twenty one pilots lança clipe de The Hype

Publicado por Mutant Kids Brasil - Arquivada em 2019

“The Hype”, a oitava faixa do álbum Trench, foi lançada como single no dia 16 de julho de 2019. No dia 26, a música ganhou um alt mix, que é uma versão editada com menos tempo de duração para ser tocada nas rádios, assim como aconteceu “Chlorine”. Você pode ouvi-la nas seguintes plataformas ou assistir ao clipe a seguir. Logo depois trazemos nossa interpretação da letra e do clipe!

The Hype (Alt Mix)

Capa do single de The Hype.

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A música

Escrevemos sobre todas as faixas do álbum na página do álbum na seção Letras e Teorias. Mas, caso você não tenha lido ainda, aqui vai um pedaço do que tivemos a dizer sobre “The Hype”:

Em uma entrevista para a revista Coup de Main (que você pode ler em português aqui), ele explicou bem o conceito por trás da canção: “Eu acho que nessa música em particular, eu queria voltar a… Quando eu era um pouco mais jovem, talvez até na escola, um pouco da produção daquela música me lembrou disso. Mas também, liricamente falando sobre quem eu era quando era um pouco mais jovem e o que eu gostaria de ter ouvido. Essa música está particularmente falando sobre a diferença entre uma pressão interna e uma pressão externa. Muitas das coisas sobre as quais escrevo vêm da luta com uma pressão interna, mas há aquelas pressões externas do mundo ao nosso redor que podem ser abordadas também, e essa música trata particularmente dessas de uma forma que… É simplesmente um encorajamento para continuar, para fazer as coisas que merecem ser postas de lado deixarem de ser um peso.”

Tyler já falou diversas vezes que ele fazia música no porão da casa dos pais desde sua adolescência, e foi lá que ele gravou todas as canções de seu projeto solo conhecido como “No Phun Intended”, do qual ele próprio fazia cópias e distribuía para amigos em Ohio. Ele começa “The Hype” dizendo que precisa passar por isso (o conflito entre pressões internas e externas) para não desaparecer, deixar de ser quem ele é, e que para se sentir melhor ele vai voltar ao porão e gravar esses passos. É por isso que a sonoridade da música lembra bandas como Oasis, da qual ele já declarou que é fã. Não é por acaso que muitos fãs notaram a semelhança com a famosa música “Wonderwall”, que Tyler já tocou ao vivo algumas vezes nos shows do twenty one pilots. Outra curiosidade é que o álbum Trench teve muito material gravado no estúdio próprio de Tyler construído no porão de sua nova casa, voltando às suas origens.

O clipe

O vídeo de “The Hype” não é tão enigmático quanto os da trilogia de “Jumpsuit” ou os de “My Blood” e “Chlorine”, mas algumas pessoas se sentiram confusas sobre o que a sequência de acontecimentos no clipe representa. Como de costume, não demorou para que muitos fãs desenvolvessem suas interpretações e teorias sobre tudo. Escrevemos um pouco sobre nossas primeiras impressões e outros pensamentos do Clique que vimos no Twitter e em nossos grupos.

Para começar, o vídeo foi gravado em Columbus, cidade natal de Josh e Tyler e onde a história da banda começou. Todo o clipe foi montado pensando nas mudanças mostradas com o movimento das câmeras, os momentos em que ela se aproxima ou se afasta da banda. Nesse primeiro momento, a câmera entra no peito de Tyler como se ele abrisse uma janela ali. Isso lembrou bastante aqueles versos de “Screen” (do Vessel) em que ele fala que “há uma tela” no peito dele. Ele está mostrando algo íntimo para nós, fazendo de tudo para parecer uma pessoa legal.

Também associamos isso à letra de “Chlorine”, por conta da metáfora do cravo vermelho guardado no bolso do casaco. Como explicamos em Letras e Teorias, o cravo vermelho é a flor símbolo do estado de Ohio, e o bolso do casaco que Tyler tem usado nas sessões de foto da era Trench tem bolsos no peito, o que significa que ele mantém essa flor, ou o estado de Ohio e seus fãs locais, em seu peito, perto do coração. Chamar esta flor de “rebelde”, como ele faz em “Chlorine”, pode ser uma forma de dizer que a planta não se contentou em crescer apenas em Ohio e se espalhou pelo mundo, assim como a fama do twenty one pilots.

Dentro dessa “tela”, vemos Josh e Tyler tocando sem público, dentro de casa. Momentos depois, os movimentos da câmera revelam algumas pessoas sentadas por lá, mas a maioria nem presta atenção neles. Essas cenas iniciais parecem representar os primeiros anos de carreira da banda e as eras dos álbuns Twenty One Pilots e Regional At Best. Eles já falaram, em várias entrevistas, que uma vez fizeram um show e as únicas pessoas que os assistiram foram os membros da outra banda que tocaria no lugar. Eles também já falaram que, por vezes, fizeram shows em que as pessoas não davam muita atenção a eles. Um dos lugares onde eles mais tocaram em Columbus nos primeiros anos se chama The Basement (O Porão) e tem capacidade para cerca de apenas 100 pessoas.

Tyler para de tocar e se encaminha para uma garagem, onde troca de instrumento para um mais bonito e com caixas de som maiores. Josh já está lá com sua bateria porque, lembre-se, tudo se passa no imaginário de Tyler. Tudo o que vemos é uma fantasia simbolizando o que ele quer nos mostrar. Lá, a câmera revela que algumas dezenas de pessoas estão vendo a banda com mais atenção, mas nem todas estão receptivas ou curtindo de verdade o momento, já que podemos vê-las de braços cruzados. Com mais voltas e trocas de figurino, começamos a ver mais pessoas se reunindo do lado de fora da garagem, mostrando o crescimento da atenção que a banda recebeu. Essas passagens provavelmente simbolizam as eras Vessel e Blurryface, principalmente durante os primeiros meses de divulgação, antes do estouro de “Stressed Out”, “Heathens” e “Ride”.

Depois disso, vemos Tyler subindo uma escada que dá ao acesso ao telhado da casa. Já é outro dia, e Josh, mais uma vez, já está lá com seus instrumentos. Dessa vez, o público da banda está enorme, com uma grande multidão se reunindo ao redor da casa, pulando, cantando e gritando. Vemos até mesmo uma menina segurando Ned, o adorável monstrinho do clipe de “Chlorine” que simboliza a expansão da criatividade. Além do grande público e do domínio das cores verde, marrom e amarelo, relacionamos esse momento com a Emotional Roadshow, turnê do álbum Blurryface que levou twenty one pilots a arenas por vários países, e a própria era Trench, o momento atual da banda.

Também vale a pena dizer que isso nos lembrou uma parte de “Pet Cheetah”, em que Tyler canta que a casa dele é a que tem abutres fazendo ninhos no telhado, e um verso de “Levitate”, em que ele se autodenomina um abutre que se alimenta de dor. Josh e Tyler estão no telhado como abutres que se alimentam de sofrimento e o transformam em música, algo a ser compartilhado com o mundo com um objetivo positivo. Outro lembrete é que o amarelo, símbolo da era atual, simboliza positividade e é a cor tema de várias campanhas de conscientização sobre saúde mental, tema recorrente no trabalho do twenty one pilots.

Mas quanto mais alto você vai, maior a queda. Explosões começam a acontecer ao redor de Josh e Tyler, fazendo com que Tyler despenque de volta à sala. A casa destruída e a sequência em câmera lenta desfazendo tudo isso nos lembrou bastante aquele verso de “Chlorine” em que ele pergunta se é possível construir a casa dele com pedaços. Isso representa a reconstrução do interior de Tyler durante momentos turbulentos de sua vida pessoal e profissional. Afinal, toda a música fala sobre não acreditar no “hype”, a animação espontânea e exagerada por algo que talvez não acabe sendo como as pessoas esperam. Muitas pessoas também associaram essa cena ao hiatus/pausa da banda entre as eras Blurryface e Trench. Tyler acaba a reconstrução colando um quadro na parede com a já icônica e simbólica fita adesiva amarela. (Embora o quadro tenha continuado torto, mas disfarça).

Quando a música acaba e voltamos de onde viemos, do lado de fora do peito de Tyler, vemos que Josh oferece a ele um capri sun, o famoso suquinho do clipe de “Stressed Out”, que também foi gravado em uma rua de Columbus e nas casas onde os dois cresceram, e que marcou a ascensão astronômica do twenty one pilots. É como uma maneira de dizer que ele continua ali como sempre esteve e que as coisas não mudaram tanto assim.

Enfim, “The Hype” não é sobre esquecer ou desacreditar em hits, mas sim sobre lembrar que tudo parte de um mesmo lugar sincero e verdadeiro. Tyler não quer que você goste da banda só por causa do hype, porque talvez você acabe nem gostando tanto assim. Mas se você continuar por aqui depois de descobrir mais sobre a banda e entender as raizes dos garotos de Ohio, talvez o Clique seja para você, já que ele é um lugar aberto para qualquer pessoa que se sinta parte dele.

E você, o que achou do clipe? Tem alguma interpretação ou ideia diferente? Fala pra gente nos comentários ou nas nossas redes sociais!

 

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