#TBT: Lista de itens que Tyler Joseph solicita nos bastidores

Publicado por Emily Pessoa - Arquivada em 2019

Tradução de Breno Carreiro
e Thayná Oliveira

Toda banda tocando em um grande lugar tem uma lista de itens que gostam de ter nos bastidores quando eles chegam. Algumas bandas pedem mais itens que as outras, e claro, em junho de 2016, a lista de Tyler Joseph que consiste principalmente em diferentes tipos de alimentos vazou online! É uma longa lista de comida e é bem engraçada! Confira abaixo.


twenty one pilots
Por favor, tenha os seguintes itens prontos para ir ao camarim da banda #2 do Tyler até
sexta-feira dia 17 de Junho de 2016 às 12:00

                           Para 5 pessoas
1/2 galão de leite de amêndoas orgânico
2 pacotes de água Mosun: 1 gelada e outra em temperatura ambiente
4 latas de Red Bull original geladas
6 latas de Coca-Cola clássica e de baunilha
2 garrafas de água de coco orgânica
1/2 galão de leite orgânico
Xícara de chá, tábua de cortar fornecida por entretenimento
Frutas frescas variadas incluindo laranja
2 limões inteiros
Salada de vegetais orgânicos com molho Ranch
1 caixa de cereal orgânico de granola
1 caixa de: Reese’s Puff, Cap’n Crunch, Cinnamon Toast Crunch , Waffle Crisp
1 pote pequeno de maionese orgânica
Sachê: mostarda e molho ranch e molho italiano (Geladeira)
Pote pequeno de molho picante local
1 pote com homus
2 abacates prontos para comer, não muito maduros
Bandeja de carne orgânica: peru, peru picante, presunto de mel, etc
Bandeja de queijo orgânico: suíço e cheddar
1 saco de espinafre orgânico
1 pacote de bacon cozido em micro-ondas
1 pão fresco de padaria, de massa fermentada
1 saco: Doritos de queijo nacho ou Chips de sal e vinagre
1 garrafa (16 onças ou 500ml) 70% de álcool isopropílico
1 garrafa pequena de gel de banho delicado
1 rolo de papel toalha
Pratos, toalhas de mesa, talheres


Isso é muita comida, esperamos que ele pelo menos compartilhe com o Josh!


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#TBT: twenty one pilots na primeira página do Columbus Dispatch

Publicado por Mutant Kids Brasil - Arquivada em 2018

“Com álbum de estreia pronto para ser lançado, twenty one pilots se prepara para decolar.”

por Kaline Linhares
tradução de Fabi Beretta
revisão de Brunna Lemos

Esse foi o título da matéria do jornal The Columbus Dispatch em 18 de outubro de 2012, estampando Tyler Joseph e Josh Dun pela primeira vez em sua página principal. Na época, a banda ainda estava ficando conhecida em sua cidade natal. Confira a tradução na íntegra!

Josh Dun, à esquerda, e Tyler Joseph do twenty one pilots, performando em Nova York. Foto de Amy Williard


NOVA YORK — Avaliando o pequeno palco e o teto baixo, Josh Dun procurava decidir se um palco adjacente poderia acomodar seu característico salto mortal.

Um teste precisava ser feito.

“Eu posso pousar bem ali?” o baterista magricela disse durante a checagem de som em uma tarde do mês passado, no porão do Webster Hall — um espaço aconchegante dentro de uma discoteca que uma vez hospedou bandas pequenas, como Mumford & Sons, Vampire Weekend e The National.

Seu companheiro de banda, Tyler Joseph, não demonstrou apoio: “Se você cair de cara no chão, apenas levante-se e finja que não está sangrando.”

Mais tarde naquela noite de setembro, quando o duo eletro-pop de Columbus conhecido como twenty one pilots tocou para uma casa lotada, as acrobacias foram feitas sem problemas.

Os artistas em ascensão devem estar fazendo saltos figurativos também.

Sem uma equipe experiente ou uma gravadora, eles lotaram o Newport Music Hall duas vezes — e, na primavera, lotaram o Lifestyle Communities Pavilion [agora Express Live!], com capacidade para 2200 pessoas.

A volta mais cedo para a cidade natal se transformou em uma guerra de propostas entre 13 gravadoras que acabou em fevereiro, quando eles assinaram com uma subsidiária da Warner Music Group, a Fueled By Ramen.

Os dois passaram o verão abrindo shows para a banda de rock alternativo Neon Trees e retornaram semana passada da Coreia do Sul, onde eles performaram em frente a 8000 pessoas em um festival onde David Guetta foi a atração principal.

Um show de volta pra casa planejado para sexta no pavilhão esgotou em quatro dias — com mais de um mês de antecedência.

Nenhum dos músicos tem qualquer treinamento formal.

“Você tem que ter um pouco de confiança,” diz um Joseph de 23 anos, sentado nos bastidores algumas horas antes de saltar por cima de um piano vertical, atravessar um bar e cantar energicamente em um moletom com máscara de esqueleto. “Nós começamos do nada.”

“Eu sei que nós somos bons o suficiente para estarmos aqui.”


Imprensa em pleno tribunal

Confiança não é algo estranho para Joseph, que, apesar de suas tatuagens e seu vestuário de brechó, pode ser lembrado mais como um atleta: Ele jogava como armador para a Worthington Christian High School em 2008, o ano em que seu time de basquete ficou em segundo lugar na 4ª Divisão do torneio estadual.

Em tom cômico, certa vez ele cantou “sobre garotas e como elas são ridículas” durante uma reunião de classe.

“Ele é meio que a alegria da festa,” disse a mãe Kelly Joseph, uma professora de matemática do distrito escolar de Olentangy.

Depois de ver um compositor se apresentar em um clube na High Street durante a adolescência, seu filho sentiu que seu futuro havia sido significativamente redirecionado.

Ele desenterrou um teclado antigo — um presente de Natal ignorado — e começou a reproduzir melodias que ouvia no rádio. Seus pais forneceram o equipamento de gravação.

Ao se formar, Joseph recusou uma bolsa de basquete da Universidade de Otterbein, em Westerville, para se dedicar a música.

Sua família ficou chocada.

“Eles olharam para mim e disseram, ‘O que isso significa?’”, Joseph recorda. “E eu disse, ‘Eu literalmente não faço ideia.’”

Depois de frequentar algumas aulas na Universidade Estadual de Ohio e se apresentar sozinho, Joseph começou uma banda com dois amigos, Nick Thomas e Chris Salih.

O nome twenty one pilots foi inspirado em uma peça de Arthur Miller que Joseph havia estudado em uma aula de teatro na faculdade — a peça de 1947, All My Sons (Todos Eram Meus Filhos), em que o personagem conscientemente fornece partes defeituosas de avião, que resultam na morte de vinte e um pilotos da Segunda Guerra Mundial.

Os ocupados colegas de Joseph não conseguiram manter o comprometimento musical, mas twenty one pilots tinha encontrado um fã em Dun, um baterista autodidata de Columbus, animado com o espástico e amplo estilo da banda.

“Eu amei tudo sobre a banda, exceto por uma coisa: eu não fazia parte dela,” disse Dun, 24.

A música enérgica permanece abarrotada de teclados pulsantes e refrões dramáticos, comportando a cadência maníaca do ritmo de Joseph que desafiam os padrões de capacidade de tempo — como se o pianista de pop teatral Rufus Wainwright, talvez em uma explosão de adrenalina por cafeína, estivesse fazendo um cover do Eminem.

As atitudes de tudo-ou-nada ainda marcam o duo, que uma vez já tocou em porões vazios; arrastou um piano três lances de escada acima durante uma nevasca; e atraiu tão pouca gente para um salão em Chicago que o organizador não pôde pagar.

Com a sorte mais recentemente mudada, os dois passaram o verão em Los Angeles gravando com o compositor e produtor Greg Wells (que já trabalhou com Adele, Katy Perry). As vendas para o álbum de lançamento do twenty one pilots, Vessel, começarão no  sábado.

“Com álbum de estreia pronto para ser lançado, o duo de Columbus twenty one pilots se prepara para decolar.”


Construindo o momento

Como muitos outros músicos, Dun e Joseph estão sempre presentes no Facebook, Twitter e YouTube, onde seus vídeos atraíram centenas de milhares de cliques.

Outras estratégias eram mais simples — e, para uma banda que estava começando, atípicas. Eles evitavam divulgação excessiva e se apresentavam apenas esporadicamente em Columbus, ao invés de tocarem em cidades próximas, onde essa dinâmica ajudou eles a construírem plateias cada vez maiores para seus shows no centro de Ohio.

Os fãs fizeram a divulgação.

“Tem algo tão mais poderoso quando alguém se responsabiliza em compartilhar,” disse Joseph. “Nós tocamos em frente a cinco pessoas — e essas pessoas contaram a cinco pessoas.”

Ele e Dun contrataram um videógrafo ano passado, com cenas de plateias crescentes funcionando como iscas.

“Eles entendem a importância de como precisa ser fácil [para os fãs] obter conteúdo,” disse Mark Eshleman, que continua filmando a banda com sua empresa de produção de Columbus, Reel Bear Media. “E isso teve um grande impacto, fazendo gravadoras notarem o que está acontecendo em Ohio.”

Chris Woltman, um diplomado pela Universidade Estadual de Ohio que passou mais de uma década em papéis executivos na RCA e Columbia Records, foi um dos que notaram.

“Havia tal nível de interesse e fascinação,” disse Woltman, o empresário da banda. “twenty one pilots se tornou a banda que todo mundo estava comentando.”

twenty one pilots assinou com Fueled by Ramen, uma gravadora pop-punk da qual fazem parte os pilares do Top 40: Fall Out Boy, Paramore, Gym Class Heroes e Fun. — o último é um emotivo trio que atingiu nº1 este ano com a música “We Are Young”.

“Tem tanta coisa acontecendo entre a musicalidade e a presença de palco e os diferentes tipos de música sendo fundidos juntos,” disse Katie Robinson, diretora sênior de marketing da Fueled by Ramen.

O trabalho da banda ressoou com fãs como Nicole Smith, uma moradora de Gahanna, que fez a viagem de 12 horas até Nova York para o show de setembro.

“Quando eu estou escutando eles, não presto atenção em mais nada,” disse Smith, 19. “Eu os admiro.”


Sonhadores locais

Joseph, cuja voz em fala é mais alta do que suas músicas podem sugerir, prefere canalizar “coisas reais, como sofrimento e dor, depressão — coisas que todos nós precisamos aprender a superar.”

A esta altura, palavras têm uma responsabilidade.

Holding On To You”, o primeiro single da banda, ouvimos o vocalista implorando aos desesperançosos para “colocarem um nó de forca ao redor” dos pensamentos ruins. Em “Guns for Hands”, ele condena suicídio mas o reconhece como um subproduto do livre arbítrio.

“Você tem a habilidade de controlar esse aspecto de si mesmo, se vive ou se morre,” disse Joseph. “Agora, vamos pegar essa energia e esse foco, e apontá-lo para outra coisa, como arte ou pintura ou música.”

Ambos são graduados em colégios cristãos, mas suas músicas não são religiosas. Ela se concentra em autoconfiança, orgulho e humildade em meio a eventos rápidos que podem em breve ajudar a banda a ganhar uma plataforma mais ampla.

“Parte disso é totalmente impressionante,” disse Dun. “Eu ainda irei responder a todos no Facebook.”

E por um bom motivo: em um vídeo no YouTube com uma filmagem do show no pavilhão em abril, Joseph conta: “Vocês criaram nossa grande chance. Obrigado.”

Depois do show no Webster Hall, latas de lixo e postes de luz ao longo da E. 11th Street em Nova York foram cobertos com adesivos do twenty one pilots em que se lia “Poder ao Sonhador Local” — uma perspectiva adequada enquanto os dois se encontram entre táxis e decolagem.

“Isso balanceia toda essa mentalidade de eu-não-consigo-acreditar-que-as-coisas-estão-acontecendo,” disse Joseph. “Ao mesmo tempo: vem com tudo.”


Depois de ganhar seu primeiro Grammy  em 2017, twenty one pilots foi destaque em diversos sites e jornais, e um deles foi o Columbus Dispatch.

https://twitter.com/mutantkidsbr/status/831475110414577668


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#TBT: Tyler Joseph explica as faixas do Vessel (Parte 3 de 3)

Publicado por Mutant Kids Brasil - Arquivada em 2018

Tradução de Kaline Linhares
Revisão de Matheus Lopes

Além da versão de comentário do Vessel no Spotify, que nós transcrevemos e traduzimos na Parte 1 e na Parte 2 desse TBT, em setembro de 2013 Tyler Joseph também falou um pouco sobre cada faixa para a revista Rock Sound. Confira o material em português traduzido pela nossa equipe e aproveite para assistir a performances legendadas das canções do nosso canal no YouTube!


Tyler Joseph, do twenty one pilots, nos dá mais informações sobre cada música do novo álbum da banda, ‘Vessel‘…

O motivo dessa ser a primeira música é por que eu sinto que ela meio que prepara o ouvinte para o resto do álbum, como se colocasse a pessoa em um campo minado sem saber o que esperar… E é melhor não esperar por nada! É uma das minhas músicas favoritas para tocar ao vivo, com certeza. Sobre a estrutura, “Ode To Sleep” é uma das minhas favoritas pela forma como ela se encaixa acidentalmente, como um quebra-cabeças. Eu não sei como a ideia da música surgiu ou o que eu estava pensando, mas fico realmente animado por tê-la criado.

Vivemos em um mundo onde há singles e pensar sobre isso é algo estranho para mim… Eu nunca pensei, “Aqui está meu single e aqui estão todas as outras músicas”. Eu sempre vi como uma obra completa, mas ter “Holding On To You” como a faixa em foco faz sentido para mim. Ela resume bem o que esperar de nós — tem a ver com muitos gêneros musicais diferentes, a melodia é digestível e a progressão de acordes é uma das minhas favoritas das que já criei. Eu gosto que o refrão acontece apenas duas vezes na música, o que é um grande “não, não!”. Você tem que colocar quatro ou cinco vezes, especialmente se você quer ter muito sucesso ou ter suas músicas nos comerciais do Super Bowl…

“Migraine” é uma das minhas favoritas. Tem alguns dos meus versos favoritos… Eu escrevi a poesia muito antes de compôr a melodia. Você pode ficar muito entusiasmado quando escreve a poesia primeiro e depois se apaixona com a forma com que você disse tudo. E então você se preocupa com a melodia que vai junto com isso e fica bem protetor, quase defendendo isso. Estou bem feliz por ter encontrado a melodia certa e essa é uma das minhas músicas favoritas para performar ao vivo.

Eu entrei em uma loja de instrumentos usados, vi um ukulele e comprei… Isso é literalmente o quanto pensei sobre isso e eu não fazia ideia de como tocar. Eu apenas pensei que era um instrumento pequeno, e minhas mãos são pequenas… Isso foi feito para mim! Eu aprendi como tocar, aprendi alguns acordes. “House Of Gold” é sobre a minha mãe e significa muito para mim. Revelar exatamente sobre o que é essa música me deixa um pouco vulnerável, mas eu amo muito a minha mãe e quero sempre estar presente para ela como ela esteve para mim e essa música é sobre isso.

Esta é bem diferente quanto à estrutura da música, porque não tem refrão, não tem gancho! Os versos falam sobre uma verdadeira história de quando eu me atrasei para a aula. Eu estava na faculdade, tentando todas essas coisas que dizem que devemos fazer, acho. Eu larguei a faculdade pouco depois disso… O ponto é, eu estava atrasado para a aula e esqueci de trancar a porta [do carro] e quando eu voltei, tudo tinha sido arrancado e roubado. Naquela época, financialmente, eu não podia substituir tudo que tinha sido roubado, o GPS, o rádio, todos os meus CDs. Quando eu entro no carro a primeira coisa que faço é ligar o rádio e por um tempo eu não podia fazer isso. Ao remover aquela parte de mim, eu percebi que às vezes música pode agir como uma distração e evitar que sua mente vá para lugares cabulosos.

Eu amo fazer essa contraposição em que a música é muito alegre e animada mas a letra não é. Se eu conseguir fazer as pessoas cantarem por causa da melodia, elas começam a perceber o que a música realmente está dizendo. Eu gosto de surpreender as pessoas. Essa música tem uma progressão bem animada e divertida.

Eu também compus essa música no ukulele. Eu realmente espero não me tornar o cara do ukulele! A parte que se destaca para mim nessa música é o convite para que as pessoas cantem no coro… O objetivo dessa música é ter mais alguém além de mim cantando. Eu odeio performar essa música na frente de pessoas que não sabem quem nós somos ou não querem ser uma parte do show — não faz sentido. É quase desnecessário se não há pessoas lá para cantar comigo, mas, por outro lado, é facilmente uma das minhas músicas favoritas para performar quando as pessoas estão dispostas a fazer parte do show.

Muitas vezes eu me imagino em uma certa casa de show ou um certo lugar performando uma música enquanto estou escrevendo-a — então enquanto estava escrevendo essa música em particular, eu me imaginei em um festival no meio do dia (porque, obviamente, não somos tão bons ainda… não podemos tocar à noite). Eu imaginei um mar de pessoas me ajudando com essa música e, de certa forma, isso é ridículo porque ainda não há um mar de pessoas, eu estou me adiantando muito com esta música. É cronologicamente fora de ordem, porque não somos ninguém agora… Somos apenas uma banda aleatória que as pessoas nunca ouviram falar. Esta música me lembra que, se isso acontecer conosco, estaremos prontos.

Eu toco keytar nesta música — meu objetivo é parecer bem legal toda vez que toco essa música, mas eu falho miseravelmente às vezes, é um desafio toda noite. Ela é definitivamente abrangente, em relação ao gênero, mas esse é o propósito, acredito. A ponte entre as últimas estrofes ainda me pega de surpresa, às vezes eu até esqueço quando toco ao vivo. Eu adoro isso, que eu como um compositor e cantor tenho que prestar atenção no que a música está fazendo. Acredito que é uma música muito boa!

As pessoas interpretam o que esta música está dizendo e de certa forma eu sinto que devo deixar isso acontecer e não responder a pergunta. Em suma, houve um show em que eu estava tocando e nessa época nós conseguíamos falar com todo mundo depois do show. Eu me lembro deste show em particular mais do que o habitual, pessoas vieram até mim e sentiram que precisavam compartilhar as coisas pelas quais elas estavam passando, e muitas dessas coisas tinham a ver com suicídio… graças a Deus estava relacionado a eles superando isso e usando música e canções, em particular as minhas, para ajudá-las a fazer isso.

Eu fiquei tão inspirado e comovido com aquele show e aquelas crianças que vieram até mim e compartilharam suas lutas contra suicídio e essa música é inspirada por elas e pelas pessoas que lutam contra isso. Eu não digo que sou profissional no assunto porque é perigoso falar sobre suicídio e dizer que você tem voz sobre a questão, mas essa música é sobre pegar essa energia negativa e apontar para outra coisa, não para você mesmo, realmente dando a essas pessoas o poder de saber que elas têm controle sobre as circunstâncias pelas quais estão passando.

Essa é uma das últimas músicas que tocamos no nosso show e antes mesmo de tocá-la já estamos exaustos. Por algum motivo, essa música nos dá mais força, eu nem sei de onde isso vem. Isso é especial para mim. Algo maior do que eu acontece durante essa música. É uma das minhas favoritas.

Nesta é apenas eu e o piano. O produtor com quem eu estava trabalhando (Greg Wells) e eu estávamos falando sobre o tom do piano e como queríamos que ele soasse. Ele descreveu como se fosse um piano tocando em um teatro, atrás de várias cortinas espessas — eu acho que conseguimos fazer isso… O piano distante com os vocais que estão bem nítidos. É uma música bem vulnerável. Você tem que ouvir as palavras, não há nada para te distrair disso e elas estão fechando o álbum muito bem. É isso que nós fizemos, é isso que nós tentamos dizer e, para resumir… é por isso que estamos fazendo o que estamos fazendo… é por isso que eu componho… essa música, bem aqui.


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#TBT: Tour de Columbus

Publicado por Mutant Kids Brasil - Arquivada em 2018

Relembre como foi a Tour de Columbus e confira fotos oficiais e assista aos shows completos!

por Kaline Linhares
e Matheus Lopes


Para comemorar um ano do início da Tour de Columbus, resolvemos relembrar como foram os cinco shows. Como sempre, colocamos vários links ao longo da matéria para você ver fotos, vídeos e publicações da equipe, é só clicar que eles abrirão em outra aba!

A Tour de Columbus foi uma pequena turnê de encerramento da era Blurryface realizada por twenty one pilots em sua cidade natal, Columbus, no estado de Ohio. O anúncio foi feito no final de março, apresentando um sistema de compras de ingresso diferente do normal para evitar que uma única pessoa comprasse ingressos demais e para impedir a ação de cambistas, já que alguns desses shows aconteceram em locais bem pequenos.

A TDC aconteceu de 20 a 25 de junho de 2017. No dia 23, entre o terceiro e o quarto show, aconteceu a ARTOPIA na arena Nationwide. Você pode ler sobre o evento promovido pela banda aqui (teve até Meet & Greet surpresa!).

Antes dos shows, alguns sons e imagens foram exibidos nos locais dos eventos. Os fãs interpretaram como pistas, mas até hoje não sabemos se realmente eram enigmas ou simplesmente algo para criar o clima. Os últimos três shows começaram com um vídeo mostrando momentos da história da banda.


Noite Um: The Basement
Capacidade: 300 pessoas
Fotos oficiaisShow completo

Durante a entrada do público no The Basement, fãs ouviram sons que lembravam sons de um voo, com a apresentação de um capitão e conversa entre pilotos.

O primeiro show da Tour de Columbus começou com uma intro de “Trees” e “Fake You Out”. Essa mesma abertura foi feita em alguns show da turnê tripførconcerts em 2013 e 2014. Tyler começou o show tocando sua keytar, um teclado em forma de guitarra. O instrumento não foi tão usado na era Blurryface.

“Fake You Out” e “Truce” foram performadas pela primeira vez desde 2014. A última vez tinha sido durante a Quiet is Viølent World Tour, tunê da era Vessel. Josh não fez seu famoso backflip durante “Holding On To You” e não fez Drum Island em “Ride” porque o espaço era muito pequeno.

Tyler e Josh fizeram duelo de bateria depois de “Guns For Hands”. Eles costumavam fazer isso durante a era Vessel.


Noite Dois: Newport Music Hall
Capacidade: 1600 pessoas
Fotos oficiaisShow completo

Antes do show, Tyler e Josh compraram 3 caixas enormes da Chipotle e pediram para a segurança entregar a comida aos fãs que estavam na fila. Uma imagem foi projetada na entrada do Newport Music Hall com a mensagem “WAIT_” (ESPEREM_).

Dessa vez a abertura foi com intro de “Fairly Local” e “Heavydirtysoul”, como aconteceu durante a Emotional Roadshow. “Fake You Out” não foi tocada dessa vez e Tyler dedicou “House of Gold” à mãe dele. Todos cantaram parabéns para Josh.

Josh voltou a fazer batalha de bateria (com ele mesmo), backflip durante “Holding On To You” e drum island.

Curiosidade: Foi nesse mesmo local que o videoclipe de “Car Radio” foi filmado.


Noite Três: Express Live!
Capacidade: 5500 pessoas
Fotos oficiaisShow completo

A banda de abertura da noite foi MUTEMATH. Além de terem viajado por vários meses em turnê com Tyler e Josh, foram eles que participaram do EP “TOPxMM”, com versões reinventadas de músicas do twenty one pilots. (Se você não ouviu ainda, assista ao vídeo do projeto no YouTube ou ouça no Spotify ou Deezer.)

Antes do show, uma imagem enigmática apareceu nos telões ao lado do palco. Fãs disseram que uma mensagem dizia “carregando instrumentos de voo”.

Dessa vez, o show começou com um vídeo nos telões, exibindo momentos da banda e uma narração sobre a carreira deles. Você pode assistir à intro aqui ou ler a transcrição a seguir:

         Quantos dias são necessários para começar uma banda?
         Quantos dias são necessários para criar o show?
         Quantos dias até as pessoas começarem a aparecer?
         Quantos dias até você poder tocar no maior local?
         Quantos dias até você tocar em todos os maiores locais?
         Quantos dias até você poder voltar para casa?
         Bem-vindos a Tour de Columbus.

Alguns fãs deixaram o Express bem sujo. Tyler disse: “Eu trabalhava aqui e era o cara que limpava o lixo, então não joguem coisas no chão.”

Mutemath voltou ao palco para as performances de “Tear In My Heart” e “Lane Boy” nas versões do EP TOPXMM. Foi a segunda apresentação ao vivo da colaboração, já que eles também tocaram juntos no Hangout Festival.

Tyler parou o show porque alguém estava passando mal na pista e depois falou sobre a marca de 1 bilhão antes de recomeçar “Stressed Out”. Confira no vídeo abaixo:

Esse show foi mais curto. Não teve medley das músicas antigas.

Tyler estava muito emocionado durante o show e chorou quando agradeceu aos fãs por terem acreditado neles, dizendo: “Acreditar é algo poderoso. Nossos pais e famílias acreditaram em nós. Obrigado por acreditarem em nós.”


Noite Quatro: Nationwide Arena
Capacidade: 12900 pessoas
Fotos oficiaisShow completo
Fotos do Meet & Greet

Os fãs elogiaram a organização do Nationwide Arena. A segurança deu senhas aos que chegaram primeiro e os companhou para garantir que ninguém correria ou se machucaria até chegar na grade.

As bandas de abertura dessa vez foram Judah & the Lion, que também já tinha feito turnê com os garotos, e Public, uma banda menor que está sendo gerenciada por Michael Bradley, ex-gerente de turnê e segurança de twenty one pilots. (Muito boa, inclusive. Você pode ouvir ao EP Sweet Lemonade no YouTube, Spotify ou Deezer).

A TDC teve suas primeiras performances de “Hometown” e “Cancer”.

Também foi o primeiro show da TDC com Palco B. “Ode to Sleep”, o medley de canções antigas e “Cancer” foram tocadas lá.

Judah & the Lion voltou ao palco durante o show principal para os covers de “Tubthumping” e “Jump Around”.

Os fãs fizeram uma fila para dançar conga e Tyler não só notou como também disse que amou. (Vídeo aqui.)

No discurso de “Trees”, Tyler agradeceu aos fãs e disse que estava muito orgulhoso porque o mundo inteiro estava acompanhando a Tour de Columbus se tornando realidade. link discurso legendado


Noite Cinco: The Schottenstein Center
Capacidade: 12200 pessoas
Fotos oficiaisShow completo

Esse foi o último show da Tour de Columbus e da era Blurryface. Por conta disso, foi a última vez que vimos ao vivo algumas canções do Blurryface que deixarão a setlist para as novas da próxima era. As bandas de abertura da noite foram Vesperteen e MisterWives, banda do Dr. Blum que você deve lembrar daquela performance icônica de “Fall Away”.

Antes do show, Mark Eshleman e Brad Heaton, diretor criativo e fotógrafo da banda (também conhecidos como trolls da equipe), postaram uma suposta setlist do show que tinha algumas das favoritas dos fãs, como Ruby, Anathema e Taxi Cab. Mais tarde, Brad postou uma foto mostrando que a calça dele rasgou e também disse que Tyler pisou na cabeça dele quando corria sobre a plateia na hamster ball, “isso é karma!”.

Debby Ryan, namorada de Josh, e as irmãs de Jenna também estavam no show, família completa!

Uma fã mostrou no Twitter que uma senhorinha que trabalha no elevador da arena escreveu “Scott” em vez de Josh na ficha com o nome dos artistas da noite.

Era aniversario da Maddy, irmã do Tyler. Ele deu parabéns para ela antes de tocar “We Don’t Believe What’s On TV”. Confira à performance legendada a seguir:

Brutus Buckeye, a mascote da Universidade Estadual de Ohio, subiu no palco para comemorar o sucesso com os garotos.

MisterWives voltou ao palco para as performances de “No Woman No Cry” (cover de Bob Marley) e “Ride”. O cover não era performado desde 2015.

Tyler entrou na Hamster Ball em “Guns For Hands” e depois dedicou “Tear In My Heart” a todas as pessoas que já ficaram na fila de um dos shows da banda. Ele também falou “goodbye” (tchau) em “Trees” no lugar de “hello” (olá). Veja aqui.

Após o show, Tyler postou uma foto de uma pia suja de tinta preta. Ele estava se limpando da tinta que representa o Blurryface pela última vez.


Confira também

Playlist com vídeos legendados de todos os discursos e vários momentos da Tour de Columbus.
Playlist com todos os 5 shows completos (gravados por fãs).

Jornal Columbus Dispatch em português: twenty one pilots mostra o amor à cidade natal
Entrevista na DuJour em português: Judah & The Lion fala sobre twenty one pilots

Chris Shoenman, que trabalha com a direção de arte e animações para a banda, compartilhou modelos 3D de Tyler e Josh que foram usados para a edição do vídeo de introdução da TDC neste tweet.

O capítulo 5 da websérie Sleepers teve imagens da Tour de Columbus. Você pode assistir a todos os episódios e outras séries legendadas na nossa página WEBSÉRIES dedicada a elas.

Em uma edição especial da revista Rock Sound (que nós postamos traduzida aqui), Tyler e Josh disseram que se inspiram nos fãs e levam a troca que acontece entre nós e a banda em consideração ao criar novas músicas.


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#TBT: Tyler Joseph explica as faixas do Vessel (Parte 2 de 3)

Publicado por Mutant Kids Brasil - Arquivada em 2018

por Kaline Linhares
Tradução de João Victor, Brunna Lemos
e Giovanna Resende
Revisão de Matheus Lopes

Um mês após o lançamento do Vessel, foi lançada a versão com comentários “faixa por faixa” do álbum, exclusivamente no Spotify, onde Tyler Joseph revelou os detalhes por trás de cada música. Confira abaixo a tradução dos comentários da segunda metade do álbum.

Essa matéria é a continuação da Parte 1, que você pode ler aqui.

*A transcrição foi editada para maior clareza.


“Screen” é uma música que eu também compus no ukulele, o que é interessante. Eu nunca quis ser “o cara do ukulele”. Eu não quero que uma música defina minha carreira como compositor, sabe. Então toda vez que escrevo uma música para ser tocada no ukulele, penso “Espero que isso não vire um hit, porque eu não quero ser o cara do ukulele”. Mas essa música, “Screen”, é… Eu sempre imaginei as pessoas cantando essa música junto comigo, nunca imaginei sendo diferente disso. Mentalmente, tem sempre um grupo de pessoas, e é por isso que tem essa batida alegre e é muito diferente da maioria das outras músicas do álbum, mas qual música não é? Sabe, eu realmente não quero ninguém antecipando o que virá depois. Eu não sei por que qualquer compositor iria querer isso. Mas “Screen” é uma das minhas músicas favoritas de tocar ao vivo. Ela é pura. Eu gosto disso.

“The Run and Go” é uma música que eu escrevi no estúdio enquanto estávamos gravando nosso álbum. Tem muitas pausas quando se grava um álbum, seja esperando alguém afinar a bateria ou esperando o produtor trabalhar em outros tons e editar coisas. Então eu passei muito tempo no piano durante essas pausas — e, na verdade, voltando a falar de “Migraine”, eu compus grande parte dela naquele piano. Eu escrevi “The Run and Go” naquele piano também. Foi meio que uma ideia totalmente nova trazida a todo mundo do processo de gravação.

Ao compôr uma música, eu me coloco em algum lugar mentalmente. Eu penso, “Onde eu quero tocar essa canção?”. E eu sempre me imaginei tocando uma música como essa em um show no estilo de um festival onde, obviamente, tem uma tonelada de pessoas. E eu não sei se você já percebeu, mas eu tenho uma imaginação bem louca e meus sonhos são bem grandes, mas essa é uma dessas músicas que eu me imagino tocando no meio do dia — porque nós não somos tão grandes assim ainda, não estamos tocando no turno da noite em festivais, mas está tudo bem, ainda conseguimos ser incríveis durante o dia, sabe. Mas “The Run and Go” é uma dessas músicas que eu espero tocar durante um festival de dia.

Eu estava realmente ansioso quando comecei a escrever “Fake You Out”. Eu acho que a melodia dentro dos versos é uma das minhas melodias favoritas quando vai pro falsete. Muitas vezes eu sinto que os compositores ficam com preguiça quando o assunto é a melodia dos versos. É como se pensassem, “Esses são os meus versos e essa é meio que a parte na qual as pessoas esperam pelo refrão.” E eu sempre pensei tipo, “Por que não fazer a melodia dos versos ser tão contagiante quando o refrão?” Então eu estou orgulhoso dessa música nesse sentido. E também, ela faz toda a mistura de gêneros musicais que está fazendo todo mundo surtar. De verdade, eu não sabia que existiam regras para escrever músicas, então eu só trabalhei em transicionar de um gênero para o próximo. Eu queria ouvir uma música que fizesse isso. Eu nunca ouvi uma música fazer isso antes, e eu queria ouvir algo assim, então eu fiz. E essa música é chamada “Fake You Out”.

Então tem “Guns For Hands”… Não me aprofundo muito especificamente no conteúdo lírico porque, primeiro, eu obviamente quero que essa música signifique algo para alguém e não quero arruinar minha definição dela, mas também, ela significa muito para mim. Às vezes é difícil falar exatamente sobre o que eu estava passando naquele momento e tentar explicar a letra da música, porque só quero ouvi-la. Eu estou dizendo exatamente o que estou tentando dizer na música, explicar o que estou tentando dizer em outro contexto é um pouco estranho pra mim. Mas, com “Guns For Hands” especificamente, gosto de falar sobre o que a música está tentando dizer.

Houve um show em especial no qual essa música foi inspirada. Estávamos fazendo um show em Cincinnati, Ohio, e era meio que um galpão cheio de crianças, e depois desse show houve um número um pouco incomum de pessoas que vieram até mim e se sentiram dispostas a compartilhar comigo as coisas pelas quais estavam passando. Sabe, muitas de suas dificuldades… Seja depressão ou pensamentos suicidas, muitas coisas nesse sentido. E apenas pensei, “Nossa, eu estou em um núcleo de crianças passando por essas coisas e isso é só uma proporção absurda de todo mundo sofrendo com isso?” Então me lembro que, não muito depois daquilo, eu estava em Nova York e passei por uma pizzaria ou algo assim, e vi uma revista que estava na entrada, esse grande artigo sobre essa cidade específica de Nova York que tem muitas crianças na faixa etária do ensino médio passando por muitas das mesmas coisas. E percebi que isso não é apenas um evento isolado, há muitas crianças por todo o país — até pelo mundo — que estão sofrendo com as perguntas que têm, sabe, “Qual é o sentido?”, “Qual é o meu propósito?”, “Por que estou aqui?”. E quando você não tem as respostas para essas perguntas, às vezes isso pode te levar a fazer algo que, no fim das contas, não deveria fazer.

Então “Guns For Hands” é sobre eu querer te dizer que eu sei que você tem a capacidade de machucar a si mesmo. Você tem. Você tem essa capacidade. Sinto que muitos da geração mais velha, quando ouvem sobre alguém sofrendo com isso, reagem dizendo “Não, você não está sofrendo com isso. Não pense nisso, pense em outra coisa. Você está apenas querendo chamar atenção.” Mas essa música estava realmente tentando dizer “Ouça, eu sei que você tem a capacidade de machucar a si mesmo. Reconheço isso, mas vamos pegar essa energia e apontar para outra coisa, vamos desviá-la, vamos meio que deslocar esse ímpeto e olhar para algo como arte, ou algo como essa música especificamente, ou até apontar para mim, sabe, apenas aponte para qualquer lugar, mas não aponte para você mesmo.” Então é isso que essa música está dizendo e essa música sempre vai ser importante pra mim. E eu não sou um profissional nesse tópico, mas escrevo músicas, e sinto que alguém deveria dizer algo sobre isso.

A música “Trees”… Essa é uma das músicas que nós tocamos quase no fim do nosso set e Josh e eu estamos, geralmente, bem cansados nessa hora, então apenas tentamos colocar todas as nossas forças nisso. Josh e eu conversamos sobre isso, e “Trees” é uma dessas músicas que praticamente nos dá um novo fôlego. Não sabemos nem de onde a energia vem, sentimos como se não tivesse mais nada e então tocamos “Trees” e algo a mais entra em jogo. E é por isso que essa é uma das minhas músicas favoritas para tocar ao vivo na frente de pessoas que conhecem a música. É realmente divertido pra gente — é divertido escutar pessoas cantando aquelas palavras para mim, para elas mesmas e para todo mundo, e é uma dessas músicas que você tem que entregar o show de volta pra plateia e falar “Esse é o seu show, façam o que quiserem com ele.” Eu já vi muitas pessoas abraçarem essa música e ela é uma das minhas favoritas pra tocar ao vivo.

Essa música, “Truce”, meio que se aprofunda no meu lado mais calmo de composição, com o qual na verdade tenho experiência — sabe, estive no lado calmo da composição por muito tempo e gosto muito, só nunca pareceu que havia um lugar para ele nesse álbum que não fosse perto do fim do CD. Isso meio que mostra minha maturidade como compositor, sabe, quando você tem quantas opções quiser. Quando sento no teclado, tenho qualquer opção — posso fazer a música fazer isso, posso transformá-la naquilo, e muitas vezes uma das primeiras coisas que se aprende como compositor e como programador é paciência; ser capaz de desacelerar as coisas e não adicionar ideias demais. Obviamente, você poderia olhar para o álbum e dizer “É, você não fez um bom trabalho nisso.” Desculpe-me, mas a música “Truce” é legal porque sou só eu e o piano. Lembro que quando estava conversando com meu produtor sobre como queríamos que o piano soasse, ele definiu melhor, dizendo “Quero que o piano soe um pouco distante, como se estivesse atrás de várias camadas de cortinas ou algo assim,” então meio que conseguimos um som que é um pouco sinistro e não tão perto de você, para dar aos vocais o espaço para realmente dizer o que está tentando dizer. E “Truce” é uma daquelas músicas que eu queria que passasse essa mensagem para as pessoas, “Aguente firme, há alguém lá fora que sabe pelo que você está passando.” Sei que há muitas bandas que dizem que querem usar a música para ajudar pessoas e sei que muito disso pode ser mentira. Mas se alguém é encorajado, de algum modo, pela música que escrevo, então minha vida inteira vai ser justificada. Assim, seria loucura não tentar. Então essa música se chama “Truce” e fecha o álbum adequadamente, eu acho.


Demorou mas saiu, né? Ainda teremos a terceira parte das explicações, que são declarações mais curtas que complementam esses comentários. Então fiquem de olho nas nossas redes sociais, porque além disso temos dois vídeos do Tyler Joseph explicando as faixas do Vessel!

Lembrando que essas matérias são #TBT, então serão postadas apenas nas quinta-feiras!


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#TBT: Tyler Joseph explica as faixas do Vessel (Parte 1 de 3)

Publicado por Mutant Kids Brasil - Arquivada em 2018

por Kaline Linhares
Tradução de João Victor

Um mês após o lançamento do Vessel, foi lançada a versão com comentários “faixa por faixa” do álbum, exclusivamente no Spotify, onde Tyler Joseph revelou os detalhes por trás de cada música. Confira abaixo a tradução dos comentários da primeira metade do álbum.

*A transcrição foi editada para maior clareza.


Aqui é o Tyler, do twenty one pilots, e eu vou comentar faixa por faixa do nosso novo álbum, que é chamado Vessel.

A primeira faixa é chamada “Ode To Sleep” e eu me lembro de quando estava tentando nomear essa música, nós a tocamos ao vivo antes mesmo dela ter sido nomeada, e isso foi quando nós tínhamos um pequeno grupo de seguidores na nossa cidade natal — era pequeno o suficiente para que todos pudessem escrever em um pedaço de papel qual era o nome que eles queriam dar à música e colocar em um balde. Uma das sugestões foi “Ode To Sleep”. Honestamente, eu esqueci os outros nomes sugeridos, mas foi legal porque o público local pôde nomear a música.

Eu gosto do fato desta música ser a primeira do álbum, porque meio que deixa o ouvinte consciente de que não pode antecipar como o resto do álbum é. Então “Ode To Sleep” é, definitivamente, uma das músicas com a qual gostamos de nos introduzir, nós iniciamos diversos de nossos shows com ela e eu estou realmente orgulhoso do quão estranha ela é.

A próxima música é chamada “Holding On To You” e, para ser sincero, eu nunca gostei muito do nome. Eu não sabia outra forma de nomeá-la a não ser pegando as palavras que eu mais repito na música e colocando no título. O nome sempre me faz sentir essa vibe estranha de rock dos anos 80, o que me incomodava, mas já superei. Eu me lembro do riff de “Holding On To You” eu posso ver agora, no piano, nas teclas. Eu visualizo muito quando componho e lembro de ter pulado acidentalmente algumas notas quando estava tentando fazer o riff e pensar que não tinha funcionado. Então eu escutei novamente e percebi que o riff antecipa a progressão do acorde de uma forma muito agradável e eu me apaixonei por isso. E, obviamente, esta é uma das nossas faixas principais nesse álbum… Nós não sabemos exatamente o que significa ter um single lançado porque sempre trabalhamos em algo mais completo, mas esta é uma daquelas músicas em que nós temos que nos apresentar e dizer “Isto é mais ou menos quem nós somos”. Sabe, essa é uma das músicas que nos define.

A próxima faixa é “Migraine” e ela provavelmente tem alguns dos meus versos favoritos. Eu trabalhei muito no conteúdo. Quanto ao lado lírico, tudo meio que se fundiu. Eu tive a ideia… Eu senti dor de cabeça no dia que estava compondo a música, claro, mas esse não era realmente o ponto. Eu estava tentando fazer algo metafórico, onde há muita coisa se passando na minha cabeça… O interessante é que essa é uma dessas músicas que, como compositor, eu uso para emitir uma mensagem, quase como uma onda na água, e quando sinto que essa onda atinge alguém que se identifica com o que eu estou passando, isso vai voltando para mim. É um sentimento muito bom, saber que não estou passando por isso sozinho. Então “Migraine” é mais ou menos um pedido de socorro liricamente — e também tem uma batida bem ousada.

A próxima música é chamada “House of Gold”. Eu entrei em uma loja de instrumentos usados e vi um ukulele e comprei, meio que no calor do momento. Eu não estava pensando de verdade. Eu não fazia ideia de como tocar. Consegui aprender a tocar sozinho em alguns dias. Não é um instrumento difícil de aprender e eu sabia que não queria ficar apenas tocando músicas de outras pessoas nessa coisa. Eu queria tentar compor uma música, porque é como sempre utilizei os instrumentos. Então eu tentei compor uma música imediatamente e comecei com algo simples, apenas passando o dedo pela corda inferior, que é a nota Dó. E eu continuei fazendo isso até encontrar a melodia que estava buscando. Sabe, minha mãe é uma grande inspiração para mim, então a música fala sobre ela e o que eu quero fazer por ela, seja financeiramente ou de outras formas também. Ela significa muito para mim, por isso essa música é sobre ela.

“Car Radio” é uma música interessante. Eu não lembro de tomar decisões sobre a estrutura e não lembro de trabalhar tanto para saber quando iniciar ou interromper as batidas… É uma dessas músicas que simplesmente aconteceram para mim quando eu estava fazendo a demo. A estrutura foi muito natural para mim. E quando finalizei e estava mostrando às pessoas, percebi que não era uma música natural, mas funcionou para mim, então é por isso que não a descartei. Ao mostrarmos nossas músicas às pessoas pela primeira vez, elas não entendem “Car Radio”, mas eu meio que gosto disso.

A música é sobre… Eu estava indo para a faculdade e o rádio do meu carro foi roubado e, não sei se mais alguém é assim, mas ao entrar no carro a primeira coisa que faço é colocar algo para tocar e eu não pude fazer isso por um tempo. Claro, eu sou um cara emotivo, então eu compus uma música sobre isso. Mas foi interessante ver, ao remover a distração da música na minha vida e meu carro, até onde minha mente vai, os pensamentos que passariam pela minha mente.

Foi importante e eu ainda encorajo as pessoas a tirar um tempo apenas para sentar em silêncio de vez em quando, porque muita coisa pode sair disso. Muitas coisas precisam ser colocadas para fora, então essa música me lembra dessa época da minha vida e da lição que aprendi.

A próxima música, “Semi-Automatic”, é uma das mais novas no álbum e ainda não a tocamos muito ao vivo. É difícil eu ter uma ligação com uma música sem ter tocado ela ao vivo algumas vezes. Nós conseguimos planejar e desenvolver como a maioria das outras faixas do álbum seriam ao vivo, e é isso que realmente somos. Somos uma banda ao vivo e amamos tocar música ao vivo. Então “Semi-Automatic” é uma música desafiadora que esperamos conseguir colocar no nosso repertório. E, liricamente, ela tem muito dos mesmos temas do resto do álbum.

A música é muito introspectiva, e eu sei que falo muito sobre o período da noite. Eu sinto que ouço muita música pop hoje em dia que fala sobre a noite de uma forma completamente diferente da que eu falo. Há muitos compositores que falam sobre a noite como um período maravilhoso, que todos estão curtindo ou algo assim, e geralmente a noite para mim é o pior — é quando tudo fica exposto. É quando eu percebo que não entendo de verdade por que estou aqui ou o que estou fazendo e é quando as dúvidas aparecem. Então muitas dessas músicas estão meio que mostrando a vocês as coisas que eu penso durante a noite. E “Semi-Automatic” é uma dessas músicas.


Além da tradução dos comentários da segunda metade do álbum, também traremos dois vídeos legendados de Tyler falando ainda mais sobre as faixas, então fiquem ligados!


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Comunicado

Por decisão unânime, a equipe da Mutant Kids Brasil decidiu dar uma pausa indeterminada nas atividades do portal.

No dia 02 de setembro de 2020, Tyler Joseph demonstrou indiferença a causas sociais que são importantes para nós e por isso não nos sentimos mais confortáveis em continuar o nosso trabalho de cobrir a banda twenty one pilots.

Depois de meses recebendo mensagens de fãs pedindo que ele se posicionasse em suas plataformas digitais em relação a tópicos importantes, como o movimento Vidas Negras Importam nos EUA e a crescente onda de homofobia na Europa, Tyler publicou uma foto usando tênis de plataforma (salto) como piada, dizendo que estava sim usando sua plataforma.

Horas depois de causar controvérsia, ele começou a falar sobre saúde mental, dizendo que é essa a sua causa, e que ele já carrega peso demais, mas que admira quem batalha por outras causas.

Não é a primeira vez que ele diz algo assim. Em 2016, quando o casamento homoafetivo foi enfim legalizado nos EUA (país onde Tyler mora), ele ficou em silêncio. Ao ser perguntado sobre o que ele achava, Tyler publicou uma mensagem dizendo que não havia postado sobre isso porque "qualquer outra causa, não importa o quão nobre seja, torna-se um peso grande demais para carregar". Ele pediu paciência até que um dia ele "consiga carregar mais peso".

Isso nos leva a concluir que Tyler ainda não aprendeu a carregar o "peso" que nós somos, 4 anos depois. Não sabemos se faz sentido dedicar nosso tempo e energia a alguém que nos enxerga desta forma. A impressão que temos é que as nossas batalhas não são as mesmas, como ele dizia. E isso nos magoa.

Não achamos que todas as celebridades são obrigadas a se posicionar sobre tudo. Mas acreditamos que as pautas sobre identidade estão diretamente ligadas à saúde mental, base sobre a qual a banda construiu sua carreira. Tyler mencionou dados sobre depressão e suicídio, por exemplo, mas ele não olha mais fundo na questão. Há diversos estudos que relacionam esses males ao preconceito que pessoas negras e LGBTQ+ sofrem. É preciso enxergar os fãs.

Não estamos publicando esse texto como uma tentativa de convencer vocês a pensarem como nós. Assim como muitos defendem a opção de Tyler de não se pronunciar, esperamos que entendam a nossa perspectiva. Nossa equipe é e sempre foi diversa, com contribuição de pessoas de diferentes estados, grupos sociais, gêneros, sexualidade, religião e posicionamento político. Infelizmente, não nos sentimentos tão acolhidos pela banda como antigamente, e assim como diversos outros portais pelo mundo estamos tomando essa decisão.

O site, as redes sociais e o canal no YouTube continuarão no ar para quem quiser conferir o conteúdo que publicamos sobre a banda desde 2014.

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