estamos fazendo nesta turnê que Josh e eu planejamos muito antes das pessoas virem aos shows. É quase como se tudo isso [as ideias] tivesse seguido o seu próprio roteiro de viagem.”

“Tratar todos os show da mesma forma se estamos tocando para duas ou vinte pessoas é algo que sou grato por termos aprendido quando éramos uma banda mais jovem, porque ainda é uma lição valiosa hoje ao tocar em frente a multidões esgotadas toda noite.”

“Agora nós somos impulsionados por essa mania, nós confiamos nessas habilidades que percebemos que estávamos aperfeiçoando. Ou seja, é nisso que temos focado 24 horas por dia, 7 dias por semana nós não temos hobbies. É isso.”

Tyler também acrescentou que essa fase de shows é especial porque vai ser a primeira vez que sua mãe vai vê-lo tocar no Reino Unido. “Nesta turnê, minha mãe está vindo para o Reino Unido e ela nunca viajou muito principalmente para Europa e Reino Unido, então ela está mesmo animada,” ele disse. “Ela está tipo: ‘Qual é o dinheiro do Reino Unido?’ e eu: ‘Nós vamos descobrir. Não se preocupe com isso.’”

“Mas ver todo esse ciclo fechado, e o fato de que nossos pais foram tão acolhedores com uma fé inabalável sobre isso, agora nós podermos recompensá-los com ‘Ei, venha ver um show no Reino Unido’ que é um lugar que eles só veem em filmes é importante.”


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Comunicado

Por decisão unânime, a equipe da Mutant Kids Brasil decidiu dar uma pausa indeterminada nas atividades do portal.

No dia 02 de setembro de 2020, Tyler Joseph demonstrou indiferença a causas sociais que são importantes para nós e por isso não nos sentimos mais confortáveis em continuar o nosso trabalho de cobrir a banda twenty one pilots.

Depois de meses recebendo mensagens de fãs pedindo que ele se posicionasse em suas plataformas digitais em relação a tópicos importantes, como o movimento Vidas Negras Importam nos EUA e a crescente onda de homofobia na Europa, Tyler publicou uma foto usando tênis de plataforma (salto) como piada, dizendo que estava sim usando sua plataforma.

Horas depois de causar controvérsia, ele começou a falar sobre saúde mental, dizendo que é essa a sua causa, e que ele já carrega peso demais, mas que admira quem batalha por outras causas.

Não é a primeira vez que ele diz algo assim. Em 2016, quando o casamento homoafetivo foi enfim legalizado nos EUA (país onde Tyler mora), ele ficou em silêncio. Ao ser perguntado sobre o que ele achava, Tyler publicou uma mensagem dizendo que não havia postado sobre isso porque "qualquer outra causa, não importa o quão nobre seja, torna-se um peso grande demais para carregar". Ele pediu paciência até que um dia ele "consiga carregar mais peso".

Isso nos leva a concluir que Tyler ainda não aprendeu a carregar o "peso" que nós somos, 4 anos depois. Não sabemos se faz sentido dedicar nosso tempo e energia a alguém que nos enxerga desta forma. A impressão que temos é que as nossas batalhas não são as mesmas, como ele dizia. E isso nos magoa.

Não achamos que todas as celebridades são obrigadas a se posicionar sobre tudo. Mas acreditamos que as pautas sobre identidade estão diretamente ligadas à saúde mental, base sobre a qual a banda construiu sua carreira. Tyler mencionou dados sobre depressão e suicídio, por exemplo, mas ele não olha mais fundo na questão. Há diversos estudos que relacionam esses males ao preconceito que pessoas negras e LGBTQ+ sofrem. É preciso enxergar os fãs.

Não estamos publicando esse texto como uma tentativa de convencer vocês a pensarem como nós. Assim como muitos defendem a opção de Tyler de não se pronunciar, esperamos que entendam a nossa perspectiva. Nossa equipe é e sempre foi diversa, com contribuição de pessoas de diferentes estados, grupos sociais, gêneros, sexualidade, religião e posicionamento político. Infelizmente, não nos sentimentos tão acolhidos pela banda como antigamente, e assim como diversos outros portais pelo mundo estamos tomando essa decisão.

O site, as redes sociais e o canal no YouTube continuarão no ar para quem quiser conferir o conteúdo que publicamos sobre a banda desde 2014.

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