twenty one pilots fala sobre Death Cab for Cutie

Publicado por Kaline Linhares - Arquivada em BBCR1

tradução de Bianca Almeida
revisão de Kaline Linhares

Recentemente, em entrevista para BBC Radio 1 com Annie Mac, Tyler Joseph e Josh Dun tiveram que escolher um álbum que mudou suas vidas. Eles falaram o álbum “Plans” , da banda Death Cab for Cutie. Confira a tradução da entrevista abaixo.


Annie Mac, BBC Radio 1: Agora eu gostaria de perguntá-los qual foi o álbum que mudou as suas vidas.

Tyler Joseph: Para começar, eu gostaria de dizer que essa é uma pergunta bem dramática para se fazer a alguém, mas a primeira coisa que me veio à mente foi o álbum “Plans”, do Death Cab for Cutie, um dos meus álbuns favoritos de todos os tempos. Eu lembro de momentos específicos da minha vida, no ensino médio, onde esse álbum me deu algo que eu precisava e eu não sei como explicar o que esse álbum fez por mim. Esse foi um dos primeiros álbuns que eu comprei, então tem uma certa conexão com isso, era meu próprio dinheiro, sabe? Por isso eu tinha que fazer valer a pena, acho.

Cada música… As suas favoritas não te atingem rápido e tão forte nas primeiras vezes que você escuta, mas enquanto você convive com elas você percebe que elas começam a amadurecer mais e mais na sua cabeça. Eu acho que tem algo sobre uma certa melodia que se você tirar um tempo o suficiente para esculpi-la e elaborá-la, isso estará diretamente relacionado com quanto tempo essa melodia irá se manter nova para quem está escutando. Qualquer melodia que você pode tirar da sua cabeça em 5 segundos, provavelmente será bem viciante, mas que irá morrer rapidamente, e acho que é nisso que os caras do Death Cab fazem um trabalho incrível. Não é sobre achar aquela melodia de sucesso imediato, mas uma melodia que você pode sentir que levou tempo para criar.

Josh: Eu acho que da minha perspectiva como baterista, não é muito comum você tocar uma batida e alguém chegar e dizer que conhece a música ou sabe qual é. Há, claro, algumas batidas icônicas que já foram compostas, mas eu sinto que aquele álbum tem muitas delas.

Tyler: Foi uma das primeiras bandas que eu conheci que as melodias eram importantes para eles mas as letras também eram revigorantes e tinham um gosto muito interessante de “Eu já ouvi sobre isso antes, mas nunca desse jeito”. Sim, ele está falando sobre amor ou qualquer outra emoção que ele está tentando falar sobre, mas ele está dizendo de uma forma completamente diferente, que faz sentido para mim, mas eu nunca ouvi daquele jeito. Você sente que tudo já foi feito antes, mas então você escuta um álbum do Death Cab e percebe que ainda há muitas coisas para serem faladas e lugares que você pode ir e isso é algo que definitivamente influencia a minha composição.

Annie Mac: Há alguma música no álbum que te viciou que podemos tocar?

Josh: “What Sarah Said”, provavelmente. A progressão dos acordes é linda, liricamente é… Eu posso ouvi-la sem parar e notar algo diferente toda vez, ou ligar a algo diferente toda vez. É uma linda música.


Ouça “Plans” no Spotify, DeezeriTunes ou Google Play.


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Trench é eleito Álbum do Ano pela Rock Sound

Publicado por Eduardo Reis - Arquivada em news
por Eduardo Reis
revisão de Kaline Linhares

Em 2017, a Rock Sound começou a eleger categorias de “Melhores do Ano”. Agora em 2018, twenty one pilots levou o prêmio de Álbum do Ano por Trench. Tyler e Josh gravaram um vídeo divertido agradecendo pelo reconhecimento.

A Rock Sound é uma revista britânica focada para a música alternativa, e os meninos já apareceram por lá várias vezes, você pode conferir mais das nossas matérias aqui. A revista disponibilizou dez versões diferentes da edição 247, cada uma com a banda/artista ganhador de cada categoria na capa. Os ganhadores desse ano foram:

Melhor Artista Revelação: Palaye Royale

Melhor Artista Britânico: Don Broco

Melhor Artista Internacional: Lights

Melhor Performance Ao Vivo: One OK Rock

O Alternativo Real: I Don’t Know How But They Found Me

Poder da Música: As It Is

Álbum do Ano: twenty one pilots

Artista do Ano: Panic! At The Disco

Calçada da Fama: Good Charlotte

Ícone da Rock Sound: Lynn Gunn

Essa é a primeira vez que twenty one pilots ganha em uma categoria da Rock Sound Awards. Se você quiser adquirir a revista física, detalhamos melhor abaixo como você pode comprar.

A revista possui entrevistas exclusivas e pode ser adquirida através da loja oficial da Rock Sound. Elas começarão a ser enviadas no dia 7 de dezembro e levam de 4 a 6 semanas para chegar. A edição com o Tyler e Josh na capa é a 247.7. O pacote inclui: a revista física versão dourada, um pôster especial da premiação impresso e um calendário de parede de 2019 da Rock Sound. Cada revista custa £7,99 e a compra só pode ser feita com cartão internacional, e você só poderá saber o valor final da compra quando a fatura do cartão for emitida pois depende da cotação da moeda no dia. Além disso, cada empresa bancária usa uma taxa de câmbio diferente, é importante verificar antes para não ter nenhuma surpresa na hora de pagar. Hoje (02/12/18), a Libra esterlina está custando R$4,93, ou seja, uma revista custaria R$39,40 (R$4,93 × 7,99). E tem o frete, que varia para cada região. Botamos como exemplo o envio para a cidade de Salvador, na Bahia, e totalizou R$22,13 (£4,49 × 4,93). Acreditamos que o valor do frete será o mesmo para qualquer estado do Brasil, mas pode variar.

A partir de 2018, os Correios começaram a cobrar uma taxa de R$15,00 para encomendas internacionais. Essa quantia deverá ser paga no site dos Correios, após a compra ser efetuada, a partir do fornecimento do seu número de rastreamento ou CPF/CNPJ. O pagamento da tarifa pode ser feito por boleto bancário ou cartão de crédito.

Considerando a cotação da Libra para o dia de hoje (02/12/18) e a entrega na cidade de Salvador, o valor total da compra da revista física da Rock Sound é de R$76,50 (R$39,40 + R$22,10 + R$15,00).


Todas as imagens da revista serão adicionadas na nossa galeria e planejamos, como sempre, postar a tradução aqui no nosso site.


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twenty one pilots visita o Hospital Infantil Cardinal Glennon

Publicado por Kaline Linhares - Arquivada em news

Josh e Tyler levaram ao show a crianças e adolescentes que não podiam ir à Bandito Tour

tradução de Rodolfo Silva
revisão de Kaline Linhares e Matheus Lopes

Durante a passagem da The Bandito Tour pelo estado do Missouri no fim de outubro, twenty one pilots fez uma pausa no Hospital Infantil Cardinal Glennon, na cidade de St. Louis, para ajudar a iluminar o dia de algumas crianças.

Com a ajuda de terapeutas do hospital, crianças e adolescentes que estão internados gravaram um vídeo para convidar Josh a Tyler a visitá-los. A banda ficou comovida com o pedido e ele foi atendido.

Confira mais no vídeo legendado e na matéria da Fox2 Now que traduzimos abaixo.


Tyler Joseph e Josh Dun entraram em um mar de sorrisos no hospital. O duo vencedor do Grammy disse que nunca visitou crianças em um hospital antes, até que a paciente Rachal Sancoucie e outro paciente fizeram um vídeo pedindo para que eles os vissem antes do show deles na sexta-feira (19).

“É uma loucura. Eu não consigo acreditar que eles vieram!”, Sansoucie disse.

Joseph cantou e tocou seu ukulele para as crianças. Depois ele e o baterista Dun passaram um tempo conversando com os pacientes, dando autógrafos e tirando fotos.

Funcionários do hospital disseram que usam algumas das músicas da banda como terapia para seus pacientes.

“É uma língua falada em todo o mundo. É algo poderoso e ver [nossa música] sendo usada em um ambiente como este, é encorajador e também inspirador”, disse Joseph.

Essa visita fez mais pelas crianças do que qualquer um de nós pode imaginar.

“A música me ajudou a passar por momentos difíceis e vir aqui e ver o que essas crianças enfrentam todos os dias e usando música, sabe, me deixa emocionado”, disse Dun.

É certamente um dia que Rachal Sansoucie nunca esquecerá enquanto enfrenta uma doença no fígado.

“Significa muito. Eles apresentam um sentimento de melancolia. É o que você sente em um hospital, não é horrível mas também não é bom, como eu interpreto”, disse Sansoucie.

Por mais que as crianças tenham gostado de conhecer e conversar com a banda twenty one pilots, a banda pode ter saído tão impressionada quanto elas.

“Foi uma honra vir falar com essas crianças”, disse Joseph.


Agora em novembro, twenty one pilots visitou mais um hospital para crianças. Eles foram ao Hospital Infantil do Colorado visitar o fã Evan que, por ter feito uma cirurgia para remover um tumor cerebral há 5 dias, não poderia ir ao show em Denver.

Infelizmente, Evan não pôde descer para conhecer Josh e Tyler, mas os dois deixaram uma mensagem para o garoto. Evan está em recuperação na UTI.

https://twitter.com/mutantkidsbr/status/1064670556673449985


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Escolhendo a vida: twenty one pilots evita o brilho das “lápides neon”

Publicado por Kaline Linhares - Arquivada em AltPress

tradução de Rebeca Hikari
revisão de Sheryda Linhares

Além de explicar como sua fé abalada inspirou a música “Leave The City”, twenty one pilots discutiu uma das músicas mais controversas de sua carreira, “Neon Gravestones”, com a Alternative Press. Confira a tradução abaixo.


Olhamos mais de perto a música controversa de Trench, o álbum recentemente lançado do twenty one pilots, na qual nos traz pensamentos complexos e soluções relacionados ao suicídio.

No planejamento de nossas rotinas diárias — antes de dar uma olhada nas suas menções no Twitter, verificar no jornal se o mundo realmente acabou, talvez só fazer seu pedido do café da manhã —, será que nós paramos para refletir sobre como chegamos aqui? Consideramos quantas gerações de seres humanos foram necessárias para anunciar nossa chegada nesta grande bola azul? Conseguimos descobrir exatamente quanta luta, dificuldade e coragem estavam envolvidas para te trazer até onde você está hoje?

O coração e alma do fundador do twenty one pilots, Tyler Joseph, está sempre mergulhando fundo no existencialismo quando se trata de assuntos internos, do desconhecido e o que vem em seguida. No recentemente lançado Trench, a banda mantém seu modus operandi (leia-se: “nunca vamos ‘não falar de tal coisa’”), ao escrever uma das músicas mais polêmicas de sua carreira, “Neon Gravestones”.

“Houve um minuto, quando eu mostrei [a música] para ele e disse: ‘Bom, o que você acha?’” Joseph diz, quando apresentou a música ao seu musical foil¹/melhor amigo, Josh Dun. Quando Joseph estava preocupado com a reação à faixa “Lane Boy”, do álbum Blurryface, (onde ele levava a indústria da música a termos incertos), foi Dun quem aprovou a ideia.

“Não é uma música que você escuta uma vez e diz ‘Ok, é nisso que ela quer chegar.’ É algo com o qual você tem que viver por um momento, conversar sobre e discutir com outras pessoas — dar a ela oxigênio e deixá-la respirar.”

“Então enquanto ela descansava no cérebro do Josh, eu esperava um retorno dele. No fim das contas, se ele dissesse ‘Isso não está soando correto’ ou ‘Eu acho que nós deveríamos nos preocupar sobre isso não ser interpretado corretamente’, eu saberia que era o fim. Ele digeri-la e voltar e dizer ‘Eu entendo o que está por trás disso’ é o que eu precisava ouvir.”

“Eu acho que nós sempre concordamos um com o outro sobre muitos assuntos diferentes”, diz Dun, quando perguntado sobre o que ele achava quando Joseph mostrou a letra para ele. “De coisas políticas à coisas espirituais. É por isso que eu acho que nós nos demos bem logo de cara. Como o Tyler diz, pode haver sensibilidade dentro desse tipo de coisa, então eu quero achar um equilíbrio entre algo que não é muito sensível, mas não extremo demais. [A música] é algo que eu digeri por um tempo, mas eu acho que ela é de um tipo ousado — e eu gosto disso”.

A música é uma meditação sobre aquelas pessoas que escolhem acabar com as suas vidas usando suas próprias mãos. Enquanto a dupla é conhecida pela sua habilidade de expressar fortes platitudes emocionais em perfeitos ganchos pop, eles nunca foram tão sombrios assim.

A reação dos ouvintes pode ser espontânea em acusar Joseph de ser excessivamente insensível às histórias das vítimas (o rap hipotético com versos como “Chorarei por uma criança/Mas não lamentarei por um rei” e “Eu não estou desrespeitando o que foi deixado para trás/Apenas implorando para que não seja glorificado”) e as circunstâncias que os levaram a essas tristes e trágicas conclusões. Outros podem considerar que ele está transmitindo algo com relação a soluções.

“A ideia de auto-mutilação, depressão, suicídio”, ele começa, “eu gostaria de acreditar que há diversas maneiras de abordá-la e falar sobre ela. Este ângulo do qual ‘Neon Gravestones’ está falando é um que eu não ouvi muito e gostaria, pois sei que o respondo como um desafio”.

“Eu acho que em algum ponto, ‘Nós te ouvimos e te entendemos e estamos aqui para você’…”, a voz dele trava, “Chega um ponto em que isso não ajuda. E qual é o oposto disso? É um desafio para dar um passo à frente e derrotar algo. Para ganhar.”

Joseph cita sua vida crescendo perto de seus pais, que eram treinadores de basquete em várias escolas. Ele diz que enquanto há maneiras de aconselhar e empoderar pessoas em certos grupos de idades específicas, “mas mesmo assim, você não pode resumir a ‘você deveria treinar alunos de ensino fundamental dessa maneira e alunos de ensino médio dessa maneira e atletas universitários dessa maneira.’”

“Cada pessoa responde a certas coisas de certas maneiras”, ele continua, “Dentro disso, é a realização que há um desafio e tentar chegar neste ponto. Comigo e algumas outras pessoas, nós respondemos a isso. Quando você percebe ‘Eu reajo positivamente a essa chamada para ação também’, então de um jeito diferente, você percebe que não está sozinho. Mas você não precisou de mim para dizer ‘Ei, você não está sozinho.’ Você descobriu de um jeito mais orgânico.”

No final da música, Joseph sugere que passe algum tempo conversando com pessoas que são mais velhas que você. Escute as histórias deles de sobrevivência e amor pela vida, na esperança de conseguir algumas respostas. (“Encontre seus avós ou alguém de idade/Mostre respeito pelo caminho que eles trilharam/À vida eles eram dedicados/Isso deve ser celebrado”). Até hoje, o cantor encontra consolo e poder na capa do álbum de estreia na gravadora, Vessel, onde tanto o avô de Dun e o seu — que faleceu recentemente — representam a promessa de uma vida plena.

“Esses são dois caras para quem nós olhamos para ver a todo o percurso da vida”, diz Joseph. “E esse é o tipo de coisa que eu vejo como motivadora e encorajadora. É algo para o qual eu olho como inspiração naqueles momentos onde eu não quero seguir em frente ou se eu não acho que eu consigo.”

“Espero que as pessoas saibam o que eu estou tentando dizer”, ele diz. “Porque isso é potencialmente doloroso, potencialmente prejudicial, potencialmente ofensivo, potencialmente…” ele pausa para organizar seus pensamentos. “Eu estou cantando o que eu gostaria de ouvir e o que eu preciso ouvir. E eu sinto que há um grupo de pessoas como eu que vão reagir a um desafio e vão reagir com um pouco de conflito e uma mentalidade de vitória/derrota. Eu sei que se alguém me desafiasse com isso, eu ficaria por trás. Eu ficaria inspirado e animado por isso — e essa abordagem me ajudaria.”

___

¹Nesse sentido, “foil” é um substantivo para contrastar os dois integrantes da banda.


Tem vontade ou necessidade de conversar com alguém? Entre em contato com o CVV, Centro de Valorização da Vida, através do site https://www.cvv.org.br/ ou ligue para 188.


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twenty one pilots fala sobre Trench e a verdadeira identidade do Blurryface

Publicado por Kaline Linhares - Arquivada em blurryface

tradução de Rodolfo Silva
revisão de Maria Anita e Eduardo Reis

Em entrevista para a Music Feeds, Josh e Tyler falam sobre o significado de seu novo álbum, Trench, e qual a ligação dele com o seu antecessor, Blurryface.


O duo de Ohio, twenty one pilots (Tyler Joseph e Josh Dun), acaba de lançar seu aguardado álbum Trench. Já disponível, o álbum é o primeiro disco completo do duo desde o descontroladamente bem-sucedido Blurryface de 2015, que foi o primeiro álbum da história a receber disco de ouro, ou mais, para cada. uma. das. faixas.

O Blurryface em si é três vezes multi-platina e contém singles como “Ride” e “Stressed Out” (o qual ganhou o Grammy de Melhor Pop Duo/Group Performance em 2017 e acumulou quase 100 milhões de reproduções no Spotify).

Nos encontramos com Josh e Tyler, antes de sua turnê australiana em dezembro, para conversar sobre as lendas de Trench, o processo de composição do álbum e a verdadeira identidade de Blurryface.

Music Feeds: Como vocês abordaram a composição de Trench?
Tyler Joseph: Ele foi escrito no meu estúdio, no meu porão, então foi tudo em casa. Foi tudo muito pessoal, então acho que isso foi muito importante para nós ao continuarmos. Ao invés de ser um projeto que envolvia muitas pessoas, nós o mantemos bem íntimo e do jeito que sempre fizemos isso, que é perguntando a nós mesmos “Nós gostamos disso?” e foi assim.
Eu sentia muita vontade de pegar o baixo enquanto escrevia cada música. No passado, enquanto eu aprendia a tocar piano sozinho, eu encontrei animação e inspiração em um novo instrumento, e foi o mesmo com o baixo nesse álbum. E eu acho que se você entra nesse processo pensando assim ou notando isso, então você consegue ver evidências disso.

MF: Existe um enredo ou tema predominante no álbum?
TJ: Sim, definitivamente. O álbum se chama Trench, e Trench é um mundo, um lugar que é repleto de árvores e pedras, territórios inexplorados e terrenos selvagens. E, bem na parte inferior do mundo, tem uma cidade chamada Dema. Dema é a cidade que, nesse álbum, nessa narrativa, eu sou de lá e eu sinto a necessidade de escapar, de deixá-la e, mais do que qualquer coisa, o álbum representa esse sentimento.
Quando você está viajando dentro de Trench é similar a estar em um lugar e querer sair, seja trabalho ou escola, ou alguma fase da vida; é algo que eu acredito que muitas pessoas conseguem se identificar. A narrativa está tentando descrever algumas dessas emoções que algumas pessoas poderiam sentir ao viajar em suas próprias jornadas.

MF: Essa ideia veio de algum momento que você se sentia assim naquele tempo? Tipo, você estava lidando com essa sensação de estar num lugar e querer sair?
TJ: Sim, absolutamente. Eu acho que já senti isso no passado, mas mais importante, eu senti isso quando estava compondo o álbum — essa ideia de estar entre o último álbum e o que é esse novo álbum. Entre uma música e outra. Eu me senti muito assustado, meio selvagem.
Acho que quando você assistir aos clipes e ver como nós representamos o mundo de Trench, é definitivamente uma representação de como nós estávamos nos sentindo quando estávamos entrando nessa necessidade de compor um novo álbum.

MF: O nome Nico é mencionado em “Morph” e de novo em “Nico and The Niners”. Ele é um personagem recorrente no álbum?
TJ: Sim, Nico é um personagem muito importante no álbum. Nico é um dos nove bispos que governam a cidade de Dema — presta bem atenção agora — O nome verdadeiro dele é Nicholas Bourbaki e este álbum é basicamente uma continuação de Blurryface.
No último álbum, Blurryface era um personagem que representava insegurança, e quanto mais você aprende sobre essas inseguranças, quanto mais você aprende sobre esse personagem, mais controle você ganha sobre essas coisas para usar no jogo de guerra que acontece na sua mente. Com este álbum sendo uma continuação disso, uma das coisas que eu sabia que queria fazer era descobrir o verdadeiro nome do Blurryface, e o verdadeiro nome do Blurryface é Nicholas Bourbaki.

MF: Que interessante! Eu li que vocês filmaram o vídeo de “Nico And The Niners” na Ucrânia. Por que lá?
TJ: O diretor do vídeo já tinha explorado aquele lugar um tempo atrás, e enquanto nós descrevíamos para ele a narrativa e como Dema era, foi nesse lugar que ele pensou imediatamente com o tipo de arquitetura e todas as coisas. Sentimos que a Ucrânia fez um excelente trabalho em representar o que eu tinha em mente quando estava criando estes mundos, então fez sentido.
Além do mais, eles não param para almoçar. Eles comem enquanto trabalham, o que significa que poderíamos aproveitar mais dos ucranianos.

MF: Sério?
TJ: Não. Eu acabei de inventar isso!

MF: Teve alguma música no álbum que foi particularmente difícil de compor?
TJ: De certa forma, todas me destruíram completamente. A música chamada “Legend”, quase no final do álbum, é sobre o meu avô que morreu esse ano e eu estava escrevendo ela enquanto ele estava doente. Ele estava começando a piorar e, quando eu cheguei no último verso, ele tinha morrido. Então dá para você sentir isso cronologicamente acontecer na letra da música, que sempre será especial para mim.

MF: Quais músicas de Trench vocês estão mais ansiosos para tocar ao vivo ou mostrar para o mundo?
Josh Dun: Oi, aqui é o Josh! Tyler falou que eu posso responder uma pergunta, então eu vou responder essa.
TJ: [no fundo] Responda, mas seja rápido!
JD: “Morph”!
TJ: [rindo no fundo]
JD: Eu acho que… É difícil, porque eu gosto de todas as nossas músicas e eu gosto de tocar todas, então estou ansioso para tocar muitas delas. Mas eu acho que “Morph” será um desafio. É um pouco diferente de tudo que já fizemos, especialmente no contexto de bateria. Eu acho que vai ser divertido descobrir como tocá-la ao vivo.

MF: Quais artistas vocês estão ouvindo no momento?
TJ: Eu estou ouvindo o novo álbum de Death Cab For Cutie.
JD: Eu não acho que eu esteja ouvindo nada em particular… ou, Trench.
TJ: Você está ouvindo o nosso álbum?
JD: Estou ouvindo Trench. Eu passo por fases às vezes onde eu estarei viciado em um álbum, depois eu não escuto muita coisa e depois eu escuto várias músicas. No momento, eu não estou ouvindo muita coisa.

MF: Vocês consomem outros tipos de mídia durante esses momentos?
JD: Sim, acho que sim. Às vezes eu escuto podcasts ou nada.
TJ: É possível escutar o nada?
JD: Cara, essa é uma boa pergunta.
TJ: É possível tocar em um buraco?
JD: Não dá para tocar em um buraco.
TJ: Hmm, essas são as coisas que nos mantêm acordados à noite.
JD: Acho que não dá para ouvir o nada. Bom argumento.

MF: Você tem alguma recomendação de podcast?
JD: Tem um podcast chamado “Lore” (Lenda, em tradução livre) que é muito legal. É tipo folclore e é bom para ouvir enquanto está dirigindo ou algo do tipo.
TJ: Aí tem a lenda do rock pesado, a lenda do R&B, todos os gêneros musicais.
JD: [ri]


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twenty one pilots e o vídeo de My Blood

Publicado por Mutant Kids Brasil - Arquivada em My Blood

Assista ao clipe da banda e confira letra, tradução e explicação da história

por Matheus Lopes e Eduardo Reis

 


Na véspera do lançamento do álbum Trench, twenty one pilots anunciou que o videoclipe do single “My Blood” seria lançado na manhã seguinte. A banda compartilhou o link do YouTube onde o vídeo seria liberado com uma contagem regressiva e um espaço para os fãs conversarem sobre as suas expectativas.

Nas última semanas, a banda tinha compartilhado algumas pistas de que a música ganharia vídeo a partir de algumas fotos que tinham uma atmosfera bem Halloween. Nos Estados Unidos, o Halloween é bastante festejado no dia 31 de outubro e nas semanas anteriores, e imaginamos que o vídeo teria essa “vibração” para combinar com o mês de outubro.

O que não imaginávamos é que o vídeo seria bem diferente do que a banda já fez no passado. Dessa vez, Josh e Tyler quase não aparecem e a narrativa é focada em dois personagens interpretados pelos atores Dash Connery e Trent Culkin. A história não tem relação com a trilogia de Dema. Falamos mais sobre a mensagem a seguir, então só leia depois de assistir!

Mark Eshleman, que dirigiu muitos vídeos da banda no passado, já disse que não deve repetir o feito na era Trench. Ainda não sabemos se Andrew Donoho, que dirigiu “Jumpsuit”, “Nico and The Niners” e “Levitate” voltará a dirigir novos vídeos da era e se eles terão relação com a narrativa de Dema. “My Blood” foi dirigido por Tim Mattia, o mesmo diretor de “Colors” da Halsey, “Heavy” do Linkin Park, “The Man” do The Killers e da trilogia do álbum Blue Neighbourhood de Troye Sivan com os vídeos “Wild”, “Fools” e “Talk You Down”, entre vários outros, mas esse é o seu primeiro trabalho com o twenty one pilots.

Apesar do videoclipe não se adentrar diretamente no universo de Dema, como a trilogia anterior dirigida pelo Donoho, a letra de “My Blood” se assemelha principalmente na questão da união e companheirismo entre os Banditos. Na primeira estrofe, Tyler canta “Você está encarando um corredor escuro, eu vou pegar a minha luz e irei com você”, o que pode remeter às histórias de Dema, nas quais víamos os Banditos andando juntos em túneis escuros e com tochas nas mãos para iluminar o caminho. Alguns versos depois, há um trecho que diz “Eu pegarei meu bastão e irei com você”; no clipe, um dos personagens quebra caixas de correio com um bastão de beisebol que também usa para bater nos valentões. Muito se especula sobre o Tyler ter se inspirado na sua própria infância e juventude com seus irmãos para escrever essa faixa.

A interpretação mais aceita do título da canção (“Meu Sangue”) é que Tyler se refere justamente a sua família, mais especificamente seus irmãos, sangue do seu sangue. E o videoclipe segue a mesma lógica, mostrando o relacionamento entre dois irmãos. Em 25/10, no show de Detroit, Tyler afirmou que escreveu essa faixa em homenagem a sua sobrinha, Mia.

“[…] Eu escrevi essa música… na verdade um dos motivos que me inspiraram a compor essa música foi o nascimento da minha primeira sobrinha de sangue, e ela está aqui hoje…”


O vídeo de My Blood

O clipe começa com um dos personagens, ainda criança, indo em direção a uma mulher, que tudo indica que seja sua mãe, em uma cama de hospital, relembrando momentos alegres do passado. Logo depois, outra criança o abraça. Fica implícito que a sua mãe faleceu e o seu irmão mais velho o consola em todas as situações. Já crescidos, a história continua narrando a união dos dois, mostrando estarem sempre juntos. Há um momento em que um dos protagonistas provocam pessoas que estavam sentadas na plateia de um campo esportivo. Após serem ameaçados, eles saem correndo.

Os dois encontram um panfleto que anuncia uma festa de Halloween. Eles vestem um fantasia de esqueleto (que inclusive é famosa na história de twenty one pilots, já tendo aparecido nas performances da banda há muito tempo, nos vídeos de Ode To Sleep e Heavydirtysoul (circle), e em Skeleton Bones, introdução usada nos shows do álbum Vessel, o esqueleto já era citado) e vão à festa. Nesse momento, Tyler e Josh aparecem performando dentro da casa onde acontece a comemoração. Essa é a única aparição da banda no vídeo.

Quando os dois meninos saem, o grupo que havia os ameaçado antes aparece na porta da casa deles. O irmão mais velho volta a provocá-los e acaba sendo agredido. O outro garoto, ao ver tudo aquilo, tomou coragem, pegou o bastão de beisebol (“Eu pegarei meu bastão e irei com você”) e foi em direção ao grupo para proteger seu irmão. Quando eles voltam para casa, o mais velho some, e, a partir de flashbacks, fica visível que ele na verdade nunca esteve lá: ele era fruto da mente do garoto mais novo.

O fim do videoclipe levantou várias interpretações e teorias. Fãs apontaram algumas referências a elementos de filmes como “Clube da Luta” (1999), favorito do Josh, e “Donnie Darko”, um dos favoritos de Tyler. Também vale lembrar algo mencionado por @catharxis_ no Twitter: Tyler e Josh são ambos os primogênitos de suas famílias, e por isso devem se sentir na função de cuidar dos seus irmãos mais novos e com o objetivo de se tornarem irmãos melhores (parafraseando “Polarize”, do álbum Blurryface: “Eu queria ser um irmão melhor, um filho melhor”).

De um ponto de vista mais psicológico, podemos dizer que o personagem principal desenvolveu um transtorno dissociativo de identidade (TDI) após a morte da mãe. Essa é uma condição bastante abordada na mídia, também conhecida como transtorno de dupla personalidade ou de múltiplas personalidades. Pessoas que vivem com essa condição apresentam duas ou mais personalidades diferentes devido à incapacidade da mente em fazer associações de identidade, memória e consciência. Em muitos casos, o indivíduo não sabe que tem outra(s) personalidade(s), e pode realizar ações acreditando que elas foram feitas por outra pessoa ou até mesmo nunca ter conhecimento delas.

Vários fãs, como nossas amigas Dara e Paola no nosso grupo do WhatsApp, também comentaram uma possível relação entre a banda e os fãs, o Skeleton Clique, no vídeo. Apesar de Tyler ter falado que escreveu a música para sua família, muitos fãs interpretaram a letra e o vídeo como uma mensagem de apoio da banda nos dizendo “ei, estamos aqui!”. Muitos conheceram twenty one pilots em momentos complicados de suas vidas ou usaram as músicas como fonte de força e inspiração. Toda a história criada no vídeo de forma cinematográfica pode ser uma metáfora para a presença de Tyler e Josh no nosso dia a dia.

Mesmo tendo várias possibilidades de interpretação, é inegável que My Blood mostra a união e o companheirismo através do amor e da amizade.


Nós já havíamos postado a letra e tradução de My Blood na nossa matéria sobre a música, mas você também pode acompanhar por aqui.


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Comunicado

Por decisão unânime, a equipe da Mutant Kids Brasil decidiu encerrar as atividades do portal.

O site, as redes sociais e o canal no YouTube continuarão no ar para quem quiser conferir o conteúdo que publicamos sobre a banda desde 2014 e que nos tornaram uma das fontes mais completas sobre a banda twenty one pilots no mundo. Esperamos que vocês nos entendam e agradecemos a todos que nos apoiaram do começo ao fim.

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